Educação

Jogo de cartas ajuda na comunicação com surdos

O Librário, programa gratuito do CCBB, promove semanalmente a inclusão social por meio de atividades lúdicas

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Todos os sábados, crianças e adultos se reúnem no Centro Cultural do Banco do Brasil (CCBB), para aprender uma nova língua, é o projeto Librário. Funciona como uma espécie de jogo de cartas com o objetivo de ensinar alguns sinais em libras vinculados a artes visuais e ao cotidiano. Depois, é feito um jogo da memória para exercitar os sinais e memorizá-los. Responsável pela condução da atividade, a educadora Thalita Araújo lembra que o projeto começou no ano passado, sempre de forma gratuita. “Começa às 13h, todos os sábados. Por fins pedagógicos, é recomendado para crianças maiores de 7 anos”, explica.

Ela enfatiza a importância do esclarecimento da população a respeito da comunidade surda. “Acho justo que exista um gatilho mostrando a essa parcela da população que eles existem. Quando eu aplico as aulas vejo que muitas pessoas não sabem nem o que significam esses sinais. Às vezes, confundem com mímica.”

O funcionário público Cláudio de Souza passeava com a filha Manuella quando a menina se interessou pela grande estrutura montada no espaço do CCBB. “Nós costumamos vir bastante aqui, e hoje foi a primeira vez que o jogo chamou a atenção dela. Ela foi logo perguntando: O que significam essas coisas que eles fazem com as mãos? Achei uma ótima oportunidade para explicar esse novo universo dos sinais, que até então era desconhecido”.

Estrutura do jogo da memória montada no CCBB

Estrutura do jogo da memória montada no CCBB

De acordo com Cláudio, também é dever dos pais introduzir esse sentimento de inclusão dos surdos na vida das crianças. “É uma maneira de fazer as crianças perceberem que existem sim pessoas diferentes delas, com necessidades diferentes, e que a convivência e comunicação com essas pessoas, é possível”.

A experiência da interação com a língua de sinais desde criança é vivida por Cristian Cruz da Silva, que trabalha como assistente social no Hospital de Base do Distrito Federal e também é o pai do Thiago, de 8 anos. “Eu estava me preparando para aplicar um curso de libras para os funcionários do hospital que trabalho, e o meu filho Thiago me viu planejando as aulas e começou a se interessar pelo assunto”.

Thiago já aprendeu o alfabeto e os cumprimentos em libras. O pai do menino continua estimulando-o a desenvolver a comunicação e integração com essa comunidade. “É importante fazer crescer esse senso de pertencimento, aceitabilidade e respeito entre os ouvintes e os surdos”, afirma Cristian.

Thiago e Cristian fazendo o sinal de "oi" em Libras

Thiago e Cristian fazendo o sinal de “oi” em Libras

Língua de Sinais

A Língua Brasileira de Sinais tem origem no antigo Instituto Nacional de Surdos, fundado em 1857, que utilizou a metodologia da língua de sinais francesa para moldar esse conjunto de movimentos.

As linguagens de sinais não são universais, elas possuem sua própria estrutura de país para país e mudam até mesmo de região para região dependendo da cultura daquele local.

A língua é oficialmente reconhecida através da Lei 10.436, de 24 de abril de 2002. Hoje, ela é regulamentada como disciplina curricular e é reconhecida como uma língua, e não uma linguagem, por conta da sua estrutura gramatical e particularidades. Ao contrário do que muitos pensam, libras não são apenas “gestos” ou “mímicas”. Por exemplo: É preciso fazer expressões faciais e sinais precisos, para que os mesmos não sejam confundidos.

 

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