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Comportamento

Dread: jovens desafiam os preconceitos e quebram tabus

Adeptos dos cabelos trançados ocupam os postos de trabalho e provam que aparência nada tem a ver com capacidade

Gabriel Andrade explica que o visual diferente gera muita curiosidade

Gabriel Andrade explica que o visual diferente gera muita curiosidade

Cabelos entrelaçados, estilo serpente, aspecto de corda, natural ou com cera de abelha. Os dreads nasceram para “fazer a cabeça” de uma tribo que não tem a intenção de causar pavor – segundo a tradução da palavra inglesa. Na verdade, os adeptos do visual alternativo não estão nem aí se agradam ou desagradam quem quer que seja. Querem apenas ser diferentes.

Vistos por muitos como pessoas sem higiene, drogados ou vagabundos, quem opta por carregar na cabeça maços de cabelos em forma de cones sabe que vai enfrentar preconceitos de todas as espécies. Em casa ou na rua, na escola ou no trabalho o visual chama a atenção e desperta os mais variados sentimentos.

A maior barreira está na hora de arrumar um emprego.  Segundo o funcionário da empresa de informática CTIS, que presta serviços à Caixa Econômica Federal, Gabriel Andrade, a única forma de conseguir um emprego foi  iniciando na área de telemarketing, onde não era visto, apenas ouvido. Apesar de ter um currículo muito bom, era descartado na primeira fase seletiva, por causa da aparência. “Logo de cara, quando olhavam o visual, já me eliminavam”, disse ele.

Andrade conseguiu vencer a barreira do preconceito quando participou de um processo seletivo interno da empresa e pode mostrar seus conhecimentos. Atualmente trabalha na área de treinamento de pessoal e seu tipo chamativo foi considerado pela chefia como favorável.

O número de adeptos dos dreads, ou dreadlocks, é crescente. A maioria é de  homens, na faixa etária entre 12 e 30 anos. A cabeleireira do salão Resistenciaafro Dreads, Mônica dos Santos, diz que as tribos dos “dredados” reúnem pessoas de diferentes culturas, como dos amantes do reggae, do trance e do rock. “Antigamente era raro encontrar alguém com dread, todo mundo ficava olhando. Hoje já é mais comum, e o preconceito já diminuiu”. Mônica e seu marido Israel Coimbra encontraram aí uma forma de ganhar dinheiro. O salão de beleza é especializado em dreads.

Mônica e Coimbra têm os cabelos cheios de dreads. Segundo eles, as madeixas despertam a atenção dos curiosos e as perguntas são pitorescas. “Perguntam se eu lavo o cabelo, se tenho piolho, como faço para cortar”. Nas batidas policiais, segundo Coimbra, os ”dredados” são os primeiros a serem abordados.

Quem acha que só jovens estudantes optam por usar dreads está enganado. Segundo Mônica, os frequentadores de seu salão são, também, professores, servidores públicos, chefes de cozinha, pais e mães de família. Hoje, o salão tem uma página no Facebook, onde conta com 4.481 adeptos e simpatizantes.

O publicitário Luiz Fernando Silvestre sempre achou interessante o visual alternativo. Apoiado pela mulher, Silvestre decidiu fazer dreads no cabelo, mas diz que já sofreu muito preconceito por ter um visual diferente. “Casos de preconceitos são muito comuns. Algumas pessoas te olham diferente, não dão bom dia. Elas ficam observando meu cabelo, mas quando eu olho, elas desviam o olhar. Chega a ser engraçado as pessoas não conseguirem me olhar diretamente”.

A professora Carolina Lima decidiu fazer os dreads no cabelo para quebrar alguns paradigmas na família, no trabalho e até no meio religioso em que faz parte. “Eu tinha o cabelo muito liso e longo. Sempre fui notada pela boa aparência. Resolvi fazer os dreads para deixar falar mais alto meu caráter, minhas habilidades, meus princípios e valores”. Carolina diz que constantemente sofre preconceitos, como, por exemplo, quando senta ao lado de alguém no ônibus e algumas pessoas trocam de lugar. “Quando estou andando na rua, algumas mulheres mudam de lado da calçada segurando a bolsa”.

Carolina avisou a diretora da escola em que trabalha que iria fazer os dreads e ela, muito receosa, pediu para que Carolina pensasse bem, pois se preocupava com o que as crianças iriam pensar. “Na semana seguinte em que eu fiz os dreads levei na sala da diretora o desenho que uma de minhas alunas fez para mim. Era a Rapunzel na torre do castelo e no lugar das tranças minha aluna desenhou os dreads. A diretora colou o desenho na parede de sua sala. Todos os dias tenho oportunidade de reafirmar quem sou e influenciar positivamente as pessoas ao meu redor”.

 História – Ao contrário do que muitos acreditam, os dreadlocks não surgiram com o movimento rastafari e com Bob Marley. Segundo o portal de notícias do Uol,  “Howstuffworks” (http://www.hsw.uol.com.br/),  os dreadlocks foram descobertos em múmias no Peru, entre 200 e 800 anos d.C, e o uso era comum também em sacerdotes astecas dos séculos 14 e 15 .De acordo com o site, “na Etiópia, padres das igrejas Coptas usaram dreadlocks durante centenas de anos. Na Índia, seguidores da seita “sadhu” do hinduísmo, usavam os cabelos enrolados em homenagem à divindade Shiva cujos cabelos também eram compridos e enrolados. Os “rasta-budistas” do Japão, membros da seita negra Muslim Baye Fall do Senegal, os maori na Nova Zelândia, e tribos na Namíbia e Angola, todos usam dreadlocks”.

CuriosidadeDread, em inglês, significa pavor. Segundo o site Howstuffworks, “há explicações históricas concorrentes para a adoção desse estilo de cabelo e seu nome. Eles podem ter se inspirado numa tribo do Quênia chamada Mau Mau que usava cabelos em locks e se rebelou contra os ingleses nos anos 1950, ou ainda na pobreza de alguns desabrigados jamaicanos que deixavam seus cabelos crescerem em locks por conta própria. O termo “dread” pode ter surgido a partir da reação dos britânicos aos combatentes do Mau Mau, ou dos rastas jamaicanos que imaginavam a si mesmos instigando medo no coração dos não crentes”.

Os dreads se tornaram mais conhecidos com os rastafaris jamaicanos. O movimento rastafari teve início na década de 30, na Jamaica.
Eles encaram os dreads como uma forma de pureza espiritual, como era a intenção de Deus.  Usam a história de Sansão e seu voto de nunca cortar os cabelos como justificativa.

Os rastafaris e os dreadlocks se difundiram pelo mundo inteiro com os sucessos do cantor jamaicano Bob Marley e a banda de reggae Wailers, no final da década de 1970.

 

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