Meio Ambiente

Abelhas sem ferrão ajudam a preservar ecossistemas

Responsáveis por realizar a polinização em ambientes naturais, insetos exercem um papel importante na manutenção da biodiversidade brasileira

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Facilidade no manejo, baixo custo de produção e alto valor agregado, esses são os principais atrativos da meliponicultura, nome dado à criação de abelhas sem ferrão. Uma das vantagens do cultivo de meliponas é o grande número de espécies presentes nas diversas regiões do Brasil, o que abre portas para a produção em todo o território nacional. Pesquisador da Embrapa Amazônia Oriental em Belém, o entomologista Cristiano Menezes afirma que a meliponicultura é uma atividade benéfica ao meio ambiente, pois ajuda na manutenção da população natural da espécie e, consequentemente, com a reprodução das plantas “Sem o serviço de polinização prestado pelas meliponas, grande parte da flora teria sua produção de frutos e sementes comprometida, isso afetaria diretamente a reprodução das plantas, bem como dos animais que dependem dos frutos e sementes para se alimentar”.

A prática ainda é um mercado em crescimento no país, mas possui grande potencial de crescimento. “Os meliponíneos possuem uma grande importância no ecossistema brasileiro. Essas abelhas são as principais responsáveis pela polinização de grande maioria das espécies vegetais do nosso país. Além disso, seus produtos são utilizados pela população rural como medicamentos”, conta o meliponicultor e diretor administrativo da Associação de Meliponicultores do Distrito Federal (AMe-DF), Luiz Eduardo Ambrozio.

O Brasil conta com aproximadamente 200 espécies de abelhas pertencentes à tribo Meliponini, que apesar de serem popularmente chamadas de abelhas sem ferrão possuem o órgão defensivo atrofiado, impossibilitando o uso. As mais conhecidas, como a jataí, mandaçaia, manduri, mandaguari e uruçu, constroem ninhos em cavidades existentes em troncos de árvores. Outras utilizam formigueiros e cupinzeiros abandonados ou constroem ninhos aéreos presos a galhos ou paredes.

Segundo Ambrozio, cada espécie tem o seu ciclo de vida, com algumas variações na longevidade. “Para um valor de referência das operárias, podemos ter algo em torno de 40 dias para emergirem como adultas, a partir da postura do ovo, e 50 dias como adultas”, diz. “Já a rainha, dependendo da espécie, tem uma vida média de um  a três anos”, conclui.

A quantidade de mel produzido está relacionada à espécie e ao meio ambiente em que o enxame está inserido, portanto produzem desde uma colher de chá (mirim preguiça) a cerca de dois a três litros (uruçu) por ano. Devido à pequena produção e à grande procura no mercado, o mel produzido pelas meliponas pode custar de quatro a oito vezes o valor do comum, dependendo da espécie e região de onde é vendido. Segundo a Associação Brasileira de Estudos das Abelhas, o da jataí atinge preços que variam de R$ 40 a R$ 80 o litro, para o produtor, e de R$ 80 a R$ 120 para o consumidor.

Por não possuir ferrão, as abelhas meliponini não apresentam risco e podem ser criadas em qualquer ambiente. Contanto que tenham acesso a áreas livres, as instalações são simples e só exigem abrigo do sol intenso e de chuvas. O enxame pode ser adquirido por captura com iscas ou pela compra de algum meliponário, é proibido retirar enxames da natureza.

Já o manejo depende muito do interesse do criador. Se o objetivo é produzir mel para consumo próprio, é mais simples. “As colônias precisarão ser inspecionadas no máximo uma vez por mês e alimentadas durante os períodos de escassez de alimento. Se o objetivo for a produção de mel para fins comerciais ou a venda de colônias-filhas, o manejo e as inspeções serão bem mais intensificadas, praticamente semanal ou quinzenal”, declara Menezes.

É aconselhável que a atividade seja implementada de forma gradativa para não correr o risco de ter altos prejuízos. No entanto, há alguns criadores que conseguiram superar as barreiras burocráticas e já conseguem obter renda com a venda de mel e de colônias. Para se aprender as técnicas é recomendado fazer um curso básico de meliponicultura. Em Brasília há alguns disponíveis, mas devido à alta procura por eles, as turmas logo são preenchidas.

Potencial financeiro

Apesar de ser um setor extremamente viável, sustentável e com enorme potencial, o retorno financeiro ainda é incerto, pois a atividade é recente e carece de regulamentações que a favoreçam por parte do governo. O Ministério da Agricultura reconhece a classificação “mel de espécie nativa”, mas ainda não estabeleceu padrões de identidade que reconheçam os tipos de abelhas e as características singulares de cada mel.

Cristiano reconhece que dificilmente as abelhas sem ferrão irão produzir volume suficiente para suprir a demanda pelo mel convencional. “É mais provável que a atividade se consolide nos produtos diferenciados com alto valor agregado por causa da sua peculiaridade, porém com escala de produção bem menor”, avalia. Segundo o pesquisador, com avaços ttecnológicos e devida profissionalização dos criadores, é possível aumentar a escala de produção.

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