Ciência e Tecnologia

Tecnologia assistiva ajuda a melhorar a qualidade de vida de pessoas com deficiência

Produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços dão mais autonomia e promovem a inclusão social

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O termo tecnologia assistiva, criado em 1988 nos Estados Unidos, ainda gera estranhamento nas pessoas que não possuem deficiência física. De acordo com a Portaria nº 142/2006 do Comitê de Ajudas Técnicas, tecnologia assistiva é uma área do conhecimento, de característica interdisciplinar, que engloba produtos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que objetivam promover a funcionalidade, relacionada à atividade e participação de pessoas com deficiência, incapacidades ou mobilidade reduzida, visando sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social.

A Agência Brasileira de Inovação Finep, por meio do Programa Nacional de Inovação em Tecnologia Assistiva do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, disponibiliza recursos para universidades, institutos de pesquisas ou empresas que desenvolvem pesquisas de inovação na área com possibilidade de aplicação no mercado. São duas as linhas que financiam inovação, sendo uma em tecnologia assistiva em geral e outra específica para o desenvolvimento de equipamentos de treinamento e prática de esportes paraolímpicos.

O Banco do Brasil também financia produtos de tecnologia assistiva, como cadeiras de rodas, aparelhos auditivos, órteses, próteses, andadores e adaptações em imóvel residencial. Para ter acesso ao Crédito Acessibilidade, o correntista do banco deve ter limite de crédito disponível e renda máxima de até dez salários mínimos.

 

Linha Braille: gadjet que transforma tudo que tem na tela do computador ou celular em pontinhos do Braille / Foto: Arquivo pessoal

Linha Braille: gadjet que transforma tudo que tem na tela do computador ou celular em pontinhos do Braille (Foto: Arquivo pessoal)

A estudante Andressa Batista, 26, é deficiente visual e financiou o gadjet Display Braille (ou Linha Braille) por meio do BB. O aparelho transforma tudo que tem na tela do computador ou celular em pontinhos do Braille. “A linha Braille também pode ser usada via bluetooth e de forma autônoma com cartão de memória”. O modelo que Andressa escolheu é o edge 40 (cabe 40 caracteres por linha), custa em média R$ 11.500 e com o financiamento saiu por R$ 12.800, em 60 meses.

 O técnico judiciário Ricardo Skrebsky Rübenich, 23, também comprou o gadjet na expectativa de auxiliar os seus estudos. “Comprei pra estudar idiomas. Estudar outro idioma apenas ouvindo não é tão eficaz quanto tocar nas palavras.” O estudante de direito trouxe o display dos Estados Unidos. Ricardo, no entanto, optou por um modelo mais econômico, que custou em torno de R$ 4.740.

 Acessibilidade em computadores e celulares

Ricardo Rübenich também utiliza um software para auxiliar no estudo e no trabalho. Trata-se do Leitor de Tela NVDA (Acesso não Visual ao Ambiente de Trabalho, traduzido do inglês). “Um texto em PDF que é acessível para uma pessoa que enxerga é acessível de igual forma para mim”, explica. O software é gratuito para Windows, basta acessar a  página https://www.nvaccess.org/files/nvda/snapshots/.

O técnico judiciário Ricardo Rübenich utiliza Leitor de Tela para auxiliar no estudo e no trabalho

O técnico judiciário Ricardo Rübenich utiliza Leitor de Tela para auxiliar no estudo e no trabalho

Já o Talkback é um aplicativo de acessibilidade para Android, que ajuda pessoas com deficiência visual a selecionarem as opções do celular. A função oferece suporte de voz a quem tem baixa ou perda total de visão. O aplicativo fala em voz alta cada operação realizada no aparelho. A fala vem junto com a vibração, indicando que a operação foi feita com sucesso. Ricardo utiliza o recurso VoiceOver, que é para sistema operacional IOS, do iPhone, e tem a mesma funcionalidade que o Talkback.

Acessibilidade em mobilidade urbana

Em Brasília, a empresa Acesso Ágil oferece o serviço de transporte para cadeirantes. Os carros são adaptados para facilitar o transporte e permitem que o passageiro fique acomodado na própria cadeira de rodas durante o embarque e desembarque, realizado por uma rampa com baixa inclinação que proporciona maior segurança e conforto para o passageiro cadeirante.

A produtora de eventos Diolice Barbosa, 28, de São Paulo, é cadeirante. Ela veio a Brasília realizar um tratamento médico, precisou de transporte mais prático para sua estadia aqui  e conheceu o serviço da empresa. “É prático. Você não tem o incômodo de alguém estar te pegando no colo para colocar dentro do carro.”

Também há tecnologia para usuários de ônibus em Brasília. O Moovit é um aplicativo gratuito de mobilidade urbana. A ferramenta está disponível na capital há pouco mais de um ano e monitora mais de 900 linhas de ônibus e metrô. Por meio do app, os usuários de transporte público podem planejar seu trajeto e diminuir o tempo de espera nos pontos e estações. O que facilita a mobilidade de cadeirantes, deficientes auditivos e visuais.

Ao combinar dados fornecidos pelas empresas de ônibus e com a colaboração em tempo real dos usuários, o Moovit disponibiliza informações atualizadas de horários e linhas de ônibus, além de serviços de alertas relevantes que podem afetar a viagem dos passageiros.

Alunos do curso de engenharia elétrica da Unb ensinam programação para deficientes auditivos

Projeto social de alunos da UnB deve ser implantado em escolas públicas em 2018

Programação de computadores para deficientes auditivos

 As alunas do curso de engenharia elétrica da Universidade de Brasília (UnB) Thais Sousa Cruz, 18, e Micaele Laurindo, 19, são coordenadoras do projeto social Signal, que consiste em ensinar programação de computadores para alunos com deficiência auditiva. A iniciativa está ligada à Sociedade de Implicações Sociais da Tecnologia (SSIT/IEEE) e surgiu da preocupação com o impacto da tecnologia no mundo e como suas aplicações podem melhorar a sociedade. O Signal visa proporcionar à comunidade surda a possibilidade de desenvolver tecnologia para solucionar os próprios aplicativos.

Inicialmente, as alunas fizeram uma seleção para conseguir voluntários entre os alunos da UnB. Esses estudantes estão em processo de capacitação com curso de Libras e workshops voltados para a inserção na comunidade surda. “No próximo semestre, nós iremos ensinar programação para os alunos deficientes auditivos do Departamento de Psicologia da universidade. A expectativa é para que no próximo ano o projeto já esteja implantado nas escolas públicas do Distrito Federal”, explica uma das coordenadoras.

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