Economia

Ambulantes lucram até R$ 3 mil com café da manhã pelas ruas do DF

Apesar de aumentar a renda familiar dos vendedores, a venda é feita sem autorização

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comércio ambulante

A rotina diária de trabalho de Simone Pereira de 43 anos começa bem antes de o sol nascer. Por volta das 4h da manhã ela tem a missão de preparar o café de muitos trabalhadores que, na correria do dia-a-dia, não têm tempo de tomar a primeira refeição do dia em casa. “Sempre durmo cedo para acordar cedinho para preparar tudo. Os bolos eu mesmo faço quando chego do dia anterior. Os pães de queijo, compro no meio do caminho”,  conta.

Simone Pereira prepara tudo ainda pela madrugada. Foto: Kelvin Taumaturgo

Simone Pereira, com a ajuda da filha, prepara tudo ainda pela madrugada

Junto com sua filha, coloca tudo no carro e segue para o estacionamento do Hospital de Base na Asa Sul. As duas chegam ao local por volta das 6h da manhã para deixar tudo pronto. Caixas de isopor com os bolos, pães, tapiocas e as garrafas de suco, leite e café são postos em cima de uma mesa para que os clientes possam escolher o que vão comer.

“Assim que chegamos as pessoas já pedem logo um café com leite, ou puro mesmo, com tapioca,” disse Simone. O auxiliar administrativo Ricardo Ferreira, de 33 anos, morador do Guará, sempre faz sua refeição da manhã na rua. ”Todo dia é assim, saio muito cedo de casa e por morar sozinho não tenho tempo para fazer meu café, então prefiro parar em alguma “banquinha” e comer ali mesmo,” disse. Questionado pela exposição dos produtos a céu aberto, o auxiliar disse que confia na higiene. “Nunca passei mal, sempre vejo alguns desses vendedores com luvas, touca na cabeça e os produtos estão sempre em vasos tampados,” acrescentou.

Preços acessíveis e lucro garantido

Todo o dia é possível ver em alguns pontos da cidade pessoas que decidiram montar seu próprio negócio nesse ramo de alimentação servindo café em calçadas e paradas de ônibus. Com preços baixos, os quitutes variam em cada ponto. Um café puro sai em torno de R$ 0,50 e com leite, em algumas bancas, ficam entre R$ 1 e R$ 1,50. O mais pedido é o café com o pão de queijo. A tapioca também entra na lista; a simples, apenas com manteiga, custa R$ 2,00. As recheadas, algumas com queijo, presunto e ovo frito, custam até R$ 4. Há ambulantes que lucram de R$ 2 a 3 mil por mês.

Simone trabalhou em uma empresa de serviços gerais com carteira assinada ganhando um salário mínimo. Com o trabalho informal, passou a ganhar em torno de R 1,5 mil a mais em relação ao seu último salário. “Isso é bom, porque eu posso fazer meu tempo e não preciso depender de patrão. O que ganho dá pra sustentar minha família,” acrescentou. Com parte das vendas, ela consegue também pagar a faculdade da filha, que cursa enfermagem.

Vendas e fiscalização

Para o economista Cláudio Luis Fonseca, a migração desses vendedores para o comércio informal é um reflexo da crise em que o país está passando. “A nossa economia entrou fevereiro de 2015 com um índice muito ruim. Foram apenas 2.415 vagas formais de emprego,” disse. As informações são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados. “Com isso as pessoas estão buscando escapar desse momento de crise e estão partindo para o comércio informal. Isso é bom, pois faz com que essas pessoas invistam nesse tipo de vendas, mas sabemos que muitos não são legalizados,” acrescentou.

A maioria dos vendedores está na ilegalidade. Simone conta que sempre tenta sair do local por volta das 9h da manhã por causa da fiscalização. “Não temos autorização, chegou até de um dia apreenderem tudo, mas, tenho que trabalhar e sempre ficamos atentos quando eles chegam,” disse.

 

O movimento garante um bom retorno financeiro para os ambulantes

O movimento garante um bom retorno financeiro para os ambulantes

A assessoria da Agência de Fiscalização do Distrito Federal (Agefis) informou que a fiscalização é feita diariamente por meio de equipes de Auditores Fiscais. Eles são destinados para verificar não só as atividades de produtos alimentícios, como também de ambulantes irregulares em geral. O trabalho é feito no início do dia, uma vez que a atividade é comum nos pontos de ônibus e nos locais de grande circulação de público.

Ainda segundo a Agefis, devido a rotatividade ser muito grande, não é possível fornecer uma estimativa segura da quantidade exata de ambulantes, que devem chegar a 10% da atividade comercial no DF. A agência afirmou que as autorizações para ambulantes são expedidas pela Subsecretaria das Cidades, órgão vinculado a Secretaria de Gestão do Território e Habitação do Governo do Distrito Federal. 

Sobre a informalidade, como se trata de manipulação de alimentos, os órgãos competentes estão evitando a liberação de licenças, dadas a necessidade de cumprimento de várias exigências, especialmente pela Vigilância Sanitária.

 

 

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