Cidades

Falta de segurança e de estrutura de trânsito preocupam usuários do SMAS

Setor ao lado da rodoviária interestadual, que pertence ao Plano Piloto, não possui estacionamento público e é alvo de constantes furtos e assaltos

Usuários do do trecho 3 do Setor de Múltiplas Atividades Sul (SMAS) reclamam da falta de estacionamento público e de segurança no local. A região, localizada à margem da Estrada Indústria e Abastecimento (Epia), pertence à Zona Industrial do Plano Piloto e reúne empresas de grande porte, como supermercado, hotel e também parte das secretarias do Ministério do Desenvolvimento Social e Agrário (MDSA). Assaltos, roubo de carros e tentativas de sequestros estão entre as reclamações.

Caminhões cegonha manobram com dificuldade no trecho

Caminhões cegonha manobram com dificuldade no trecho

O analista de sistemas Thiago Macedo, 33, foi multado no local por estacionar em área verde. Segundo ele, a falta de vagas é um problema para as pessoas que trabalham naquele trecho. Os carros se acumulam ao longo do meio-fio e em cima dos canteiros (manobra proibida por lei). “Em cima do canteiro, onde eu tomei a multa, está coberto de brita o que leva muita gente a pensar que entre parar em mão dupla e atrapalhar o trânsito, parar nessa brita causaria menores problemas, só que esse é o único lugar que eles conseguem multar, a gente chega e encontra a notinha presa ao vidro”, conta. Segundo Macedo, a avenida, que é ligada à Epia, serve de caminho aos “cegonheiros” (caminhões cegonha), que descarregam naquela região: “Diariamente eles ficam presos ao tentar passar”, relata.

Mas a falta de locais destinados a estacionamento público não é o único problema relatado. A administradora de dados Rosa Cristina Portela, 52, afirma ser perigoso percorrer o trajeto até o metrô e linhas de ônibus, que se concentram perto da estação. Segundo ela, são recorrentes os assaltos pelo trajeto e outros tipos de violência como, por exemplo, roubos de carros e tentativa de sequestro. “Desde que os estacionamentos dos supermercados daqui de perto começaram a cobrar por hora, eu venho de metrô, mas dependendo do horário, fica deserto e muito perigoso andar até a estação”, conta.

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Raíssa Oliveira reclama da falta de respostas: “Reunião com órgãos competentes foram realizadas, mas nada foi resolvido até o momento”

A violência de gênero é também um fator preocupante, segundo comenta a analista técnica de políticas sociais da Secretaria Nacional de Renda e Cidadania do MDSA Raíssa Santos Oliveira, 27. Ela diz que as mulheres que trabalham por ali possuem a preocupação com a integridade física, principalmente por medo de estupros. “Aqui trabalham pessoas de vários setores e com horários de expediente diferentes. O prédio tem segurança interna, mas eles não cuidam de patrimônios particulares”, diz. Oliveira afirma que um grupo de pessoas se organizou para resolver pendências relativas aos problemas de trânsito e crimes ocorridos com os colegas. A comunicação acontece por meio como grupo de whatsapp e e-mail. “Nós requeremos por ofício à Administração do Guará um estacionamento nesta área verde localizada do lado do prédio, porém, segundo eles, esta é uma área de parque. Houve anda uma reunião com os condôminos onde a Polícia Militar informou que só poderia intensificar as rondas se houvesse um maior volume de registros de boletins de ocorrência”, relata.

 Integração viária

Para o engenheiro de tráfego e professor da Universidade de Brasília Paulo César Marques da Silva, a solução do problema relativo ao acúmulo de veículos naquela região está no aumento no sistema de transporte público. “O problema de Brasília é o número de carros nas ruas – temos 50 carros para cara cem adultos –, porque as pessoas precisam se locomover em grandes distâncias para o trabalho e acaba se tornando um hábito utilizá-lo em pequenos trechos também. E devido ao seu isolamento daquela região e à insuficiência de meios de transporte, infla-se as vias urbanas”, explica.

Engenheiro de tráfego Paulo César Marques diz que solução para volume de carros no local é melhorar o sistema de transporte público

De acordo com o engenheiro, “aumentar o número de estacionamentos só agravaria o problema, pois atrairia ainda mais carros para utilizar os espaços”. Ele diz que a região interliga a área Sul e o centro de Brasília, pontos importantes da cidade, e circunda a Epia, que é uma rodovia destinada ao tráfego de passagem e, “portanto, não teria tráfego local”. Marques explica a importância de se pensar a mobilidade urbana como um serviço: “A gente tem muito essa ideia de que a solução de mobilidade seria a construção de infraestrutura como ‘duplicar, construir elevados e viadutos’, isso agrava o problema nos médio e longo prazos. Mas o que é preciso é integrar os meios [de transporte] para que se tenha uma malha viária mais eficiente”

Sem resposta

Consultada sobre a resolução dos problemas apresentados, a Administração do Guará, por meio de assessoria de comunicação, disse que a área faz parte da região do Plano Piloto e que, portanto, é de responsabilidade daquele órgão responder à demanda. Já a Administração do Plano Piloto, também por meio de assessoria de imprensa, diz ter precisa apurar as informações com os órgãos responsáveis: Detran, Polícia Militar e demais secretarias competentes. Até o fechamento desta reportagem, a Administração Regional não enviou a resposta.

Localização da região Smas - trecho 3

Localização da região Smas – trecho 3

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