Saúde

Mulheres apostam na ingestão de cápsulas de placenta no pós-parto

Apesar de não haver confirmação científica quanto aos benefícios, há relatos de aumento na produção de leite e diminuição da instabilidade emocional

Tags:
#Cápsulas #placenta Brasília DF IESB Luz de Candeeiro mulheres preconceito Saúde

Uma série de mamíferos comem a placenta após o nascimento do filhote. Entre os humanos, no entanto, as mulheres que decidem ingerir o órgão são alvo de preconceito. A produção das cápsulas, com doses da placenta em pó, é uma maneira de absorver os nutrientes armazenados durante a gestação.   Embora não existiram evidências científicas quanto aos benefícios das cápsulas, há muitos relatos positivos de mulheres que decidiram tomá-las. “Existem estudos quanto à satisfação das mulheres que usaram a placenta no pós-parto. Elas contam que sentem três coisas: aumento na produção de leite, diminuição da instabilidade emocional e muita energia para fazer as coisas, que a gente atribui a uma possível reabsorção do ferro na placenta”, relata a enfermeira obstétrica Ana Cyntia Baraldi.

Ana montou a equipe Luz de Candeeiro, em parceria com a também enfermeira Iara Silveira, em 2012. Além de realizarem partos domiciliares, elas oferece serviço de encapsulamento de placenta. O processo  é feito a partir da trituração da placenta. Após a retirada do cordão umbilical e da bolsa de água, o órgão passa por um processo de vaporização, desidratação e trituração – fase em que a placenta se reduz a pó. Tudo isso dura entre dois e três dias até serem entregues as cápsulas.  Segundo a enfermeira, o numero de cápsulas é proporcional ao tamanho da placenta. “Uma placenta pequena gera em torno de 90 cápsulas, e uma grande gera 170 cápsulas. Mas a média produzida, que são as placentas de bebês de três quilos, são 120 cápsulas”, explica.

Carla Zanetti, 35, tomou as cápsulas que geraram maior produção de leite.

Carla Zanetti, 35, tomou as cápsulas que geraram maior produção de leite.

A servidora pública Carla Zanetti, 35, gestante há seis meses, descobriu a possibilidade de encapsular a placenta durante a tentativa de parto domiciliar da filha de um ano.“Conversei com a equipe [obstétrica] e o encapsulamento era uma opção. Li a respeito, conheci algumas mulheres que fizeram, e decidi fazer também”, conta. Segundo ela, houve problemas na amamentação e perda de energia, que foram solucionados por meio da ingestão da placenta durante três meses. “Melhorou minha produção de leite, e eu senti uma disposição física maior”, diz. Em função dos efeitos positivos, Carla pretende repetir o método no próximo parto.

Raissa Vianna, 26, tomou as cápsulas durante um ano e meio, após o empedramento do leite materno.

Raissa Vianna, 26, tomou as cápsulas durante um ano e meio, após o empedramento do leite materno.

A social media Raissa Vianna, 26, tomou as cápsulas durante um ano e meio. Após o parto, ela desenvolveu mastite, inflamação da glândula mamária, o que causou o empedramento do leite. Segundo ela, as cápsulas ajudaram no processo de cura da inflamação. “Eu não tomei nada além das cápsulas, e elas me ajudaram bastante no tratamento”, disse. O equilíbrio emocional e hormonal foram alguns dos benefícios apontados por ela. “Eu fiquei com o nível de ocitocina alto [hormônio do afeto], por isso não tive depressão pós-parto. Muito pelo contrario, fiquei muito feliz depois do parto”, diz. Raissa conta que sofreu preconceito quando decidiu ingerir a placenta. “Eu participava de um grupo de gestantes, e lá eu era a única “hippie” que queria ter o parto em casa. Quando falei que iria encapsular a placenta, fui chamada de comedora de placenta”, relata.

 

Segundo Ana Cyntia, o preconceito existe porque ingerir a placenta não faz parte da cultura brasileira. Ela afirma que em outros países essa prática é realizada há muitos anos. “Existem alguns rituais, no mundo todo, que as famílias consomem a placenta. Então, existem varias crenças e costumes que são hostilizados quando a gente vive numa sociedade que respeita muito pouco a autonomia das pessoas”, explica.

Notice: Tema sem comments.php está obsoleto desde a versão 3.0 sem nenhuma alternativa disponível. Inclua um modelo comments.php em seu tema. in /var/www/publicacao/jornalismo/site-root/wp-includes/functions.php on line 2957

Deixe uma resposta

Cultura
O taxidermista César Leão em seu ambiente de trabalho Brasília conta com dois museus de taxidermia
Ciência e Tecnologia
Telescópio do Planetário de Brasília Descubra qual a possibilidade de um meteoro atingir a Terra
Esporte
IMG_4988 Distrito Federal pode ser representado no skate na próxima Olimpíada

Mais lidas