Entrevistas

Picnik é a demonstração do poder da economia criativa no cenário brasiliense

A co-criadora Júlia Hormann conta os percalços e avanços do festival-feira que completa 5 anos

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O Picnik, evento originalmente brasiliense e desenvolvido por Júlia Hormann, Miguel Galvão e Carol Monteiro, terá sua próxima edição nos dias 24 e 25 de junho na Fonte da Torre de TV. Comemorando, em 2017, os 5 anos de história, o evento mistura várias atividades, e, por isso, é considerado um festival-feira, reunindo moda, design, música, gastronomia com produtos feitos no DF, para valorizar o slogan “feito em Brasília”.

Buscando a autoestima do brasiliense e a ascensão da economia criativa e colaborativa, Júlia e os sócios passam por mais de 15 edições descobrindo o que, realmente, cativa o morador da capital federal. Em um bate-papo com o Portal de Jornalismo do IESB, a comunicadora e produtora de eventos explica o processo de crescimento do evento e a importância para a economia da cidade.

O que difere o Picnik em relação às demais feiras que ocorrem em Brasília?

A área de evento acaba se tornando muito segmentada, como em geral, e é uma área de muitas esferas. O Picnik não tem uma segmentação. Ele tem intenção de ser um evento aberto e multiplataforma. Tudo é estudado para que as pessoas tenham o maior número de opções possível, para que elas tenham liberdade de escolher a forma que elas vão se relacionar com o evento. Transformamos o Picnik em algo abrangente.

A que se deve todo o sucesso do evento?

Acredito que esse formato multiplataforma e multicultural é inovador. Além disso, praticamente todos os brasilienses tinham a sensação de que na cidade não tinha muito o que fazer. Não havia sensação de autoestima trabalhada, de valorização daquilo que era nosso. Nós quisemos que todo o evento do Picnik tivesse essa pegada local, valorizasse o que é local e mostrasse que, na verdade, Brasília é uma cidade viva, cultural. Temos muito o que oferecer para o mundo lá fora também.

Júlia acredita no potencial criativo da capital. "Essa é uma cidade que só tá começando. O desenvolvimento dela é agora. Cada um que fizer alguma coisa, um pedacinho, que conseguir dar um pouquinho de si, tá ajudando a construir a identidade local"
Júlia crê no potencial criativo da capital: “Essa é uma cidade que só tá começando. Cada um que conseguir dar um pouquinho de si, tá ajudando a construir a identidade local”

Você acredita que o Picnik tenha mudado a forma do brasiliense de ver a cidade em relação a cultura e lazer?

Eu acredito que não só o Picnik tenha mudado, mas também os outros eventos que estão vindo na mesma pegada. Se o Picnik tivesse sido o único que tivesse levantado essa bandeira, talvez essa unanimidade já tivesse matado o evento e talvez isso não tivesse ficado tão forte e interessante para as pessoas que estão apreciando a proposta e comprando o mesmo manifesto que a gente tenta trabalhar. É uma força e uma força que os próprios brasilienses já têm.

Como ocorreu a aceitação do público durante as primeiras edições do Picnik?

As primeiras edições já foram bem aceitas, já estavam bem frequentadas mas, claro, teve muitos ajustes e até hoje tem muito ajuste. O que é interessante. Temos um evento muito vivo. Precisamos estar sempre atentos a como lidar com esse evento vivo e que ele pode ser mutável. Estamos sempre observando, com a cabeça aberta, para entender o que é possível de ser feito para melhorar. Tanto que um dos lemas do Picnik é “fazer melhor e fazer diferente sempre é possível”.

Foi sucesso instantâneo ou a equipe desenvolvedora teve que pensar em novas formas de chamar a atenção do público?

Tivemos que pensar em novas formas. Bem no começo o que tínhamos de público era o grupo mais hype, mas era segmentado, panelinha. Percebemos logo na segunda edição que, se não começássemos a pensar em formas de abrir para que outros grupos de pessoas se sentissem a vontade de ir, isso poderia matar o evento. Se essa galera enjoasse, não teria mais ninguém. Quisemos começar a atrair outras tribos, outros grupos. Fomos colocando cada vez mais atrativos diferentes, aumentando o evento de acordo com o que o público respondia.

O crescimento do evento surpreendeu Júlia e os sócios. "Ganhamos a graça do brasiliense, que é, historicamente, uma pessoa muito difícil de seduzir"
O crescimento do evento surpreendeu Júlia e os sócios: “Ganhamos a graça do brasiliense”

A partir de que momento o Picnik abraçou a iniciativa “feito em Brasília”?

Começamos a entender que as pessoas também tinham a mesma sensação, que a cidade podia ser algo maior, que a cidade tinha uma força criativa latente e que a gente poderia valorizar mais isso. A medida que as pessoas foram abraçando essa causa junto com a gente, a gente viu que era possível encabeçar melhor e mais fortemente essa questão, de uma forma literal, que a gente pudesse falar mesmo, criar um discurso. Criamos o movimento do “feito em Brasília” e passamos a usar a bandeira.

De que forma um produtor individual brasiliense deve enxergar o evento? É uma oportunidade diferente de se empreender na cidade?

A gente entende que o Picnik, para a economia criativa, para o produtor, é um canal de distribuição, além de um veículo de impulsionamento de marca. A gente tem um potencial criativo muito grande na cidade. O Picnik acaba sendo uma vitrine para ter contato com um número grande de pessoas onde é possível que se pague uma taxa muito simbólica, inferior a esses alugueis mencionados. É uma forma de pessoas que estão começando conseguirem testar os produtos, aperfeiçoar suas capacidades criativas. Acaba sendo, sim, uma solução para esses empreendedores.

Como promoter de eventos estabilizada na capital federal, acredita que a ideia de que Brasília não é um lugar com opções vastas de lazer está mudando?

Está mudando. Está muito diferente do que era há 6, 7 anos. Percebemos que as pessoas estão se esforçando para fazer o seu. As pessoas estão vendo que há várias outras possibilidades para que Brasília seja uma cidade mais viva, mais aberta, mais ampla, mais significativa em termos de cultura e lazer.

A economia criativa tem sido bastante impulsionada em Brasília. A que se deve todo esse crescimento?

Globalização, internet, acesso a materiais mais baratos, tutoriais, inspirações. Acredito, também, que tenha a ver sim com forças como o Picnik. A gente é uma vitrine de valor mais em conta. Tá ressiginificando sim. A gente tá aqui possibilitando que boa parte dessa economia aconteça. Muitas outras pessoas estão fazendo trabalhos geniais nesse sentido, mas acho que tivemos a coragem de desbravar o cenário e estamos atentos para sempre continuar presentes e inovando. O crescimento vem da coragem, da autoconfiança, da não desistência. Ser empreendedor no Brasil é difícil e é fácil desistir.

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