Cultura

Circa Brasilina transforma as mulheres em estrelas do picadeiro

Em busca de espaço e protagonismo no circo, palhaças criam a Circa, uma lona só para mulheres

Com o objetivo de ter o protagonismo feminino, a Circa Brasilina – Lona Multicultural foi criada em 2011 pela atriz e palhaça Manuela Castelo Branco. De acordo com a idealizadora, o projeto foi um desdobramento do festival “Encontro de Palhaças”, que começou a ser realizado no ano de 2008. “Quando comecei, as mulheres não tinham o espaço que têm hoje no picadeiro”, explica.

Tentando conquistar esse espaço Manu, como é chamada, explica que mesmo com o avanço das mulheres, essa área ainda é restrita. “Até hoje o nosso espaço é restrito, não temos muita visibilidade dentro dos grandes festivais, mas o nosso trabalho já é bastante reconhecido. É impossível negar a revolução que as palhaças vêm fazendo nos últimos anos”.

Manuela Castelo Branco, criadora da Circa Brasilina - Lona Multicultural.

Manuela Castelo Branco, criadora da Circa Brasilina – Lona Multicultural.

Manuela explica que atualmente a Circa não tem mais um espaço físico, mas não escondeu a emoção de quando morou em um trailer. “Hoje não temos mais esse espaço, mas tivemos durante um ano um local alugado na BR 020. Ficamos um ano ali, morando em um trailer. Foi muito importante pra mim e para todas as outras palhaças que participam do projeto”.

Atualmente a Circa é um circo itinerante, onde apenas mulheres se apresentam.

 Perfil das palhaças

Com uma perspectiva diferenciada dos palhaços, a Circa realizou um mapeamento dentro de Brasília, com a finalidade de analisar os perfis das palhaças. “Percebemos que a maioria das mulheres eram palhaças de hospital. Outras realizavam espetáculos em teatro, em carreira solo, e uma porcentagem mínima conseguia trabalhar no circo, no picadeiro, que é a verdadeira origem do palhaço”, explica Manuela.

Manu interpretando sua palhaça, a Matusquella

Manu interpretando sua palhaça, a Matusquella.

Manuela ainda explica que o picadeiro não é a origem da palhaça. “A origem da palhaça está mais ligada ao circo contemporâneo e ao teatro. Ela é diferente, ela muda, ela não tem aquelas coisas que o palhaço tem. Nós já nascemos dentro de uma perspectiva de rir de nós mesmo, é algo mais pessoal, diferente de um palhaço de circo”.

Na ambição pelo circo, a autora do projeto entende que o picadeiro era a fronteira final. “Eu queria uma oportunidade para mim e para as outras nesse espaço, por isso que a Circa Brasilina foi criada, para tentar chegar e ocupar esse território”, declara.

A palhaça Ferrugem, interpretada por Luzia de Medeiros, entende que teve três nascimento. “Eu tive o meu primeiro nascimento, onde nasci Luzia. O segundo, quando descobri que era atriz, então nasceu a Gena Leão, e o meu terceiro nascimento, que foi quando eu criei a minha palhaça Ferrugem. Então são três nascimentos e três pessoas em uma só”, explica.

Ela ainda explica que veio do teatro, e que daí veio a palhaça. “Vim do teatro, e uma vez fiz  um teste onde o diretor me escolheu, juntamente com outras duas mulheres, e nós três interpretamos palhaças. Depois, para fazer a peça, eu fui pesquisar a linguagem das palhaças no circo, ficava um tempo lá em contato com os palhaços e quando terminou o curso eu quis essa profissão, porque eu tinha amado aquilo”, declara Ferrugem.

 Ferrugem ainda explicou como foi quando decidiu ser a palhaça. “Eu descobri que era aquilo que eu queria, que eu não queria ser atriz, que eu não queria interpretar outros personagens, eu não era a princesa e não queria fazer a rainha ou uma criança. Eu queria ser a palhaça”, finaliza.

A palhaça feminista

Vencedora do prêmio Igualdade de Gênero 2017, da Secretaria de Cultura do Distrito Federal, Manuela afirma que a Circa acompanhou as três ondas do feminismo.  “Nem toda palhaça é feminista, mas precisamos deixar claro que nós participamos do três momentos do feminismo.” Manuela explica que no primeiro momento as mulheres buscaram uma questão de igualdade. “Nós nos travestíamos de palhaços, usamos ternos e roupas masculinas, pois queríamos ser igual  a eles. Tínhamos essa questão de igualdade”.

Na segunda fase, Manu afirma que a busca foi pela equidade. “Essa busca foi para explicar que nós somos diferentes, mas temos a mesma importância. Nessa fase nós éramos as mulheres, mas apesar do nosso discurso ser de uma mulher, ele ainda era aquele que buscava uma igualdade entre os sexos”.

E a terceira fase é a atual. “É a que estamos hoje, essa é aquela ‘seja o que você quiser’”, finaliza.

Palhaças do mundo

A produtora e atriz Tatiana Cavalheiro explica que a Circa acabou de lançar a primeira temporada do seriado “Palhaças do mundo”, com a presença de palhaças brasileiras e estrangeiras respondendo a quatro perguntas. “No seriado, com 12 episódios, nós fazemos as seguintes perguntas: O que tem dentro da sua mala? Para onde a sua mala de palhaça já te levou? O que tem atrás do seu nariz vermelho e de onde vocês vieram? Através dessas perguntas, nós montamos o conteúdo do trabalho”.

Tatiana Cavalheiro, produtora e atriz. Produziu junto com Manu a série Palhaças do Mundo.

Tatiana Cavalheiro, produtora e atriz. Produziu junto com Manu a série Palhaças do Mundo.

 A produtora ainda explica que apesar dos outros projetos, como o Pipocando Poesia e o Circa Acústica, o grande projeto do momento da Circa é o seriado, que já tem previsão de uma nova temporada, que deve estrear em 2018.  Além disso, a produtora afirma que está sendo fechada uma parceria com o Sesc para a exibição do seriado.

Os episódios também estão disponíveis no YouTube, no canal Palhaças do Mundo. “Para acessar a primeira temporada, basta entrar no nosso canal no YouTube que todos os nossos vídeos já estão lá”, finaliza Tatiana.

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