Economia

Trabalhadores mudam endereço para conquistar vagas

Valor gasto com passagens, que pode chegar a 20 reais por dia, leva alguns a optarem por informar local de residência de amigos e familiares para garantir emprego

Quem mora no entorno e trabalha em Brasília, sabe bem as dificuldades diárias com gastos de passagem. Muitos têm medo de perder o emprego devido ao valor do vale transporte que deve ser repassado pelo empregador.  “Temos que optar, ou a gente consegue a passagem barata ou não conseguimos um emprego aqui no Plano Piloto”, afirma a cuidadora de idosos Vânia Fernandes da Silva, 42 anos. A moradora de Planaltina de Goiás já chegou a gastar 20 reais por dia com o transporte. A passagem de Planaltina para Brasília custa R$ 6,45 e ela ainda necessita de um segundo transporte que sai por R$ 3,50. “Eu não falei que a passagem aumentou, continuei recebendo o valor de 5,50 que eu recebia antes, porque se não eu ficaria desempregada”, finalizou Vânia.

O economista Daniel dos Passos Soares destaca que o DF tem uma das passagens mais caras do país. Para ele os constantes aumentos contribuem para o desemprego dos moradores do entorno, que já chega a 18,4%. “Essa política gerou na verdade foi aumento do desemprego, queda da renda do trabalhador, inflação, uma vez que desencadeia o repasse do reajuste ao preço final do produto ou serviço, e, por conseguinte aprofundamento da recessão econômica”.

Este é o caso da desempregada Paulicéia Dantas do Nascimento, 23 anos. Ela procura trabalho há quase dois anos, mas as justificativas são as mesmas. “Em quase todas as entrevistas que eu fui, eles questionavam o valor da passagem, e mesmo gostando da entrevista, deixavam a esperança de ligar depois, mas não ligavam”, concluiu. Alguns buscam alternativas para driblar os valores. A atendente Anaralir Silva de Sá, 22, que mora em Águas Lindas, pagava diariamente R$ 6,10 por rota. Por ter que pegar dois ônibus para chegar ao local de trabalho, passou a ir de carona. “Eu trabalhando no Sudoeste ficava muito ruim de pegar o ônibus daqui para lá, então se eu fosse para a rodoviária e depois pegar outro ônibus, a passagem ficaria mais cara ainda, então eu optava para meu marido me levar, por que eu conseguiria economizar”, afirmou ela.

De acordo com a lei, o empregador e o empregado devem dividir os gastos com o vale transporte, sendo que, do trabalhador serão descontados 6%, e o restante deve ser pago pelo patrão. De acordo com uma pesquisa realizada em 2016 pelo Sedestmidh, Codeplan e Dieese, o número de desempregados já chegava a 290 mil nesse ano, e hoje o numero já ultrapassa 300 mil. O economista Daniel Passos destaca que o aumento do valor do vale transporte faz com que o número de desempregados cresça prejudicando ainda mais os cidadãos.

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