Economia

Amigos fazem consórcio para driblar crise

Taxas variam entre R$ 2 e R$ 3 sobre o valor combinado, enquanto bancos cobram de 10% a 15% pela administração; economista alerta para riscos de modalidade informal

Tags:
#consórcio crise

Com a atual crise financeira do país, o consórcio está sendo cada vez mais procurado. Seja através de um banco ou entre amigos, a modalidade vem ajudando as pessoas a se livrarem das dívidas ou adquirirem um bem específico. O consórcio entre amigos existe há muitos anos e acaba sendo mais simples e com juros menores do que o bancário. Mas é necessário tomar alguns cuidados com essa modalidade informal, explica o economista César Bergo. “É preciso ficar atento e participar com pessoas de confiança. É importante que haja garantias, como número de CPF e endereço dos participantes. Mas a ação entre amigos acaba sendo mais vantajosa, pois o banco gera uma taxa de administração que vai de 10% a 15% sob o valor combinado”, afirma César.

A cuidadora de idosos Daniele Oliveira reuniu pela segunda vez um grupo de 11 amigos e montou um consórcio entre eles. Cada participante escolhe um mês para receber a quantia combinada, e paga durante 11 meses o valor de R$100 mais taxa de R$2 reajustada mensalmente. A primeira parcela, por exemplo, ficou R$102, a segunda R$104, a terceira R$106,00 e assim sucessivamente.

Daniele faz o controle do consórcio através de anotações e nota promissória

Daniele faz o controle do consórcio através de anotações e nota promissória

A ideia surgiu quando Daniele precisava pagar algumas contas e então reuniu pessoas, que, segundo ela, precisavam economizar, pagar contas, tirar carteira de motorista e até viajar. Todos do grupo que já foram contemplados fizeram algo em benefício próprio e alegaram que o dinheiro veio na hora certa. O controle do consórcio é feito por nota promissória, mas nunca aconteceu de alguém deixar de pagar. “Quem já foi contemplado, precisa continuar pagando as mensalidades, é uma obrigatoriedade, assim como se paga outras contas”, disse Daniele.

O técnico em enfermagem Adão Eder Silva já participou de cinco consórcios e afirma que é uma ótima saída para quitar as dívidas. “Sempre faço planos com o dinheiro, mas, infelizmente, às vezes acontecem imprevistos e a quantia toma outro rumo”. Adão disse que por sempre participar com pessoas de confiança, nunca levou calote, o máximo que aconteceu foram atrasos no pagamento do mês de recebimento.

Além de consórcios domésticos que incluem premiações em espécie, outros tipos também são comuns, como de automóveis, produtos de beleza e até peças para o lar. Atualmente, a funcionária pública Jucilene Leite participa de um desses consórcios, organizado pelo salão de beleza que ela frequenta. São doze pessoas que pagam R$50 por mês, e depois recebem R$500 reais em produtos para o lar da própria escolha. Esse é o terceiro consórcio que Jucilene participa e ela diz não ter medo de ficar sem receber as mercadorias. “Nosso consórcio não tem nota promissória. É na base da confiança mesmo, e não tenho medo de levar calote porque são pessoas conhecidas. Frequento o salão há muitos anos”, conta Jucilene.

Apesar de ser proibida pela legislação, as iniciativas do gênero ocorrem de forma livre sem fiscalização. “Mesmo sendo com amigos, a legislação proíbe a atividade, pois não existem garantias de pagamento. Já o consórcio feito através de um banco fornece todas as garantias que o contratante necessita”, explica o economista César Bergo.

    Deixe uma resposta

    Esporte
    Em média, a iniciativa recebe 70 alunos por dia Embaixada da Índia oferece aulas gratuitas de ioga
    Comportamento
    05 Crença em horóscopos pode causar despersonalização
    Cultura
    06 Dance hall é um estilo que ajuda a contar a história da Jamaica

    Mais lidas