Cidadania

Trufa do Bem vem crescendo em Brasília e está ajudando desempregados

O projeto, que tem pouco mais de um mês, já ajudou desempregados e doou dinheiro para instituições carentes

O projeto Trufa do Bem começou há pouco mais de um mês e já gerou emprego para 31 pessoas e ajuda 2 instituições de caridade da Cidade Estrutural. A iniciativa tem como objetivo ajudar essas pessoas com a venda de trufa de chocolate e está ganhando cada vez mais visibilidade em Brasília.

Iniciativa de empreendedorismo social, os participantes vendem as trufas no valor de 3 reais. Um real desse valor vai para o revendedor, 0,20 é voltado para as instituições e o resto da quantia fica para a produção dos doces e cobertura de todas as ações de sustentação da operação do negócio.

O idealizador do projeto, Rafael Braconi, começou o planejamento há cerca de 8 meses e ele, junto com o seu sócio, conseguiram fazer toda a logística para que os revendedores não ficassem desamparados de nenhuma forma. Depois de decidirem trabalhar com chocolate, que não teve baixa nas vendas durante a crise no Brasil, eles foram atrás das regiões de Brasília onde poderiam ser vendidas as trufas. A princípio, estão sendo vendidas nas Asas Sul e Norte, Sudoeste e Águas Claras.

Na  foto, Rafael idealizador do projeto (centro), Roberto (esquerda) e Ítalo (direita). Rafael se encontra diariamente com os revendedores para ter feedback das vendas

Na foto, Rafael idealizador do projeto (centro), Roberto (esquerda) e Ítalo (direita). Rafael se encontra diariamente com os revendedores para ter feedback das vendas

 

 

Durante o planejamento, pensaram também nos consumidores, já que muitas pessoas querem ajudar e não sabem como. “Tem gente que ajuda moradores de rua, quer ajudar projetos, mas não sabem se o dinheiro está sendo destinado para o lugar certo. Então pensamos nisso tudo e fizemos com que os compradores possam, além de doar, saber como está sendo destinado o dinheiro arrecadado pelo Trufômetro que fica no nosso site”. Com o Trufômetro, as pessoas podem ter uma noção do dinheiro que vai para os revendedores e da quantia doada para as instituições. Rafael ainda afirma que, para eles, é muito importante a transparência no site para que as pessoas continuem comprando.

Os idealizadores “vendem” as trufas para os revendedores como se fosse uma distribuidora. O doce fica numa van refrigerada para que não estrague e ao fazerem a compra, eles recebem uma nota fiscal. Os encontros para a venda são feitos na Rodoviária do Plano Piloto e todos tem um encontro diário para ter um feedback de como andam as vendas. “Achamos importante ter esse retorno para saber o que podemos melhorar”, segundo Rafael.

Revendedores

A pessoa que entra para o projeto para revender os doces ganha um avental, uma bolsa térmica para guardar o chocolate, panfletos, vale refeição e vale-transporte e ainda 200 trufas para terem um capital de giro. O uniforme tem a logo para os trabalhadores serem identificados quando estiverem na rua e para dar uma cara de mais seriedade para o Trufa do Bem.

Para trabalhar no projeto, a pessoa precisa ter mais de 18 anos, ter comprometimento com o trabalho, saber vender e ser carismático. As pessoas ajudadas são prioritariamente desempregadas e muitas delas trabalhavam no lixão da Estrutural, que vai acabar em breve. “Uma das nossas maiores preocupações é, além de todas as pessoas que estão desempregadas, ter mais esse monte de gente que vai perder o emprego quando o lixão acabar e elas não terem como se sustentar. Por isso que nós estamos priorizando essas pessoas”, comenta Rafael.

Muitas pessoas que vêem a importância do projeto, não se importam em comprar até mais de uma trufa

Muitas pessoas que vêem a importância do projeto não se importam em comprar até mais de uma trufa

Ítalo Fernandes tem 23 anos e está no Trufa do Bem desde o começo. Ele estava desempregado há 8 meses e fazia apenas alguns bicos, mas encontrou no projeto uma oportunidade de poder melhorar sua vida. “Eu estava desempregado, morando de favor e um dia uma pessoa muito importante para mim viu que estavam chamando pessoas para trabalhar lá. Então ela me incentivou a tentar conseguir esse emprego e hoje eu estou aqui empregado e conseguindo pagar o aluguel da minha casa, conseguindo comprar minhas coisas, está ótimo.”

Roberto Rio começou no projeto há 10 dias, mas já está conseguindo juntar dinheiro para limpar o nome e ajudar nas necessidades. “Estou conseguindo ajudar em casa, consigo ajudar no aluguel e o que eu quero principalmente, é poder no futuro fazer cursos, estudar para ficar mais capacitado para o mercado de trabalho.”

Alguns revendedores já receberam propostas de emprego, mas nenhum quis sair do Trufa do Bem. “Ficamos felizes demais por eles receberem essas propostas, mas ficamos mais felizes ainda por não aceitarem, já que vemos que eles estão muito bem trabalhando com a gente. Se for para sair daqui, que seja para um emprego melhor onde eles possam ter uma qualidade de vida melhor”, comenta Rafael. E o empresário se sente bastante satisfeito pela conquista de cada um. “É bom demais ver eles conseguindo o que querem e mais ainda saber que, se não fossem por eles, o projeto não estaria crescendo tanto em tão pouco tempo.”

Quanto atingir 50 revendedor de rua, eles pretendem fazer com que pessoas de limpeza, copeiros, diarista possam vender o produto para ter uma renda extra além da qual já trabalha.

Instituições

A princípio, estão sendo assistidas duas creches da Estrutural, a Creche Alecrim e a Associação Cristã Santa Clara, totalizando cerca de 140 crianças.

A creche Alecrim é uma instituição sem fins lucrativos onde voluntários sendo elas mães, avós, tias e monitoras que cuidam de 80 crianças.

A Associação Cristã Santa Clara tem a capacidade de cuidar de 200 crianças, mas por falta de verba, cuidava de cerca de 80. Agora com o projeto, eles esperam que mais crianças possam ser ajudadas.

Vendas

O projeto foi para as ruas no dia 15 de maio e já foram vendidos mais de 45 mil trufas desde então. Na ação de divulgação, foram doados e vendidos 25 mil junto com os folhetos.

Nos primeiros 15 dias, conseguiram com as vendas a quantia de mais 7 mil reais para cada instituição e as doações serão mensais. “Todo o dinheiro arrecadado para as instituições vai ser dividido e se passar do total que queremos doar, acharemos mais uma para ajudar”, afirma Rafael.

A fabricação do doce está sendo por enquanto em São Paulo, numa empresa terceirizada. Mas os idealizadores do projeto querem montar uma fábrica em Brasília para que possam expandir as vendas da trufa para outras regiões e gerar mais empregos também.

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