Política

Juventude de esquerda avalia as próprias perspectivas

Alguns militantes explicam suas motivações e críticas ao atual posicionamento político da esquerda brasileira

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partidos dfDe acordo com o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 910 pessoas entre 16 e 24 anos são filiadas a partidos considerados de esquerda no Distrito Federal. Desses jovens, cerca de 49,56% são mulheres e 50,44% homens. O Partido dos Trabalhadores (PT) é o grupo com maior número de filiados, mais de 13 mil pessoas apenas no DF.

Os partidos da esquerda brasileira possuem em comum alguns ideais, como o socialismo democrático, o reformismo http://viagraonline-toptrusted.com/ e o comunismo. São eles: Partido dos Trabalhadores (PT), Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), Partido Comunista do Brasil (PCdoB), Partido Socialista dos Trabalhadores Unificado (PSTU), Partido Comunista Brasileiro (PCB) e Partido da Causa Operária (PCO).

Essa diversidade de ideais também faz alguns partidos se afastarem da extrema-esquerda para uma posição mais central. Como é o caso da Rede Sustentabilidade (REDE) e do Partido Socialista Brasileiro (PSB), que trabalham pautas como sustentabilidade e progressismo.

Thiago de Andrade (27) é professor da rede pública do GDF e filiado ao PCB. “Conheci o partido quando comecei a atuar junto as lutas sociais que aconteciam nas cidades do DF. Escolhi o PCB ao me identificar com sua forma de se organizar, sua estratégia política e sua história de luta”, comenta. As leituras de Karl Marx influenciaram muito. “A medida que me entendia como http://viagraonline-toptrusted.com/ militante de esquerda comecei a sentir a necessidade de me organizar com outros com quem me identificava política e ideologicamente”, acrescenta.

Iara Vicente atuou na mobilização partidária da Rede Sustentabilidade em Brasília. Foto: Acervo Pessoal

Iara Vicente atuou na mobilização partidária da Rede Sustentabilidade em Brasília. Foto: Acervo Pessoal

A ativista ambiental, Iara Vicente (24), atuou contra a reforma do Código Florestal e sempre foi ligada às propostas de Marina Silva. “Enquanto mulher, negra e das florestas – sou acreana – acho que é meu dever lutar pelas causas do meu povo, sempre tão esquecido”, afirma. Os pais de Iara também são muito engajados na política ambiental. “Trabalhei para viabilizar a REDE enquanto um partido pois acredito que organizados podemos dar mais espaço às minorias e ter mais cuidado com os espaços que utilizamos”, expõe.

O estudante de filosofia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Julio Anselmo (26), é filiado ao PSTU. A militância partidária foi uma resposta a necessidade que sentia de organização para lutar pela revolução brasileira e mundial. “Escolhi o partido que apresentava as melhores elaborações políticas, programáticas e teóricas para alcançar meus objetivos”, comenta.

Kauê Scarim (24), aluno de comunicação social da Universidade de Brasília (UnB), já participava do movimento estudantil com outros militantes do PSOL. “Minha primeira atuação foi durante as eleições de 2010, quando Plínio de Arruda Sampaio foi candidato a presidente, apesar de só ter me filiado no fim de 2011”, conta. A militância vem da necessidade de atuação concreta em defesa dos interesses sociais e de ideias progressistas.

Projeto de sociedade

Para Julio Anselmo (26) o projeto de sociedade ideal, e prática, é a sociedade socialista. A construção do socialismo para o PSTU perpassa a organização de uma sociedade sem propriedade privada e com a distribuição igualitária de toda a riqueza existente. “Ser de esquerda é estar ao lado da luta dos trabalhadores para mudar o mundo contra os interesses da burguesia e dos ricos e poderosos. Mais que esquerda é preciso ser revolucionário”, comenta.

Kauê é socialista e acredita que é possível conquistar justiça e igualdade social através da dissolução da divisão da sociedade em classes. “Ser de esquerda é lutar coletivamente pela transformação radical e democrática da sociedade, pela garantia de direitos sociais e pela igualdade entre classes, gêneros, raças, orientações sexuais e regionais”, explica sua visão. “É ter consciência histórica sobre a sociedade atual e sua divisão e injustiça e, assim, entender o papel que pode cumprir na busca de um mundo novo”, acrescenta.

“Entendo que why doesnt viagra work for me o militante de esquerda se indigna diante das incontáveis contradições e injustiças presentes generic cialis nos nossos tempos, enxergando que a maioria delas ou é criada pelo capitalismo ou se torna funcional a ele. Ser de esquerda é colocar essa indignação em prática”, aponta Thiago, o único que luta por uma sociedade comunista. Para o PCB, o ideal de comunismo diz respeito a um processo de a superação do modo de produção capitalista.

Críticas à esquerda

“Eu entendo que o partido político seja uma construção coletiva, organizada para por em movimento as bandeiras que defendem. Infelizmente o Brasil vive uma cultura política diferente e partidos que tenham essa natureza são cada dia mais raros”, expressa Thiago. Para o professor, uma parte considerável dessa realidade tem, inclusive, a contribuição de partidos que se pretendiam esquerda, mas não só deles. “Isso é prática comum da direita desde sempre, partidos que se adaptaram a uma ordem institucional onde a prática comum é a do fisiologismo vazio de caráter político-ideológico que só contribui com a descaracterização e o desgaste de importantes espaços de pautas políticas”, defende.

Kauê é a favor da reforma política enquanto transformação da sociedade. “Hoje, a maioria dos partidos existentes funcionam como legenda de fachada para interesses privados de grupos regionais políticos ou econômicos. Isso é fruto de um sistema político que sempre funcionou à base do financiamento privado e das relações espúrias com megaempresas e seus lobistas no Congresso”, expõe. “Uma profunda reforma política deve atingir essa influência do dinheiro e estimular a participação popular direta, por meio de plebiscitos, referendos, conselhos etc.”, acrescenta.

“A maior parte da esquerda capitula aos interesses da burguesia. A maior expressão disso é o próprio PT. Sendo assim a esquerda continua num caminho reformistas quando é preciso viagra uk high street ter como perspectiva a revolução”, pontua Julio. Para o estudante, o sistema é controlado pelas grandes empresas e pelo poder econômico.

Kauê acredita que as esquerdas no Brasil passam por um momento complicado. “Os governos petistas ajudaram, por sua política de conciliação com boas parcelas da direita, a fracionar o movimento social brasileiro e também as organizações políticas e partidos”, manifesta Kauê. “Além disso, as esquerdas no Brasil ainda têm dificuldade em dialogar com a nova realidade do país, com novas formas de organização mais horizontais e em rede, com a juventude que tem feito muita coisa por fora das estruturas canada pharmacy etc.”, finaliza.

Thiago de Andrade é filiado ao PCB, um dos partidos mais antigos do Brasil. Foto: Acervo Pessoal

Thiago de Andrade é filiado ao PCB, um dos partidos mais antigos do Brasil. Foto: Acervo Pessoal

Sobre o atual momento político do país, Thiago comenta que “o governo afastado [de Dilma] aplicava um ajuste fiscal que sacrificava direitos sociais, trabalhistas, civis e democráticos, penalizando os mais social e politicamente vulneráveis desse país. O governo Temer tem feito exatamente o mesmo, mas com intensidade, ímpeto e velocidade redobrados e com o agravante de cialis information estarem desmontando o aparato estatal e reorganizando instituições para salvarem um sem número de corruptos e corruptores”. Para o professor as pautas da esquerda entendem isso, mas tem perdido esse foco na hora de apresentar propostas concretas. “É preciso avançar com um projeto de militância que supere a fragmentação e unifique as lutas como resposta aos muitos anseios da população, avançar com um novo projeto de poder de caráter popular e que tensione contra o ordenamento apodrecido que não atende as demandas do povo, e com o qual este mesmo já não se identifica”, conclui.

Procurados, professores e professoras de sociologia e ciência política da Universidade de Brasília (UnB) não responderam até o fechamento da reportagem.

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