Política

Educação política deve começar nas escolas

Consciência coletiva deve ser moldada no indivíduo desde a infância

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Primeiro ambiente fora da esfera doméstica a ser vivenciado pela criança, a escola tem a responsabilidade de ensinar as crianças sobre os conflitos, interesses e ideologias que movem as pessoas. É ela que tem o maior impacto na formação dos alunos, principalmente no período que antecede a adolescência, quando a capacidade de influência ainda é muito grande. Neste ambiente, a importância de educar politicamente essas crianças apresenta-se imprescindível. “Um jovem socializado politicamente na escola adquire mais ferramentas para exercer direitos e se posicionar criticamente frente a problemas sociais tidos como do ‘mundo dos adultos’”, afirma a cientista política Talita Silva.

A educação política é importante pois fornece ferramentas para o exercício da cidadania, desse modo, empodera pessoas, grupos e comunidades. Disseminar o conceito é o primeiro passo para que ocorra a politização e a conscientização. Refletir sobre política é um exercício que propicia o pensar na coletividade. Para Talita, a educação está muito mais dinâmica e muitas vezes as famílias não estão preparadas para a socialização política dos pequenos. “O papel da escola é o de ajudar a criança a organizar e discernir a enxurrada de informações difusas que recebe a todo momento e também estimular o interesse pela vida pública na fase do desenvolvimento cognitivo, por volta dos 8 anos”, conta.

Esse papel é muitas vezes deixado para a internet, quanto a isso, Talita ressalta que o componente curricular, a interdisciplinaridade e a educação formal ainda são indispensáveis para auxiliar os cidadãos, desde crianças, a compreenderem com mais profundidade as relações políticas e o quanto elas estão diretamente ligadas com o cotidiano. Para o professor de história Claudio Bull, a escola – como instituição – vive um momento delicado. “Ela concorre com os meios de comunicação, a importância dela seria fazer um contraponto reflexivo àquilo que o aluno tem enquanto meio discursivo dentro de sua vida cotidiana”, pontua. Para ele, é possível ter uma abordagem política que demonstre os conceitos de maneira comparativa. “Acho que o que tem que ser feito é mostrar à criança o que existe. A escolha que ela vai ter sobre isso é um postulado da família, do indivíduo, da sociedade”.

No DF, o projeto de extensão da UnB “Política na Escola”, criado em 2002, procura construir uma nova postura diante da política, para isso, aborda temas dentro do conceito de forma lúdica, dinâmica e interativa, possibilitando um maior entendimento do papel delas dentro da sociedade e esclarecendo os temas de maneira fácil e participativa. A faixa etária dos participantes é dos 9 aos 12 anos e atualmente já são mais de 400 crianças beneficiadas em duas escolas, no Gama e em Ceilândia.

A estudante Kamylla Rodrigues, 23 anos, atua no projeto desde 2016. “Acredito que a politização seja importante para a emancipação do indivíduo, fazendo com que ele se desperte para temas cotidianos que não são debatidos, e assim possam discutir com os colegas dentro do ambiente escolar”, diz. Uma das maiores preocupações do projeto é não doutrinar os participantes segundo as crenças políticas do membros, mas mostrar as diferentes ideologias que representam formas de pensar sobre a vida em sociedade, ressaltando que não se resume apenas às visões estereotipadas, como a direita e a esquerda, mas que há vários “tons de cinza” entre elas.

Segundo Talita, a importância de se aprender política logo cedo se dá pela justificativa de que o jovem não é a extensão dos pais e de seu conjunto de valores. “Para se tornar um cidadão com autonomia, ele precisa ter ao seu alcance a possibilidade de acessar os elementos da cidadania já no processo educacional primário”, conclui.

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