Cultura

Batalá comemora 14 anos de empoderamento feminino em Brasília

Com 120 integrantes em 2017, a banda recebeu o Prêmio de Igualdade de Gêneros do Fundo de Apoio à Cultura

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#banda #diversidade #empoderamento

A percussão agrupando a força das mulheres. Há 20 anos esse tem sido o motor principal do grupo Batalá, fundado pelo baiano e músico Giba Gonçalves, em Paris, na França. De lá para cá, foram formados 36 grupos em todo o mundo. Essa é a força da música e o poder de reunir almas que têm como objetivo colocar a mulher como protagonista. O grupo de Brasília, “importado” por Paulo Garcia, com apoio de Giba, completa 14 anos de história em 2017 e tem um grande diferencial: apenas mulheres participam da formação da banda. Hoje, conta com cerca de 120 integrantes.

A ideia de Paulo era fazer com que a mulher fosse vista de outro ângulo. Segundo Karla Laguna, responsável pelo comercial e produção do grupo brasiliense, o fundador tinha uma justificativa para criar um grupo com a essência completamente feminina. “Ele queria reunir mulheres, porque analisou que elas eram sempre retratadas como passistas, rainhas de bateria, nunca protagonizando uma bateria. Agora, as vemos tocando tambor, instrumentos pesados, mas com toda a graciosidade feminina”, conta. O Batalá, nos 16 outros países onde é presente, tem grupos mistos, com homens e mulheres. Só o de Brasília e, posteriormente, o de Nova Iorque, prezam pela composição apenas de mulheres.

Movimentando o Parque da Cidade com surdos, dobras, repiques e caixas, as mulheres encontram-se todos os sábados, das 10h às 13h, para realizar os ensaios. Simone Soares, 55, engenheira civil, integrante sempre presente e que faz parte do Batalá há 10 anos, conta que se interessou em entrar no grupo após ver a participação especial no programa do Faustão, da Rede Globo, em 2007.

Simone, há 10 anos no grupo, se cativa diariamente pela sensação única que o tambor traz. "A gente consegue mostrar como é importante essa união feminina, das classes sociais, da cultura"
Simone, há 10 anos no grupo, se cativa diariamente pela sensação que o tambor traz. “A gente consegue mostrar como é importante essa união feminina, das classes sociais, da cultura”

A diversidade do grupo é o que faz a engenheira ser apaixonada pela banda. “O que mais admiro é a possibilidade de conviver com as pessoas. Temos vários tipos de mulheres: do lar, executivas, médicas, advogadas, senhoras, adolescentes. Isso me fascina”. A engenheira também afirma que o empoderamento feminino dentro do grupo tem uma grande dimensão. “Existe uma pessoa antes do Batalá e depois do Batalá. Quando você vai para o grupo, parece que vence uma barreira”, comemora.

O grupo se estende a todo o país. Os instrumentos, assim como todo o figurino usado nas apresentações, é confeccionado em Salvador, na Bahia. “Todos cachês das apresentações são revestidos para a manutenção do grupo – instrumentos, figurinos, parte da formação musical”, afirma Karla. Além disso, as músicas autorais de Giba Gonçalves e o ritmo utilizado nas apresentações são iguais em todos os grupos do mundo.

Mayra admira a diversidade do grupo. "É muito eclético, tem gente de todas as religiões, raças, cores, diferenças. Me encontrei nisso. É a junção de dança, música e gente"
Mayra admira a diversidade do grupo. “É muito eclético. Tem gente de todas as religiões, raças, cores, diferenças. Me encontrei nisso. É a junção de dança, música e gente”

No primeiro semestre deste ano, o grupo recebeu o Prêmio de Igualdade de Gêneros do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura do DF, que tem o intuito de condecorar pessoas ou grupos que incentivam a igualdade de gênero na região. Mais de 1000 mulheres já passaram pela história da banda e a importância dela para as integrantes é algo evidente, perceptível principalmente nos ensaios. A secretária Mayra Santos, 49, está no grupo há apenas dois meses e já se surpreende com o alcance positivo desse time. “O Batalá ajuda muito as pessoas a se respeitarem, se entenderem, se ajudarem. O fato de só ter mulheres é mais um motivo para que a gente possa ver que a mulher pode estar em todos os lugares que ela quiser estar”.

Para participar ou se inteirar

O grupo está presente em várias redes sociais, como o Facebook e o Twitter. Além disso, também conta com o site principal, que reúne a história do grupo, detalhes sobre os ensaios, notícias recentes, links, galeria de fotos e discografia.

Qualquer mulher acima de 18 anos que tiver interesse em se tornar musicista ou percussionista, mesmo sem qualquer experiência ou formação profissional, pode participar do grupo. Para mais informações: http://www.batala.com.br

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