Ciência e Tecnologia

Pesquisadores classificam óleos essenciais do Cerrado

Estudo coordenado pela Embrapa já dura 4 anos com a coleta de 300 amostras do bioma

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Cerrado; Ciência; Embrapa; Bizzo; Mundo dos Óleos

A biodiversidade brasileira está repleta de plantas com benefícios para o ser humano e também para a própria natureza, como os óleos essenciais. Brasília foi um dos lugares visitados pelo projeto promovido pela Embrapa chamado “Espécies Aromáticas do Cerrado”, que já analisou mais de 300 amostras para conhecer a caracterização química e os usos dos óleos. “É um projeto que visa encontrar materiais aromáticos em plantas do cerrado. A gente começou em 2013 porque vimos que havia pouco estudo, mesmo o cerrado sendo muito grande”, explica o coordenador da atividade Humberto Bizzo, que é doutor em química e pesquisador.

Os óleos essenciais são substâncias vegetais extraídas a partir de flores, frutos, sementes e plantas que penetram no organismo ao serem inalados e são absorvidos pela corrente sanguínea e metabolizados pelo corpo. Cada produto possui diversas propriedades e componentes químicos que podem ser usados como aromas para perfumes, fortalecimento das defesas naturais do corpo, saúde mental e até no combate a fungos em plantações.

O processo de extração depende de cada material, mas normalmente é realizado em duas horas, como explica Bizzo. “É feito por uma técnica chamada hidrodestilação. A gente ferve a planta em água e condensa os vapores. E nesses vapores condensados nós coletamos o óleo essencial”, afirma. Dentre as amostras coletadas na expedição estão a arnica do mato, araçazinho do cerrado, urtinha e o alecrim da chapada.

O Brasil é o quarto maior produtor e o primeiro em óleos essenciais cítricos, como laranjas, limões, limas, tangerinas e capim-limão. Eles possuem um alto teor de monoterpenos, que são as menores moléculas que compõem os óleos cítricos e, por isso, penetram com mais facilidade nos tecidos do corpo humano e têm grande ação solvente de gorduras. O capim-limão, por exemplo, é extraído das folhas verdes e secas e apresenta propriedades calmantes e sedativas.

Geralmente, os óleos são comercializados nas indústrias de perfumaria, alimentícia, como aromatizantes naturais, cosmética, farmacêutica e como matéria-prima para outros produtos. “Dos materiais já analisados, a gente tem uns cinco que foram avaliados por um perfumista que disse que eles têm potencial para virarem fragrâncias e alguns outros estamos estudando em relação à atividade biológica, especificamente no combate a bactérias e fungos, como antimicrobianos”, enfatiza o pesquisador. Os óleos coletados ainda não são vendidos.

Segundo a Embrapa, a caracterização química das essências coletadas das espécies aromáticas foi desenvolvida pelos pesquisadores na primeira fase do projeto. Os óleos extraídos das plantas estão guardados para futuros estudos, bem como a prospecção e a avaliação de bioativos da pesquisa. No Acre, o produto retirado de plantas da região Amazônica está sendo utilizado para controlar pragas da laranja.

Hoje, muitas empresas investem neste ramo, como o Mundo dos Óleos, que começou com a venda de um único óleo até expandir com cerca de três mil produtos derivados dos óleos, como conta o sócio-fundador Arnaldo Câmara. “A gente começou apenas com o óleo de coco. Fomos muito bem-sucedidos e passamos então a montar a empresa para trabalhar com todos os tipos de óleos”. Os produtos mais procurados na loja são extraídos das amêndoas doces, semente de uva, cártamo, mamoma, abacate, coco, lavanda, dentre outros. Os materiais veem de cooperativas, indústrias e de outras marcas para serem revendidos do mundo todo.

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