Cidades

Bombeiros reclamam da falta de consciência dos motoristas

Carros que não dão a preferência, estacionam em local irregular e que impedem o acesso ao hidrante são apontados como principais problemas

_DSC0008Vítimas de acidentes de trânsito, engasgamento, afogamento e incêndios. Estas são apenas algumas das emergências que o Corpo de Bombeiros atende diariamente. O socorro às ocorrências tem uma característica em comum: a necessidade do atendimento rápido. Mas pelo menos uma vez por dia as viaturas encontram dificuldade no trajeto até o local do chamado. São motoristas que bloqueiam a faixa da esquerda, que aceleram quando veem a viatura, que estão desatentos aos sinais luminosos e sonoros, que não dão a vez e que estacionam em locais irregulares. “Já tivemos dois casos hoje”, lamente o sargento Joberth.

Além de cometer uma infração, essas atitudes atrasam o atendimento e podem custar a vida de uma vítima que espera por socorro. O sargento lembra que em um dos casos o motorista não deu passagem para a viatura e o outro só saiu depois de xingar os bombeiros. De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, é proibido estacionar o veículo fora da vaga, impedir a passagem de outros carros ou pedestres, bloquear o hidrante de incêndio e não dar passagem para viaturas. As infrações variam entre média e gravíssima e podem resultar em multa de até R$ 293,47, sete pontos na carteira e remoção do veículo.

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O Diretor de Policiamento do Detran-DF, Glauber Peixoto, afirma que o grande problema está na falta de consciência dos motoristas que estacionam em locais irregulares para não precisar andar muito. “A ideia de andar menos gera problemas, riscos”, diz. Glauber explica que quando o Corpo de Bombeiros recebe um pedido de socorro, a central de atendimento integrado verifica a necessidade da presença de mais de um órgão competente na ação e o Detran já é encaminhado na mesma hora se for necessário. Em 2016, 30 carros foram flagrados por estacionar junto ao hidrante. Este ano, até julho, já foram 23 autuações.

Nos casos em que os Bombeiros já estão a caminho ou durante o atendimento e acontece a infração, é solicitada a viatura do Detran ou da Polícia Militar, mas primeiro ocorre o socorro. É o caso dos carros estacionados em locais indevidos, que impedem a aproximação adequada do veículo socorrido. O subtenente Hélio Campos lembra que em alguns casos foi preciso tirar o veículo a força. “Já tivemos que arrastar veículo”, conta. Em situações extremas já foi necessário quebrar os vidros do carro para passar com a mangueira de incêndio por dentro. “A gente procura mensurar um dano menor, ou seja, o dano que é causado em cima de uma causa maior”, explica.

Conscientização

Quando os bombeiros são chamados para prestar atendimento é feito um procedimento padrão. Em caso de incêndios, por exemplo, saem do quartel pelo menos quatro viaturas, uma ambulância de resgate, um veículo de gerenciamento, que ajuda no deslocamento e fluxo no trânsito das viaturas maiores, uma viatura de salvamento e o caminhão de combate a incêndio. Os veículos maiores apresentam características específicas, por exemplo, a dificuldade de manobras e de paradas bruscas. Isso acontece devido ao peso e ao comprimento deles, que podem chegar a 30 metros. O objetivo da corporação é prestar socorro no menor tempo possível. E se engana quem achar que somente os motoristas atrapalham, pedestres e ciclistas também dificultam o trabalho do Bombeiro.

Com os pedestres os cuidados são diferentes. O sargento e o subtenente contam que é muito comum as pessoas entrarem nas faixas sem prestar atenção na pista. Para evitar acidente os motoristas de viatura mais experientes reduzem a velocidade na hora de fazer essas travessias. Eles chamam atenção para a importância da mudança de comportamento. “Evitar o uso dos fones de ouvido e celulares”, indica o sargento Joberth. “Caso não consiga evitar, o melhor é colocar em um volume moderado a ponto de perceber o ambiente”, conclui.

Habilitado há nove anos, o brigadista Wescley Barreto dirige por 26 km de casa até o trabalho, quase todos os dias. Ele já passou por diversas situações em que os carros de socorro pediram passagem no trânsito e lembra da vez em que estava em um engarrafamento na EPTG. “Eu tive que subir no canteiro para o caminhão dos Bombeiros conseguir passar”, fala. Wescley afirma que a própria profissão lhe trouxe consciência da importância de um atendimento rápido, por isso, sempre que vê um carro de emergência procura dar passagem em segurança.

Para os motoristas, as recomendações são: manter a faixa de esquerda livre, manter a calma quando ver a sirene, só acelerar o carro para dar passagem quando for necessário. Em alguns casos, manter o veículo na velocidade da via para que os outros condutores possam se posicionar e manter uma faixa livre em casos de acidentes. “São atitudes que eles podem tomar que facilitam a atuação do bombeiro desde a saída da viatura do quartel até o local do incidente”, encerra o sargento Joberth. _DSC0006

 

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