Cultura

Reforma do Espaço Cultural Renato Russo deverá ser iniciada este ano

GDF anuncia orçamento de R$ 7,6 milhões em obra que vai recuperar as instalações e apresentar ao público um memorial em homenagem ao artista

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Brasília deve ter de volta, em breve, um de seus mais populares espaços culturais. O Espaço Cultural 508 Sul, também chamado Espaço Cultural Renato Russo, tem previsão de início de suas obras de revitalização até o fim do ano. A informação é do secretário de Cultura do Distrito Federal, Guilherme Reis.  O complexo, que atualmente está fechado ao público, passará por reformas e abrigará um memorial em homenagem ao artista.

Quando o projeto de reforma foi encomendado, há cerca de dois anos, a verba prevista era de R$ 30 milhões.  Em julho deste ano, porém, o governo anunciou gastos bem mais modestos: R$ 7,6 milhões, recursos que foram obtidos da Agência de Desenvolvimento do Distrito Federal (Terracap). “Não temos orçamento para executar, neste momento e nem em um futuro próximo, uma obra da proporção do projeto original. A redução do valor foi pensada para podermos acomodar a reforma dentro de um orçamento plausível para a situação atual do governo e para podermos devolver o espaço para a comunidade o mais rápido possível”, justifica o secretário Guilherme Reis.

O espaço está fechado há dois anos

O espaço está fechado há dois anos

Mesmo com a redução de custos, o secretário garante que “a reforma vai atender plenamente os problemas apontados pela Defesa Civil e pelo Corpo de Bombeiros no que diz respeito à acessibilidade, estrutura predial e engenharia elétrica de todo o edifício”. A pasta também prevê a recuperação e modernização do Teatro Galpão e da sala Marco Antônio Guimarães, que ganharão mais conforto. As salas multiuso e os espaços de oficinas receberão iluminação adequada e haverá ainda um espaço dedicado à memória de Renato Russo.

Memória

Renato Russo foi um frequentador do espaço que hoje recebe seu nome. Quem conta é a irmã do músico, a cantora Carmem Manfredini, que está, juntamente com amigos da família e fãs, organizando o memorial. “Será simbólico, pois temos planos de construir algo maior no futuro, dedicado somente a ele”, conta. “Mas é preciso que tenha alguma coisa para marcar o espaço. Muita gente vem a Brasília buscando essa referência do Renato e não encontra. E ele era uma pessoa muito ligada à cultura e à educação; tinha amigos não só na música, mas no teatro, em todas as artes”.

Carmem Manfredini, irmã do cantor, está entre os organizadores do memorial

Carmem Manfredini, irmã do cantor, está entre os organizadores do memorial

Carmem diz ter sido “muito bem recebida”, em julho, em um almoço com o governador do Distrito Federal, Rodrigo Rollemberg, e o secretário Guilherme Reis, além da primeira-dama, Márcia Rollemberg, e outros idealizadores do memorial, em que se discutiu a reforma do espaço cultural e a revitalização da cultura brasiliense como um todo.

Nesse encontro, esteve presente o produtor cultural, autor do Museu do Rock e ex- presidente do Conselho de Cultura do Distrito Federal, Hans Tramm, amigo do cantor. Ele afirma que a intenção do memorial é “conjugar um pequeno museu a um centro de cultura”. Dentre os objetos que podem fazer parte do acervo estão “discos de ouro, uma estátua, alguns objetos pessoais”.

Objetos pessoais de Renato Russo, cedidos pela família, serão parte do memorial

Objetos pessoais de Renato Russo, cedidos pela família, serão parte do memorial

A responsabilidade do memorial é de um grupo liderado por Tramm e pelo professor de inglês Paulo Castelo, fã do cantor. Juntos, eles organizaram em uma rede social um grupo a favor do projeto e que já possui mais de 9 mil membros. “Temos também o apoio do Ministério Público que, observando nosso movimento, determinou um prazo de trinta dias para a Secretaria de Cultura apresentar o cronograma de obras”, completa. “O Memorial Renato Russo também é um grupo de utilidade pública. Lutamos pela restauração de Brasília e todos os seus espaços públicos”, completa.

A conclusão da reforma está prevista para dezembro de 2016, de acordo com Guilherme Reis. “A juventude de Brasília sente falta daquele lugar, que é um celeiro para a iniciação artística, para o desenvolvimento de talentos e também para atender à ativíssima classe cultural da cidade”, conclui.

Vivências

O espaço como existe hoje foi fundado em 13 de setembro de 1993. Mas, desde os anos 70, a efervescência cultural da capital passava por lá. “Quando eu conheci o lugar, era chamado de Galpãozinho. Eles ofereciam curso de teatro para crianças, e foi assim que acabei começando a frequentar”, relata a consultora de projetos no Programa Ibermuseus, Marta Ibañez, que diz ter iniciado o curso infantil de artes cênicas “com 9 ou 10 anos”. Mais tarde, já cursando Artes Plásticas na Universidade de Brasília (UnB), Ibañez voltou a usufruir do local: “Frequentei bastante vendo e montando exposições, fazendo uma ou outra oficina de artes”.

Já o servidor público Leonardo Tascht conheceu o espaço cultural na adolescência. “Tinha uma gibiteca que disponibilizava quadrinhos e alguns livros relacionados ao público adolescente. Era acessível, bem no centro do Plano Piloto. Gostava porque era um lugar para encontrar os amigos e ler gibis, que era um hobby meu. Também ia lá às vezes para estudar”, conta. A ligação com o espaço perdurou: “Mesmo depois de formado, já trabalhando, eu passava por lá e via grupos de adolescentes reunidos, assim como eu fazia quando era mais novo. Cheguei também a frequentar o teatro”. Os bons momentos que Tascht viveu no espaço fizeram com que ele doasse, depois de adulto, 2 mil quadrinhos de sua coleção pessoal para a gibiteca: “foi uma forma de agradecimento”.

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