Entrevistas

‘A gente não fala sobre sexualidade homossexual’

O ator Gabriel Estrela faz musical para contar a história dele e os desafios após a descoberta do HIV

FOTO 4Gabriel aprendeu a conviver com a doença

O ator Gabriel Estrela convive com o vírus do HIV há sete anos. ” Na hora bateu o desespero e eu cai no choro. Na minha cabeça aquilo significava a morte pra mim”. Mesmo com o susto da notícia no início, ele aprendeu a conviver com os medos e hoje, aos 25 anos, vive com tranquilidade.” A gente acha que ter a doença é uma punição, que vem de um comportamento errado que tivemos. Ah, transou sem camisinha, pegou HIV.”

A rotina mudou um pouco, Gabriel criou coragem de contar a história para outras pessoas que nem o conheciam. Assim surgiu o musical ”Boa sorte”. Com a ajuda dos colegas do curso de artes cênicas da UnB, sua primeira apresentação foi na própria faculdade.O resultado foi totalmente positivo. As pessoas foram chegando e, aos poucos, não tinha mais lugar para ninguém. Confira abaixo a entrevista completa com o ator:

- Portal de Jornalismo do Iesb: Como  foi para você no início quando teve a notícia que tinha contraído o vírus HIV?

- Gabriel Estrela: Eu estava no laboratório esperando o resultado, e tinha uma moça cantando a música ” Boa sorte”, da Vanessa da Mata. Na hora que ouvi, eu pensei: Pronto. É o universo terminando de me dar a notícia. Depois de ouvir ela cantando, eu entrei em uma sala para receber o resultado do exame, lá uma funcionária me contou que eu tinha HIV. Na hora bateu o desespero e eu cai no choro. Na minha cabeça aquilo significava a morte pra mim.

-E a sua família? Teve o apoio necessário?

 -A primeira pessoa que me recebeu assim que cheguei em casa foi minha mãe. Fiquei tão mal com o resultado que tinha recebido, que eu nem pensei em esconder dela. Eu só conseguia chorar. Não consegui falar uma palavra a não ser desculpa. A minha família e meu namorado sempre me deram muito apoio. Eles realmente me entenderam sabe? Mesmo com o vírus, ainda sou o mesmo Gabriel, depois de sete anos com o vírus, eu mudei muito, e arrisco dizer que mudei para muito melhor. Como se tivesse renascido. Eu tinha na minha cabeça uma imagem muito errada, que era só sentar, e esperar a morte. Mas não é isso!

 - Como você encara a doença?

-A gente acha que ter a doença é uma punição, que vem de um comportamento errado que tivemos. Ah, transou sem camisinha, pegou HIV. A gente não vê o cenário maior de uma cultura que não usa camisinha, que não fala sobre sexo, de sexualidade homossexual. É minha realidade todos os dias, eu não posso negar isso.

- Para você como é ter relação sexual? Existe algum receio?

-O peso do diagnóstico não diminui em nada, mas com o tempo fiquei mais forte e aprendi a conviver com isso. Depois de tudo, até melhorei a minha qualidade de vida, passei a cuidar mais da minha alimentação e da minha saúde. Hoje em dia o que me faz bem em relação ao HIV é ajudar os outros falando sobre.

- Como que foi para você produzir um musical falando sobre a sua história para mostrar para as pessoas?

- Achei que nunca teria coragem de contar minha história, mas é um assunto que tem que ser falado entende? As pessoas precisam ser alertadas. O musical ” Boa sorte” foi uma grande conquista para mim. Eu tive medo das pessoas não gostarem, de sofrer preconceito. Mas foi justamente o contrário. Fui muito apoiado, e muitas pessoas foram por curiosidade, e se emocionaram com a peça. É muito gratificante para mim.

- Qual a mensagem que você passa na peça para as pessoas?

-Eu espero realmente que a peça possa fazer as pessoas se questionarem, sobre os conceitos ultrapassados do HIV, de entender que vivemos em uma época muita diferente e com muitos avanços na medicina. O importante é que esse seja o começo de uma longa viagem

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