Meio Ambiente

Desativação do Lixão da Estrutural está com data marcada

Previsto para outubro de 2017 a iniciativa será um ganho ambiental e social para a população; segundo o SLU o trabalho de monitoramento ambiental vai durar cerca de três décadas

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Com o título de maior lixão a céu aberto da América Latina, o Lixão da Estrutural recebe milhares de toneladas de lixo todos os dias. A área está sendo desativada aos poucos, mas já tem data para seu fechamento: outubro de 2017. Mesmo com seu fim, será necessário um longo trabalho ambiental para corrigir os malfeitos da má gestão de resíduos. A montanha de lixo já passa de 40 metros de altura.  O trabalho de monitoramento ambiental vai durar cerca de três décadas segundo o Serviço de Limpeza Urbana do Distrito Federal (SLU).

O lixão fica ao lado do Parque Nacional de Brasília, reserva ecológica com mais 40 mil hectares e bacias que fornecem cerca de 25% da água do DF. Ele existe desde a década de 60. Segundo Gustavo Salgado, especialista ambiental da Universidade de Brasília, o aterro traz grandes problemas ambientais. “Ele causa sérios problemas ao meio ambiente, no solo, na água e no ar”. O especialista explica que um deles é a enorme quantidade de chorume produzido no local, um líquido poluente que é 120 vezes mais nocivo que o esgoto doméstico. “Este líquido vai para o solo e começa a prejudicar a qualidade das águas subterrâneas, o lençol freático, etc”.

“Brasília é uma cidade que comporta o título de capital da Republica, e deveria dar o exemplo pro resto do país. Ostenta o título de Patrimônio Cultural da Humanidade e é um péssimo exemplo na gestão de lixo”, desabafa Salgado.

Segundo Guilherme de Almeida, assessor especial da diretoria geral do SLU, “o fechamento do lixão não é um fechamento total”, não será de uma hora para outra, e sim gradativo. O encerramento, que está marcado para outubro, vai acabar com o despejo de lixo doméstico, e encerrar o trabalho dos catadores de materiais recicláveis, um marco para a cidade.  “Nós temos um dos maiores lixões do mundo e isto vai dar uma nova cara à cidade. Vamos poder dizer que não temos mais o lixão”, declara Almeida. Porém resíduos sólidos, como o da construção civil, por exemplo, ainda serão despejados no local.

Para conter impactos ambientais na área o SLU faz monitoramentos mensais para verificar a qualidade da água, por exemplo. Almeida explica que nos próximos 30 anos o governo terá de fazer avaliações e cuidados especiais na região para evitar mais impactos no local. “Todas as questões de poluição da água, solo e do ar tende a serem diminuídas até estancar todas estas contaminações”, afirma.

A população torce para que o lixão seja definitivamente desativado. A presidente da Associação dos Produtores do Núcleo Rural da Cabeceira do Valo, Nelci Costa, trabalha há 22 anos como agricultura. O Núcleo Rural da Cabeceira do Valo fica a menos de 50 metros do lixão e vê com grande avanço o fim das operações. “Estão tirando algo que há 22 anos (que trabalho aqui) prejudica”, relata Nelci.  O agricultor João Barbosa, 61 anos, conta que a saída do lixão será bastante positiva. “Traz tudo de bom, porque tem a horta aqui perto e vai acabar todos esses problemas que tem, como excesso de moscas e o perigo do chorume”. E completa: “a saída dele é nota dez para nós”.

Um problemas causado pelos maus cuidados com o lixo foi o caso da Escola Classe 1 da Estrutural. Em 2012 a escola, que fica na zona central da cidade, foi interditada por causa de uma alta concentração de gás metano. Um gás muito forte produzido pelo lixão. O Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal e a Defesa Civil constataram o vazamento, que vinha do subterrâneo. Após quatro anos a escola foi reaberta, e hoje abriga cerca de 1,1 mil alunos. Para garantir a segurança dos profissionais e alunos a Secretaria de Educação instalou um equipamento para filtragem do ar. O investimento aproximado foi de R$ 500 mil.

Lago de chorume do Lixão da Estrutural. Segundo especialistas o líquido poluente é 120 vezes mais nocivo que o esgoto doméstico

Lago de chorume do Lixão da Estrutural. Segundo especialistas o líquido poluente é 120 vezes mais nocivo que o esgoto doméstico

Transição para o novo aterro sanitário

“O nosso principal instrumento de gestão de lixo é o lixão, o que é uma vergonha do ponto de vista ambiental e social”, declara Gustavo Salgado, da UNB.  Segundo o especialista o funcionamento do novo aterro vai ser um ganho para o DF. “O aterro funcionando plenamente eliminaria a possibilidade de existir o lixão.” O aterro sanitário é um elemento tecnicamente adequado para tratar o lixo.

Cerca de três mil catadores trabalham no lixão. Com o fim das atividades o governo promete construir ou alugar galpões para reciclagem de materiais. 1,2 mil catadores de materiais recicláveis que trabalham no aterro vão receber um subsídio do governo no valor de R$360,75 por seis meses, que é o período de transição.

O prazo estipulado pela Lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos para que o lixo passasse a ser armazenado em lixões expirou em 2 de agosto de 2014. O novo aterro sanitário Oeste fica em Samambaia e funciona parcialmente.

O aterro de Samambaia foi projetado para comportar 8,13 milhões de toneladas de lixo. Apenas rejeitos serão depositados na área, e não haverá a presença de catadores, já que o material encaminhado para lá não é mais passível de reciclagem.

O subsecretário de resíduos sólidos da Secretaria do Meio Ambiente, Jorge Oliveira, conta que a pasta está coordenando um estudo com a UNB, em parceria com a CEB (Companhia Energética de Brasília), formas sustentáveis de geração de energia elétrica na região onde se encontra o Lixão da Estrutural. “É possível obter energia através da biomassa (parcela orgânica do lixo) que está acumulada ali durante anos”. O subsecretário também cita formas de aproveitamento fotovoltaico. “É possível ter painéis solares que aproveitem esta área e produza energia em paralelo com a biomassa que tem no local”. Por muitos anos não será possível realizar diversas atividades de uso humano na região, como a construção de moradias, por exemplo.

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