Saúde

90% dos brasileiros têm medo de envelhecer

Segundo pesquisa, doenças, perda de mobilidade e surgimento de rugas estão entre os fatores que levam ao medo do envelhecimento, caracterizado como gerontofobia

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O envelhecimento é um processo natural do ciclo de vida humano que pode sofrer diversas alterações em decorrência da genética do indivíduo, do estilo de vida e de fatores externos. Apesar disso, segundo uma pesquisa feita pelo Instituto Qualisbest e encomendada pelo laboratório Pfizer, 90% dos brasileiros têm medo de envelhecer. A terceira idade é sinônimo de doenças, mudança na aparência e surgimento de rugas, perda de mobilidade, entre outros fatores. A gerontofobia se define pela rejeição ao envelhecimento e a todos que estão passando por este processo.

De acordo com o psiquiatra André Veloso, a gerontofobia não está registrada na lista de doenças no CID-10 (Classificação Internacional das Doenças), mas é denominada como fobia por ser identificada pelo comportamento de um indivíduo. “Muitos podem ser os fatores que levam alguém a sentir pavor pelo envelhecimento, mas muitos casos são devido à experiências com a velhice ou a forma como idosos são tratados em casa, na rua ou, até mesmo, em asilos”, explica.

A estudante de psicologia, Isabelle Cardoso, de 23 anos, conta que é fácil observar como os idosos são tratados na sociedade. “Constantemente vejo casos de pessoas de idade sendo agredidas ou até mesmo tratadas com desrespeito. É comum, por exemplo, um motorista não parar no ponto de ônibus pelo fato do idoso não pagar passagem ou por ‘atrasar a viagem’”, comenta. “Essa realidade é triste, inaceitável e solitária”, acrescenta.

Segundo a geriatra Laura Alcântara, não há uma faixa etária para desenvolver a fobia, mas o indivíduo começa a se dar conta do envelhecimento quando começa a perder alguém dentro da realidade dele. “É uma fobia inconsciente. Quando a morte de um parente ocorre, como o falecimento de nossos pais, significa o nosso próprio envelhecimento. Nos damos conta que a vida é finita. Em muitos casos, há pessoas que ficam obcecadas pelo futuro, pensando somente em como será sua velhice e acabam perdendo o presente”, explica.

Iasmin Vianna está entre esses casos. Aos 26 anos, a estudante de arquitetura perdeu os pais para as doenças que a velhice traz e, desde então, tem medo de envelhecer e, consequentemente, de morrer. “Sei que ainda tenho muito o que viver, mas não consigo parar de pensar no quão infeliz e solitária vou estar quando chegar à terceira idade. Não quero adoecer e depender dos outros. Quero ser jovem e saudável”, desabafa.

Para a psicóloga Anna Couto, é preciso saber envelhecer. “Em todas as fases da vida temos experiências boas e ruins. Nas mudanças de fase, seja da infância para a adolescência, da adolescência para a vida adulta, e assim por diante, há aprendizado. Envelhecer é sinônimo de estar vivo”, lembra.

A psicóloga ainda aconselha não sofrer antecipadamente ou, sequer, sofrer. “Se preocupar com algo que está distante da realidade pode nos impedir de viver plenamente o presente. Há casos em que o indivíduo chega à terceira idade arrependido por não ter vivido como queria por ter se preocupado de forma exagerada em envelhecer”, destaca.

Para a psicóloga e especialista em padrões de beleza, Sandra Guimarães, o alto índice de idolatria ao corpo na atual sociedade contribui para a gerontofobia. “Ao envelhecer mudamos de aparência e isso é temido por muitos. Não ter o corpo perfeito na terceira idade faz com que cirurgias plásticas sejam feitas em busca de driblar o envelhecimento”, explica.

A publicitária de 32 anos, Luiza Miranda, já fez três cirurgias plásticas para, segundo ela, não chegar à terceira idade. Entre elas, cirurgias para eliminar rugas, manchas e flacidez. “Não quero envelhecer e farei tudo o que estiver ao meu alcance para lutar contra isso. Muitos dizem que meu pensamento é ignorante e egoísta, mas não consigo enxergar beleza em rugas e pele caída”, conta.

Tratamento

Não há cura ou remédio para tratar a gerontofobia, mas segundo o psicoterapeuta Claúdio Tavares, além da terapia, existem ações mais práticas para entender e amenizar o temor em relação ao envelhecimento. “Não necessariamente, envelhecer significa adoecer. É preciso cuidar da aparência e da saúde o quanto antes para ganhar bons resultados no futuro”, lembra.

Ainda segundo Cláudio, incluir jovens e crianças no convívio com pessoas mais velhas é importante para que os mais novos percebam que a velhice é algo natural e não algo aterrorizante. Além disso, a ação contribui para uma geração da terceira idade mais sadia.

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