Educação

Alunos com deficiência visual podem aprender idioma em braille

Cerca de 16 estudantes do CIL 2 assistem aulas de francês, inglês e espanhol e contam com impressora e máquina de escrever na língua de sinais

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Alunos com cegueira ou baixa visão podem aprender inglês, francês e espanhol em braille no Centro Interescolar de Línguas 2 de Brasília (CIL2). Atualmente, o Centro possui 16 alunos com idades variadas, e as aulas acontecem em turmas convencionais. “O atendimento para esses estudantes é diferenciado, sobretudo na hora da prova, mas essa inclusão é necessária para eles e até para os demais”, afirma Silvânia Monteiro, que foi a primeira professora a dar aula para deficientes visuais e, atualmente, é vice-diretora do CIL 2.

Por ser atleta paralímpica, Larissa estuda inglês em busca de novas oportunidades

Por ser atleta paralímpica, Larissa estuda outro idioma em busca de novas oportunidades

O curso de idiomas tem duração máxima de seis anos e a atleta paralímpica Larissa Nakabayashi, 18 anos, está no primeiro nível de inglês. Para ela, o aprendizado é uma realização. “Sempre foi um sonho ter o inglês na ponta da língua, porque sou uma pessoa muito comunicativa e dependo disso. Futuramente, pretendo ir para fora do país”, diz Larissa. A estudante possui apenas 10% da visão, e sente que, por conta disso, absorve bem mais a matéria por ter a audição aguçada, além de sentir facilidade na pronúncia.

Da mesma turma, o estudante Sávio Trindade, 20 anos, que é cego, explicou que a instituição possui o projeto Ombro Amigo, que sensibiliza outros alunos a se voluntariarem e garantirem a chegada dos deficientes visuais na parada de ônibus, ou no que for necessário. “Com o Ombro Amigo, a relação com os alunos que nos auxiliam expandiu muito mais. Então, por ter muito deficiente na escola, acredito que a convivência fica bem natural e fluente, e isso facilita bastante na questão de locomoção, ou com alguma coisa visual”, destaca Sávio, que pretende se especializar em terapia ocupacional e musicoterapia. Para ele, o inglês será de grande ajuda na vida profissional.

Apesar da cegueira, Sávio transforma as dificuldades em oportunidades

Sávio decidiu estudar inglês para sair na frente no mercado de trabalho

O CIL 2 possui uma impressora em braille que garante o material dos alunos, e uma máquina de escrever em braille para que eles realizem as atividades. Esses equipamentos foram comprados sem ajuda do governo. A professora Danielle Alves é responsável pela adaptação na sala de recursos, e a tarefa não é fácil. O material que é usado pelos demais alunos é escaneado, e muitas vezes, por conta das figuras, perde toda a formatação. É necessário que tudo seja redigitado e organizado novamente. Após isso, o material passa para o programa Braile Fácil, podendo, então, ser impresso.

Outras deficiências

A oportunidade para aprender outro idioma não é somente para deficientes visuais. O Centro possui cerca de 30 alunos com déficit intelectual, autismo, transtorno de conduta e auditivo, entre outros. Danielle é responsável por lecionar para alguns desses estudantes, aplicar as provas, transcrever o foi escrito para que o professor da turma convencional possa corrigir, e ajudar no que for preciso. “Apesar das dificuldades, com o material em mãos, e auxílio dos professores, tudo fica mais fácil. Temos alunos que passaram em primeiro lugar na UnB”, declara a professora.

Danielle Alves é a professora responsável pela sala de recursos há 8 anos

Há 8 anos, Danielle Alves é a professora responsável pela sala de recursos

Por conta da procura e interesse dos alunos com deficiência visual quererem aprender língua estrangeira, ao todo, seis professores do CIL 2 se especializaram no curso de braille oferecido pelo Centro de Aperfeiçoamento dos Profissionais de Educação (EAPE). Mas, por falta de professores no banco de dados, apenas Danielle é responsável pela sala de recursos.

As inscrições para o CIL 2 de Brasília acontecem a cada semestre letivo mediante inscrição prévia no site da Secretaria de Educação www.se.df.gov.br.

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