Cidadania

Projeto da UnB fornece próteses faciais à população carente

Próteses que chegam a custar até R$ 50 mil, saem de graça para quem não tem condições de pagar

Quase 10 anos. Foi este o tempo que a dona de casa Rosilene Silva passou à espera de uma luz que a trouxesse de volta às ruas da cidade sem medo, ou vergonha de ser censurada pelos demais. Isso aconteceu depois que ela teve carcinoma, um tipo de câncer no olho, que se espalhou por todo lado direito da face.

Em 2008, como alternativa para conter o avanço da doença, os médicos precisaram retirar um dos olhos, uma parte da sobrancelha e da maçã do rosto da paciente.

Desde então, um tampão, com gaze e esparadrapo, virou parte da dona de casa, que passou a se sentir infeliz e deixou de sair às ruas por vergonha do que as pessoas falariam dela. “A gente fica com a autoestima baixa. Não é algo que comum né. As pessoas me viam e achavam estranho”, diz Rosilene.

Rosilene com um tampão no olho enquanto espera a troca de sua prótese.

Rosilene com um tampão no olho enquanto espera a troca de sua prótese.

Este é mais um retrato das várias pessoas que são atendidas semanalmente pelos estudantes de odontologia da Universidade de Brasília (UnB). Desde 2005, o projeto liderado pela professora Aline Úrsula vem trazendo nova perspectiva de vida para pacientes que sofrem com a mutilação facial. “A gente faz esse trabalho para tentar dar qualidade de vida a pessoas que talvez não teriam, se ainda estivessem com a mutilação à vista”, afirma.

A iniciativa partiu da professora após se especializar em buco-maxilo-facial, área da odontologia que também é responsável por reparos no rosto dos pacientes. A ideia é buscar um tratamento que diminua o impacto da perda de partes da face de cada paciente e também propicie uma alternativa grátis a quem não tem condições, já que as próteses podem variar de R$ 3 mil a R$ 50 mil, dependendo da complexidade, conta a dentista. ”No começo, eu cuidava mais de casos relacionados a reconstrução danificados por câncer bucal. Aí os alunos começaram a se interessar e expandimos o projeto”, comenta Aline.

Prótese de olho sendo modelada por estudante de odontologia

Prótese de olho sendo modelada por estudante de odontologia

Procedimento

Todas as semanas, uma série de pacientes recebe atendimento  pelos quase 40 voluntários, divididos entre estudantes, professores, auxiliares e dentistas. Os diagnósticos são vários, perda de visão, mutilação da bochecha ou nariz. Mas a busca é igual para todos, a de uma prótese capaz de preencher o vazio presente no rosto dos pacientes. Entre abril e junho deste ano, foram 22 próteses fornecidas pelo hospital. E mais de 20 pessoas ainda aguardam atendimento.

Para receber as próteses, os pacientes precisam primeiro passar por um atendimento médico em algum hospital da rede pública do Distrito Federal para então serem encaminhados para o Núcleo Ambulatorial de Órteses e Próteses, na estação do Metrô da 114 Sul, para darem entrada no pedido e então poderem começar o tratamento no Hospital Universitário de Brasília, onde serão atendidos.

Raimundo Nonato, trocando a prótese do olho

Raimundo Nonato, trocando a prótese do olho

As consultas acontecem todas as sextas-feiras e cada paciente leva de três a quatro semanas para concluir todo o processo de construção e adaptação da prótese. Raimundo Nonato, pedreiro, conta que não foi fácil se adaptar e que o processo todo, apesar de um pouco demorado, acaba valendo a pena, pois proporciona um bem-estar único.

“Foi difícil no começo, a prótese no olho foi um pouco desconfortável no começo, mas agora eu não consigo viver mais sem”, comemora Raimundo. Aline justifica que é esse tipo de reação dos pacientes que motiva a continuidade do projeto de assistência. “É muito gratificante, depois de fazer todo o tratamento, ver a alegria dos pacientes com a nova prótese”, finaliza.

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