Cultura

Obras clássicas ilustram muros do Parque da Cidade

Grafites inspirados em Di Cavalcanti e Volpi, entre outros clássicos, estão presentes em 32 imagens espalhadas por muros e áreas de lazer

O grafiteiro Welton Profeta realizando um trabalho com grafite

O grafiteiro Welton Profeta realizando um trabalho com grafite

O grafite faz parte do cotidiano dos brasilienses. A arte está por todos os cantos da cidade e os parques têm se tornado novos espaços das cores e formas retratadas pelos grafiteiros. No Parque da Cidade, 32 imagens ilustram os locais próximos às diversas churrasqueiras e áreas de lazer.

Para aqueles que desejam ver as pinturas, a entrada principal pelo Eixo Monumental e a próxima à Quadra 901 Sul estão repletas de imagens. Algumas das obras foram inspiradas em artistas clássicos brasileiros, como Di Cavalcanti e Volpi.  “A gente faz parcerias com as administrações dos parques para revitalizar os espaços e trazer o grafite para toda a população ”, diz o empresário, professor e grafiteiro Welton Profeta dos Reis.

As pinturas foram feitas durante o Encontro de Grafite do Distrito Federal, evento promovido pela Secretaria de Cultura que reuniu diversos artistas no mês de maio. A Secretaria da Cultura e a Administração do Parque afirmam que os eventos promovidos são desenvolvidos com o intuito de discutir e promover o reconhecimento e a valorização da arte urbana. De acordo com a administração, existe uma expectativa de oferecer imagens bonitas à população que deve ser cumprida.

Existem outros projetos e movimentos que incentivam o grafite no DF, inclusive por parte dos próprios artistas. Reis fez parte do Mosca – Movimento Sociocultural e Ambiental que realiza grafites e busca levar a arte e a cultura para dentro dos parques de Brasília. “Transformar a arte em algo cotidiano era a nossa intenção ao grafitar nos parques” conta.

A grafiteira Naiana Mendes, que participou da ação no Parque da Cidade, defende que expressar sua arte é o mais importante. “Faço grafite na rua, de forma autônoma e sem nenhum incentivo, pinto porque gosto de expressar e a rua é livre’’. Algumas pessoas afirmam que existem similaridades entre o grafite e a pichação. Ambos são pinturas feitas com tintas spray e representam manifestações culturais urbanas do século XX. O grafite é uma arte baseada em desenhos, onde todas as letras e figuras são pensada e elaboradas, ao contrário da pichação, que representa o ato de escrever ou rabiscar quase sempre para demonstrar indignação ou defender uma causa.

Os grafiteiros afirmam que essa diferença é mínima. Segundo eles, o que existe é uma rivalidade interna.  Reis conclui que a sociedade enxerga as duas artes de forma diferente, mas na verdade ambas estão interligadas. “ A gente sabe que elas estão relacionadas, só que uma usa a criatividade e a outra o retorno social, desperta a raiva, o desprezo e outros sentimentos.”

O grafiteiro Marco Silva concorda com o pensamento de que as artes se complementam. “São duas formas de expressar o que pensamos, não é só tacar tinta no muro, muita gente diz que o grafite embeleza e a pichação é vandalismo, mas uma tem a ver com a outra.”

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