Turismo e Lazer

Museu guarda relíquias históricas de ex-combatentes da FEB

Associação mantém-se com recursos próprios e abriga também biblioteca com livros autorais dos pracinhas

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Manoel Pacheco não chegou a ir à Itália, mas combateu na costa brasileira em navios de guerra. Pedro Natal trabalhou na construção de Brasília e recebeu carta de próprio punho de Juscelino Kubitschek. Edgar Domingues escrevia carta todos os dias à noiva, com quem casou-se após voltar ao Brasil.

Ouvir histórias sobre os combatentes e o contexto político brasileiro nos anos do conflito mundial é uma experiência instrutiva, oportunizada a quem visita o Museu Histórico Casa Memória dos Ex-Combatentes da Segunda Guerra Mundial. O espaço pertence à Associação dos Ex-combatentes do Brasil (AECB-DF) – sede Brasília, criado na década de 1980 para preservar a memória dos soldados brasileiros que lutaram junto às forças aliadas na 2a Guerra Mundial.

Museu dos pracinhas expõe relíquias da 2a Guerra Mundial

Museu dos pracinhas expõe relíquias da 2a Guerra Mundial

No museu dos pracinhas, como são chamados os brasileiros que lutaram na 2a guerra, abrigam-se, permanentemente, relíquias históricas da participação das três Forças Armadas brasileiras no combate realizado entre 1939 e 1945. São fotografias, utensílios pessoais dos soldados, artefatos, uniformes e honrarias pós-Guerra; peças expostas nos salões da sede da AECB-DF, localizada à quadra 913 Norte, onde também está disponível à população uma biblioteca com obras dos próprios ex-combatentes.

O militar Francivaldo Carlos defende necessidade de subsídio público às associações brasileiras de ex-combatentes

O militar Francivaldo Carlos defende necessidade de subsídio público às associações brasileiras de ex-combatentes

 

O militar Francivaldo Carlos recebeu este ano do Ministério da Defesa a Medalha da Vitória. A condecoração é destinada a militares e civis que prestam relevantes serviços às associações de ex-combatentes no território brasileiro. Ele visita sempre o museu e o julga importante para a preservação histórica dos “feitos dos heróis da Nação” e defende a necessidade de recursos públicos para subsidiá-lo. “Infelizmente [o museu] é pouco reconhecido a nível nacional, principalmente entre os jovens, por isso acho necessários divulgação e incentivo. O próprio governo devia participar mais, de forma a colaborar com as despesas das associações [de ex-combatentes] em todo o território nacional”, diz.

A visita dura, em média, uma hora, e quem recebe e guia os visitantes pelos salões é a relações públicas da instituição, Laurinda Pacheco. Filha de ex-combatente, ela é uma anfitriã saudosa daqueles com quem conviveu por anos. E este é, segundo ela, um dos motivos pelos quais luta para preservar o local, hoje mantido sem qualquer subsídio público. “Tudo aqui na associação é pago com os trocadinhos dos associados, que são famílias dos pracinhas, que já morreram em sua maioria, e é também administrado por nós”, diz. Ela adianta que a sede da entidade deve ser revitalizada: “Nós temos um projeto para fazermos aqui uma área cultural, outra para assistência médica, passar o museu para o andar de cima [o prédio tem dois andares] e dinamizar isso aqui. Hoje estagiários de museologia da [Universidade de Brasília] UnB já trabalham na catalogação do nosso acervo”, afirma.

Relações públicas da AECB-DF, Laurinda Pacheco: "A instituição é mantida com recursos dos associados"

Relações públicas da AECB-DF, Laurinda Pacheco: “Recursos dos associados mantém a instituição, nosso projeto é revitalizar a associação e dinamizar o museu

 

Pacheco relata que há o esforço para manter a frequência de visitações ao museu, mas que ainda é pequena a possibilidade de receber grandes quantidades de pessoas de uma só vez, como é o caso da programação de passeios em turma por escolas. A medida será possível após se adequarem as instalações de acordo com as normas de segurança.

Segundo a diretora de Patrimônio da AECB-DF, Ester Pacheco, o imóvel está em processo de aprovação do Habite-se – documento concedido por administração pública que comprova se a construção foi edificada de acordo com as normas da legislação local. Mas a diretora lamenta a falta de recursos para as reformas, necessárias ao pleno funcionamento das atividades, inclusive a abertura diária do museu. “O Habite-se aqui é aprovado pelos bombeiros e para atendermos às normas de segurança vai nos custar cinquenta mil reais, dinheiro que estamos tentando conseguir com o governo, mas também estamos abertos a doações”, diz.

Luta por direitos

Mas, segundo Ester Pacheco, os associados quase perdem o patrimônio após denúncias sobre “desvio de função do lote” em 2008. Pacheco relata que o terreno onde se localiza sede da associação, construída na década de 1980, foi doado na década de 1960 pela Terracap (órgão Governo do Distrito Federal). Ela conta que a entidade se viu em apuros diante do pedido de devolução do imóvel. “Como Brasília é patrimônio tombado, esta área é muito valorizada e o terreno é valioso e eu não sei se é ‘pura coincidência’, mas na época do governador Arruda e vice Paulo Otávio a Terracap partiu para tomar o nosso lote na justiça e só agora saiu a sentença: ganhamos em todas as instâncias, inclusive no STJ, o lote é nosso”, comemora a diretora e esclarece que, por ser objeto de doação, o terreno não pode ser vendido, alienado ou alugado e que a obtenção de lucro só é permitida se destinado à instituição.

 

Museu dos Ex-Combatentes precisa de  adequações e doações financeiras às obras são bem-vindas

Museu dos Ex-Combatentes precisa de adequações e doações financeiras às obras são bem-vindas

A entidade promove todos os anos uma programação cultural em comemoração ao Dia da Vitória, ocorrido em 8 de maio de 1945. São 72 anos passados do dia em que as Forças dos países aliados derrotaram a Alemanha de Hitler. Dentro das festividades destaca-se a exposição de miniaturas dos veículos de guerra utilizados em combate como tanques, aviões e navios. A coleção é de propriedade do engenheiro agrônomo Fernando Silveira.

O museu vive

Para visitar o museu e utilizar a biblioteca de segunda a sexta-feira, entre 8h e 17h, é necessário agendar com Laurinda Pacheco por telefone: (61) 98321 9433. O passeio é guiado e dura, em média, uma hora. O endereço é: Setor de Grandes Áreas Norte (SGAN), quadra 913, conjunto F, Edifício Sede, Asa Norte, Brasília – DF. O local possui estacionamento amplo.

 

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