Cidadania

ONG oferece Pet Terapia a instituições de saúde no DF

Trabalho voluntário da ONG Pet Amigo leva cães para auxiliar no tratamento terapêutico de internos em hospitais e asilos

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O cão SRD (sem raça definida) Pirata atende carinhosamente pelo nome de Pi,  tem apenas 5 meses e já está em treinamento para ser um pet terapeuta – trabalho definido pelo atendimento em atividades conhecidas como Terapia Assistida por Animais (AAT, na sigla em inglês). A atividade, que auxilia pessoas em tratamento de saúde, é promovida pela Organização não Governamental (ONG) Pet Amigo em diversas instituições do Distrito Federal, como hospitais, escolas, asilos e casas de repouso.

 Cecília Lamounier: " Cães adaptam-se melhor à Pet Terapia devido porque interagem naturalmente com os humanos

Cecília Lamounier: Cães adaptam-se melhor à Pet Terapia devido interação natural com humanos

Atualmente a ONG só utiliza cachorros para a Pet Terapia, mas pretende envolver outros tipos de animais futuramente, a exemplo da AAT aplicada em outras partes do mundo. É o que diz a vice-presidente da organização, Cecília Lamounier, ao explicar que a  preferência da entidade pelo animal se dá pelo fato de ser ele o que melhor se adapta à atividade devido à interação natural com os humanos. Cecília é tutora do cãozinho Pirata e conta que o adotou com intuito de torná-lo um pet amigo. “O Pi é o meu xodó.  Eu o escolhi, aos seus dois meses de idade, pelo comportamento calmo e observador, pois um cão terapeuta deve ser adestrado e dócil. Hoje ele recebe treinamento todos os dias, vai a bares e restaurantes comigo, tudo para socializar e acostumar-se com a diversidade”, diz. Lamounier salienta que todo o treinamento aplicado ao filhote Pi ainda não garante que o cão será um pet terapeuta. Ele ainda deve passar pelo processo de seleção de novos cães, realizado pela ONG a cada três meses e, antes, fazer a primeira visita em condição de trainee (treinamento) sob a supervisão de uma adestradora, quando “ele deve apenas ver e cheirar pessoas”.

Esse processo é comum aos cães candidatos ao voluntariado pela entidade. O futuro pet terapeuta precisa passar por alguns testes para a comprovação de quesitos de saúde e de comportamento: ser sociável; gostar mais de gente do que de outros animais, porque as visitas são efetuadas em grupo (cerca de cinco a 10 cachorros); estar em dia com a vacinação e  devidamente vermifugado – exigência dos hospitais e controle de zoonoses –;  usar a coleira contra a leischmaniose; atender a alguns comandos básicos de adestramento, como senta, deita e fica; e tomar banho 24 horas antes da visita. Os donos também precisam assumir o compromisso de adestrá-los e acompanhá-los nas visitas.

Veterinária Vanessa Spangnolo: "Cães devem ter perfil dócil e saudável"

Veterinária Vanessa Spangnolo: “Cães devem ter perfil dócil e saudável”

A veterinária da ONG, Vanessa Spangnolo, esclarece que os testes de comportamento baseiam-se naqueles com certificação internacional, nos padrões dos realizados em animais de assistência – tipo os cães-guia e os de suporte emocional –, adaptados à vivência do projeto. Ela afirma que existem diferenças entre o cão terapeuta  e o animal de assistência. “Enquanto o primeiro é aquele que vai como voluntário para uma instituição, o animal de assistência é destinado a acompanhar uma pessoa específica por quase toda a vida dele e, para isto, recebe um treinamento longo, por cerca de dois anos”, esclarece.

Spangnolo afirma ainda que a literatura recomenda prioridade ao tempo do animal em cada visita, que deve durar cerca de uma hora e meia, com descanso a cada 40 minutos para evitar que ele se estresse.  “Como veterinária, eu tenho a responsabilidade de observar até que ponto aquele ambiente está prazeroso e confortável e encerrar a visita caso o animal demonstre stress. Ao respeitarmos esses limites, são preservados os benefícios da interação homem-animal à pessoa [assistida], que precisa de, em média, 15 minutos para interagir”, explica.

Benefícios terapêuticos

Idosos do Espaço Convivência recebem visita dos cães da ONG Pet Amigo

Foto: arquivo Pet Amigo – Idosos do Espaço Convivência recebem visita dos cães da ONG Pet Amigo

A interação homem-animal pela Pet Terapia oferece benefícios já comprovados por estudos científicos internacionais, os quais relatam melhoras na saúde do paciente. Cardiologia, fonoaudiologia e tratamentos psicomotores são algumas das áreas da Medicina em que atua a AAT. É o que explica a fisioterapeuta do Grupo Altevita – Espaço Convivência, Maria Laura Pinheiro Bezerra. Na instituição são atendidos idosos saudáveis e em tratamento.  “Quando o idoso chama pelo cachorro, estimula o trabalho nos que possuem problema de fala, melhorando a dicção; ao acariciar, jogar a bola e pentear os cães, trabalha-se a coordenação motora e reduz-se riscos de problemas cardíacos; a interação ameniza efeitos da depressão, pois aumenta os níveis de endorfina, que tem uma potente ação analgésica e proporciona sensação de bem-estar; auxilia em tratamentos respiratórios; diminui a ansiedade e a dor; e, portanto, também é reduzida a utilização de medicamentos”, avalia.

A estudante de ciências sociais Júlia Portela, 18, é pet amiga há aproximadamente dois meses e atua na equipe de logística e comunicação da entidade – o setor coordena visitas e lida com assuntos administrativos. Ela conheceu a ONG em uma das visitas mensais ao Espaço Convivência. Júlia não possui cachorro, mas atua principalmente em conversas com aqueles que têm medo de cães. “Alguns idosos até choram de emoção e eu já escutei tantas histórias… É melhor coisa que já fiz na minha vida, faz-nos abrir os olhos para o tanto de vida [que há] em volta de nós e como a felicidade é mais simples do que a gente pensa ser, acho que essa foi a maior lição que o projeto me deu”, relata.

ONG Pet Amigo realiza Pet Terapia em entidades de saúde no DF

Foto: arquivo – ONG Pet Amigo realiza Pet Terapia em entidades de saúde no DF

A ONG Pet Amigo nasceu em março deste ano, mas o projeto existe desde agosto de 2016, idealizado pela sua atual presidente, Nayara Brea, enquanto atuava junto à associação dos voluntários do Hospital de Apoio de Brasília (HAB). O projeto reúne atualmente 30 voluntários humanos e cerca de 14 cães cadastrados. O encontro dos membros acontece nas instituições a serem visitadas, pois a entidade não possui sede própria. A entidade também não mantém abrigo de animais e nem possui cachorros para adoção.

Seja um pet amigo

Podem ser voluntárias pessoas que possuem ou não um cachorro. O pet amigo humano pode participar como puder, porém o voluntário que participa das visitas precisa gostar de conversar e ter controle emocional, uma vez que também são visitadas pessoas com problemas sérios de saúde, como as que sofrem com câncer.

Para a candidatura de cães, basta enviar mensagem para o e-mail projetopetamigo@gmail.com e preencher um formulário. Após este procedimento é agendada a análise comportamental. A seleção acontece a cada três meses (a última foi este mês) em casa de um dos voluntários, onde a equipe de veterinários aplica testes para avaliar saúde e  comportamento do animal.

Voluntários preparam seus cães para o trabalho como pet terapeutas

Foto: arquivo Pet Amigo – Voluntários preparam seus cães para o trabalho como pet terapeutas

 

A ONG Pet Amigo visita os espaços do Grupo Altevita há aproximadamente três meses. O HAB, onde se iniciou o projeto, recebe os pets semanalmente, às quintas-feiras (exceto feriados). Já o Lar dos Velhinhos Maria Madalena é atendido mensalmente pelos pet terapeutas. A ONG também atende escolas e pretende levar a pet-terapia aos pacientes do Hospital Sara Kubistchek. Para mais informações, acesse o site www.petamigo.org.br e demais redes sociais: petamigo_ong (Instagram) e ong_petamigo (Facebook).

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