Saúde

Distúrbios da tireoide impactam cotidiano de pacientes

Doenças que atingem a glândula responsável pelo metabolismo são de fácil diagnóstico e tratamento eficaz

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#câncer metabolismo tireoide

A tireoide é a glândula responsável pelo metabolismo do corpo humano. Através dos hormônios T3 (triiodotironina) e T4 (tiroxina), atua em todos os sistemas do organismo, interferindo no funcionamento do coração, do cérebro, fígado, rins, no crescimento, na regulação dos ciclos menstruais e na fertilidade, no peso, memória e humor. Também é responsável pelo metabolismo de cálcio através do hormônio calcitonina.

O bom funcionamento dessa glândula em formato de borboleta, localizada no pescoço, garante o perfeito equilíbrio do organismo e o controle emocional. Quando a tireoide produz uma quantidade de hormônios menor que o suficiente temos um quadro de hipotireoidismo, explica o endocrinologista Luis Augusto Bianchi.

Os principais sintomas dessa doença são a diminuição da temperatura corporal, diminuição dos batimentos cardíacos, constipação intestinal, pele mais fria e ressecada, cabelos e unhas mais quebradiços, cansaço, sonolência e, em alguns casos mais graves, até depressão. Nas mulheres, pode haver aumento do fluxo menstrual. Também pode ocorrer ganho de peso apesar da diminuição do apetite. O tratamento é feito com reposição hormonal.

Já no hipertireoidismo, quando a glândula produz mais hormônio que o necessário, os sintomas são o oposto. A pessoa fica mais agitada, mais irritadiça, sente mais calor em relação a outras pessoas, tem quadros de insônia, aumento de apetite, intestino solto, palpitações e fraqueza muscular. Em geral, perde-se peso.

Ao contrário do hipotireoidismo, o médico alerta que o hipertireoidismo é uma doença potencialmente grave, que deve ser tratada com urgência. O tipo de tratamento depende da causa do hipertireoidismo e pode ser medicamentoso ou cirúrgico.

“O hipertireoidismo pode levar a insuficiência cardíaca, o coração não consegue vencer a demanda metabólica. Causa arritmias que podem levar a um AVC (acidente vascular cerebral). Também pode causar insuficiência hepática. O coração é o principal, a sede de eventos mais graves nos quadros de hipertireoidismo, e em segundo lugar vem o fígado”, explica Luis Augusto.

Nódulos na tireoide

Os nódulos na tireoide são bastante comuns e, na maioria das vezes, não influenciam no funcionamento da glândula. O especialista explica que a estimativa geral é que entre 15% a 20% da população tenha algum nódulo na tireoide, dos quais apenas 3% são malignos.

Em geral, só demandam algum tratamento em duas situações. Se for hiperfuncionante, ou seja, se produzir hormônios, ele cria um quadro de hipertireoidismo que inspira cuidados. O nódulo também pode ser um câncer na tireoide, tratado cirurgicamente, com a remoção da tireoide, e com iodoterapia, um tratamento com iodo radioativo que mata as células cancerígenas.

“Comparado com outras quimioterapias é um tratamento bem menos agressivo e o paciente quase não tem reações colaterais. Mais de 80% dos cânceres da tireoide são do tipo papilífero, pouco agressivo, e a maioria absoluta dos pacientes tem vida normal após a cirurgia e nunca terão recidiva da doença”, afirma o médico.

A maioria dos casos de câncer na tireoide são assintomáticos e são diagnosticados em exames de rotina. Alguns são descobertos quando já são nódulos visíveis ou palpáveis. Quando os sintomas aparecem são casos em que o câncer já está invadindo estruturas próximas como a traqueia, que provoca rouquidão, dificuldades para engolir ou para respirar.

Em 1995, numa visita ao endocrinologista com o objetivo de emagrecer, Maria Helena Machado Heche descobriu o câncer na tireoide assintomático. 22 anos após o tratamento, a aposentada tem vida normal. “Não tive problema nenhum. Meu médico soube conduzir a situação com muito carinho, com muito cuidado e em nenhum momento me deixou em pânico. Só lembro à noite, quando tenho que tomar a medicação”, conta.

Já a depiladora Luciana Bolina descobriu dois nódulos na tireoide em 2013 ao investigar uma dor no pescoço. O câncer desenvolveu metástase no mediastino, espaço entre os dois pulmões, no centro do tórax. Luciana faz acompanhamento e, durante essa reportagem, aguardava para realizar uma segunda iodoterapia como medida preventiva. Como Maria Helena, tem vida praticamente normal. “Faço acompanhamento a cada seis meses, mas tirando isso, vida normal”, celebra.

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