Entrevistas

“O difícil não é você ser mais um fotógrafo no mercado trabalhando, o difícil é ser um Stuckert”

De uma família de fotógrafos, Roberto Stuckert Filho falar sobre o legado do seu pai e da experiência na Presidência da República

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O brasiliense Roberto França Stuckert Filho, 50, deu os primeiros passos para ser fotógrafo profissional ainda na infância, quando acompanhava o pai, Roberto França Stuckert, na cobertura fotográfica do então presidente João Baptista de Oliveira Figueiredo. “Meu pai sempre perguntava quem queria ir com ele. E sabe quem queria ir com ele todas as vezes? Eu. Eu ia pequenininho carregando a bolsa do meu pai e ficava vendo meu pai fotografar o Figueiredo saltado a cavalo”, conta ele. Anos mais tarde, seguindo os passos do pai e também do irmão, Ricardo Stuckert, ainda fotografo do ex-presidente Lula, Stuckert Filho também se tornaria fotógrafo oficial. Pai e irmãos participaram de momentos importantes da política nacional. Roberto foi o fotógrafo do último militar no poder. Ricardo, do primeiro operário eleito presidente e Roberto Stuckert Filho, foi fotógrafo da primeira mulher eleita presidenta.

O fotógrafo pretende lançar um livro sobre sua experiência na Presidência da República, e a Globo New já trabalha em um documentário sobre a trajetória de Sturckert. Ambos ainda sem data para serem para lançados. Confira os principais trechos do bate-papo do Portal de Jornalismo com o profissional.

Você vem de uma família de fotógrafos. Em algum momento teve dúvidas se era isso mesmo que queria fazer?

Quando eu comecei a ter que escolher entre o fotojornalismo, que é o que a gente faz, e outra profissão, no meio desse do caminho eu dava aula de capoeira, eu gostava de praticar esporte, e viaja muito pra participar de campeonatos e tal. No começo da profissão eu fiquei dividido entre fazer faculdade de Educação Física ou fazer Jornalismo, mas quando eu comecei a madurecer um pouco mais, eu entrei no Jornal de Brasília, meio expediente, um horário só porque eu fazia a faculdade no outro horário eu treinava, foi quando eu vi que era isso que eu queria mesmo. Meu pai em momento algum me forçou a fazer isso ou aquilo, ele falou, “Filho você faz o que você acha melhor”. Então, foi uma coisa natural.

De que forma seu pai influencia sua atuação como fotógrafo? Há muita pressão em ser um Stuckert?

O meu pai falava assim pra mim “o difícil não é você ser mais um fotógrafo no mercado trabalhando. O difícil é você ser um Stuckert”. Meu pai levou anos para virar “O Stuckert”, meu avô era “O Stuckert”, depois meu pai, e então eu. Então, ele falava que o difícil era justamente isso, você fazer um trabalho tão bom quanto a da tua família, para preservar o nome. Eu sempre tive que ter cuidado. Não me envolver com coisas erradas, andar bem vestido, procurar ter boas relações com as pessoas do poder. Isso sim foi o que o meu pai me ensinou, pra poder chegar aonde nós chegamos. Porque, primeiro pra você chegar a ser um fotógrafo oficial do presidente da República, você, sua vida toda é investigada.

Dos seis irmãos, apenas você e o Ricardo se tornaram fotógrafos. Como era a relação dos outros com a fotografia na infância, houve esse contato?

Chegaram a ter esse contato sim, mas a questão é que eles não queriam. É o que eu falo, não é só chegar e pegar uma máquina. Não é porque seu pai é fotógrafo que você vai virar fotógrafo. Por exemplo, não adianta você ser um Senna, ser o primo do Airton Senna, ter um nome e entrar num carro e não fazer uma corrida como o Senna não fazia. É a mesma coisa na fotografia, porque quem faz a foto é você. Você pode ter o nome do cara mais importante do mundo com relação àquela profissão, então, não adianta, quem está atrás da máquina é você.

Você sempre quis cobrir política ou tem alguma outra área que você gostaria de atuar?

Aí sim teve um influencia indiretamente sem a gente saber. Sabe o que é você nascer em Brasília, uma cidade que 99% política, e você, nascido com teu pai que só trabalha com política. Uma cidade que não tem esporte, que seria uma área que você poderia fazer. Você vê, quase não tem esporte, quase não tem área cultural. Então, você fica muito preso, à essa parte de fotojornalismo na parte de política. E ainda mais eu, convivendo ali no dia a dia com meu pai. Tanto no dia a dia da parte política. Você acaba, sem querer, dentro da política.

Como foi fazer a foto oficial da presidenta Dilma?

O que foi mais interessante no dia da foto oficial era quem estava acompanhando ela no Alvorada. Como havia uma semana que tinha tido a posse, e era janeiro, a filha dela, e na época então, o único neto, o Gabriel, estavam de visita aqui em Brasília, e ela, por minha sorte, levou a filha e o Gabriel para poderem conhecer o Palácio da Alvorada, e foi o que deixou ela totalmente relaxada. Você vê pela expressão dela na foto oficial. E era interessante que no momento em que nós parávamos para retocar a maquiagem, arrumar o cabelo e descansar… Ela, brincava com o neto. Então foi super interessante.

Como é a rotina de um fotógrafo oficial da Presidência?

Acordar seis e meia da manhã, ler todos os jornais antes de chegar ao trabalho, verificar a agenda do presidente uma noite antes. Falar com o chefe da segurança pra saber se tá tudo bem… Com o passeio matinal do presidente. No caso dela, ela andava de bicicleta. Se tivesse acontecido algum fato que necessitasse que eu ajudasse em alguma coisa, já que além de fotógrafo, eu era diretor do departamento de produção de imagem da presidência e eu tinha um trabalho muito ligado a imagem da Presidenta junto com à televisão que eles tinham lá. Por eu ser o fotógrafo oficial, eu era a única pessoa que cobria a agenda dela 24 horas. Dormia em casa, é claro, mas vivia da agenda da Presidenta.

Diante da rotina agitada com a Presidência, o que destaca como melhor?

Meu pai me falou uma coisa interessante: “Meu filho, você vai ter um experiência de vida que nenhum advogado, nenhum engenheiro vai ter”. Eu perguntei, “como assim pai?” “Meu filho, com essa profissão você vai rodar o mundo todo. Eu já rodei o mundo todo duas vezes”. E é verdade, eu rodei o mundo uma vez e meia, não rodei duas como ele. Mas assim, é muito interessante… Um dia você está no interior do Nordeste, entregando uma casa pra uma pessoa não tinha condições de ter uma casa, num lugar onde você tá pisando na terra, no outro você está na Casa Branca, e o Obama abre a porta e te convidar para entrar com um bom dia. Primeiro você tem que ter uma cabeça muito boa, pra poder entender que um dia você está lá em Nova Iorque, Washington e no outro você tá lá no interior do Piauí, no interior do Rio Grande do Sul, ou de qualquer outro estado. Eu falo interior, porque é no interior que você vê a realidade do

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