Entrevistas

Síndrome de down é tema de espetáculo teatral premiado

Companhia brasiliense fatura três prêmios, inclusive o de melhor atriz para Liane Collares com espetáculo Meu Precioso Cabaré

Atriz premiada, Liane Collares

Atriz premiada, Liane Collares

A atriz e escritora Liane Martins Collares faz teatro há mais de 16 anos ela é também protagonista de Meu Precioso Cabaré, uma história do diretor Rômulo Mendes, que conta um pouco sobre os preconceitos vividos pelas pessoas com síndrome de down nos anos 50. Liane lançou em 2004 o seu primeiro livro – Liane, mulher como todas e, atualmente, está escrevendo a continuação. A peça, inspirada também na história de Liane, já teve nove apresentações desde 2014 com três elencos diferentes, algumas adaptações de texto e mudanças de cenário, figurinos e coreografias. O espetáculo recebeu sete indicações no Festival de Teatro de Barbacena, em Minas Gerais, e ganhou três dos prêmios: o de melhor figurino para Carolina Franklin e Tatty Ivo; melhor maquiagem, para Nati Maia; e também o de melhor atriz, para Liane. O Poetizar – Coletivo Teatral, já trabalha em um segundo projeto e se dedica ao estudo de casos silenciados pela história brasileira, a partir da construção de dramaturgias teatrais.

 Portal Jornalismo – Como surgiu a vontade de tratar do assunto síndrome de down em uma peça teatral?

Rômulo – A peça surgiu em 2014 no curso de teatro da Néia e Nando. Foi a primeira turma que eu tive que era adulta e bem heterogênea, pessoas com características bem diferentes. Uma senhora de 80 anos, adolescentes com experiência de teatro e nós tínhamos a Liane que tem down. Eu comecei a ver qual era o interesse da turma para essa montagem e, no meio disso a gente teve acesso ao livro dela que é o Liane, mulher como todas. Conversando com ela e também com uma outra pessoa da turma que tem uma filha com síndrome de down, a gente criou o interesse de falar sobre esse tema. Quanto mais a gente pesquisava, mais a gente via que pouco era falado e as pessoas eram meio silenciadas mesmo. Então, escolhemos esse tema, escolhemos a época e, até hoje, podemos perceber o tanto que essa situação se repete.

- Liane, como foi participar da criação do roteiro da peça desde o início?

- O meu livro conta a minha história dos zero aos 40 anos. Quando tive a aula de teatro com o Rômulo, falei com minha mãe se eu podia levar o meu livro para ele ler a história e quebrar a cabeça para montar a peça Meu Precioso Cabaré. Foi daí que surgiu e até hoje está aí bombando. Então, fico muito feliz em fazer parte e ajudar esse meu amigo que é o diretor.

 - Quais foram as maiores dificuldades durante o processo da peça do início até hoje?

Rômulo – Como a peça foi montada num curso, tínhamos objetivos de um curso de teatro. Cada personagem tinha um histórico, um conflito e a partir do momento que a peça foi se profissionalizando, a gente sentiu a necessidade de algumas coisas serem modificadas. A nossa maior dificuldade foi nos desapegar-nos de alguns personagens que precisavam ser cortados, as adaptações do texto e as substituições. Já tivemos três elencos diferentes, o que é complicado, mas também muito interessante pois cada ator traz uma proposta diferente.

 - Liane, a sua personagem na peça, a Bela, teve duas mães por conta da mudança de elenco. Como você lidou com essa mudança?

- Minha personagem mudou de mãe, então eu tinha um pouco de dificuldade com o texto, mas com o apoio dos meus amigos e da minha mãe mesmo (Marilei Collares), o tempo foi passando e eu tirei de letra. Para mim qualquer mãe é mãe.

 - O grupo tem previsão de voltar em cartaz com o espetáculo Meu Precioso Cabaré?

Rômulo – Inscrevemos em outros editais, tem uns que a gente está bem confiante de conseguir, mas se não provavelmente vamos abrir outra temporada. No último dia da temporada, tivemos pessoas que voltaram para casa e não conseguiram assistir pela lotação. Como a peça é mais intimista e pede um teatro menor, uma temporada é sempre possível. Eu acho que essa história ainda precisa dar uma circulada, as pessoas precisam conhecer. E agora que voltamos com sete indicações e três prêmios do festival, gera uma curiosidade, então provavelmente tem uma temporada para esse semestre ainda.

 -  Como foi o momento da premiação?

Liane – Eu estava muito ansiosa esperando a nossa vez e o apresentador ia falando sobre as outras peças e eu dizia: ‘Anda logo, anda logo! Chega a nossa vez! ’ Quando anunciaram o prêmio de melhor atriz, eu subi no palco com o coração pulando, tirei foto, abracei o apresentador e pedi para falar no microfone e disse que todos são grandes diretores, atores, atrizes e que todos ganharam, todos ganhamos e agradeci demais a todos.

Para acompanhar os projetos do grupo, basta curtir a página deles no Facebook, Poetizar – Coletivo Teatral e seguir as novidades.

O Portal de Jornalismo entrevistou diretor e atriz de Meu Precioso Cabaré

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