Comportamento

Colecionismo é coisa de gente grande

O hábito de colecionar objetos inspirados em filmes possui adeptos apaixonados

Colecionar objetos é um hábito que vem de muitos séculos. Mas nos tempos atuais, o colecionismo ganhou como adeptos adultos que colecionam itens que, para alguns, podem parecer um tanto peculiares. São artigos inspirados em filmes, histórias em quadrinhos, seriados de televisão. Nesse universo, os itens colecionáveis são dos mais diferentes formatos, vão desde bonecos de ação articulados (também conhecidos como action figures) e revistas em quadrinhos, até bustos e estátuas em tamanho natural.

“Quando eu comecei a colecionar era muito comum as pessoas dizerem coisas como: é um desperdício de dinheiro, perda tempo e isso é coisa de criança. Com o tempo e o aumento da cultura pop no Brasil as pessoas começaram a se interessar mais”, conta Jean Carlos de Araújo Dourado, 32 anos. Com uma coleção de Action Figures e Kits de montagem de robôs, seu acervo soma hoje 200 itens. Para ele o maior desafio dos colecionista hoje é o alto preço dos artigos. “A maior dificuldade para quem quer colecionar são as altas taxas que os itens sofrem o que torna o colecionismo um hobby para poucos”, conta Jean, que costuma adquirir a maioria de seus itens pela internet.

Custo elevado

O preço é a maior barreira enfrentada pelos colecionistas. Alguns itens, como edições antigas de quadrinhos, podem chegar a custar até 100 reais.  Outro item que possui muitos colecionadores, os action figures podem chegar a custar até 3.000 reais. Costumam ser mais caros os itens que têm uma pintura detalhada, roupas de tecido e acessórios, mas também pesa no preço final a popularidade do personagem retratado. “O colecionismo existe para todos os bolsos. Mas tem muito colecionador (como eu) que deixa de comer, deixa de sair para comprar um item. Como nós colecionadores dizemos: ‘ando como mendigo, mas minha coleção tá bombando’”, conta Rodney Dney, 36 anos, arquiteto e designer gráfico.

Rodney, que começou sua coleção com sete anos, possui hoje um acervo  imenso. São 300 revistas em quadrinhos antigas, 200 miniaturas de carros e motos e mais de mil action figures. Isso sem contar nos DVDs, CDs, e até mesmo moedas antigas. Um acervo que soma mais de mil itens. “A mídia está tornando isso popular e tudo está mudando no mundo do colecionismo. Tem seu lado bom, pois aumenta a facilidade do colecionador adquirir seus itens e o lado ruim que está virando “modinha”, deixando as coisas mais caras e de um certo modo volta a “estaca zero” da dificuldade por conta dos preços altos. Então o que era difícil de chegar aqui no Brasil, hoje chega mais caro pela ‘moda’”, complementa Rodney.

O hobby como meio de vida

Glauber Freire, em frente a parte de sua coleção de action figures do Homem de Ferro

Glauber Freire, em frente a parte de sua coleção de action figures do Homem de Ferro

Para o consultor administrativo Glauber Freire, uma saída para os altos preços dos itens colecionáveis foi a internet. “Como renda extra, sou restaurador e customizador de figuras antigas ou raras. Já tenho também, para manter um pouco a coleção, uma loja virtual no Facebook chamada Wheel’s Collections”, conta ele.

Glauber começou sua coleção aos nove anos e nunca mais parou, hoje é o presidente do Fã Clube Botfan, fundado em Brasília em 2007 por fãs dos Transformers e dedicado, principalmente, a exposições e eventos. “Nós não apenas reunimos os colecionadores, mas organizamos as exposições, a fim de propagar a cultura do colecionismo e acabar com o tabu gerado no país de que colecionadores seriam pessoas pouco sociáveis”, explica Glauber.  Ele possui uma vasta coleção, entre DVDs, bluerays e jogos dos seus personagens favoritos, mas o maior foco da coleção são os action figures, mais especificamente robôs (como Gundam, Mazinger, Transformers) e super-heróis em armaduras (em especial o Home de Ferro).

Hermes Barreto seguiu o mesmo caminho da maioria dos colecionistas. Aos 14 anos ele começou a colecionar os gibis que sempre lia. “Me lembro que o primeiro que eu guardei foi o Hulk número 25 da editora Abril”, conta

Hermes Barreto, vestido com a roupa de Batman criada por ele

Hermes Barreto, vestido com a roupa de Batman criada por ele

ele. De lá pra cá o hobby dele aumentou significativamente, e hoje inclui action figures, pôsteres e revistas em quadrinhos, Ele não sabe dizer ao certo quantos itens possui. Porém, Hermes não parou por aí, ele começou a produzir fantasias e roupas para pessoas interessadas, e hoje exporta suas criações para todo o mundo. Além disso, ele ainda constrói réplicas de cenários e personagens, todos com uma atenção extrema aos detalhes. Exemplo disso é a réplica do robô R2D2 em tamanho “natural”, que além de se movimentar por controle remoto, reproduz sons e ainda possui um projetor.

A parte mais divertida

Para muitos ainda é estranho ver adultos colecionando um número sem fim de itens relacionados a filmes e quadrinhos, mas a paixão por esse universo vai muito além do custo financeiro. “Na verdade o colecionismo foi uma vertente para diversas superações pessoais, pois colecionar, ainda mais no Brasil, é caro. Sendo assim, se eu queria colecionar, teria que ir atrás. Então estudei mais, trabalhei mais e alcancei meus itens de desejo. Comecei a fazer as exposições pela vontade que eu tinha de expor e mostrar que colecionar também é cultura”, explica Glauber.

E ele não é o único a pensar assim, o professor de inglês Gustavo Barcelos, 41 anos, possui um acervo de 600 itens, entre action figures e revistas em quadrinhos. “Hoje isso é muito cool. É legal ter camiseta de super-heróis, filmes, games e outras coisas do tipo. Quando eu era moleque, era só bullying com isso. Então teve uma mudança, principalmente quando os filmes de super-heróis tornaram-se febre. Agora quem não gosta desses filmes, Big Bang Theory (que também ajudou muito na difusão da cultura pop) é quem sofre bullying”, conta Gustavo.  E para quem ainda não entendeu o porquê da dedicação dos colecionistas a seus itens , Gustavo explica: “Vou tentar definir colecionismo: é você apreciar o que você coleciona, não somente possuir o item, mas poder apreciar o mesmo”.

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