Economia

Falta de planejamento leva jovens a endividamento

Segundo dados da CNDL e SPC Brasil, 5,1 milhões de 18 a 24 anos têm alguma conta em atraso ou com o CPF registrado nos cadastros de devedores

De acordo com a pesquisa feita pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o país encerrou o mês de agosto com 59,1 milhões de brasileiros com contas em atraso ou com o CPF restrito. Na faixa etária dos 18 a 24 anos, o número é de 5,1 milhões com alguma conta vencida e com o CPF registrado em cadastros de devedores. O economista Newton Marques esclarece que um dos problemas é a falta de planejamento financeiro. “Por falta de planejamento financeiro e com o poder de compras, os jovens têm acesso fácil aos bens de consumo em geral, assim gerando o consumo desenfreado e o endividamento”, afirma.

O resultado no fim do mês, ao se deparar com o salário curto para pagar as contas, ou quando se fica desempregado, é acumular dívidas. Quando decidem ter uma vida independente, a situação costuma piorar. É o caso do cuidador de idosos Thaynan Dias, 23 anos. “Quando fui morar sozinho, usei muito o cartão de crédito para comprar os objetos para casa. Já tem três anos que meu nome está no cadastro de devedores”.

De acordo com a SPC Brasil, a maior parte das dívidas dos brasileiros é com cartão de crédito (76,8%), seguido por carnês (15,4%), crédito pessoal (11%), financiamento de carro (10,1%) e financiamento de casa (8%). O tempo médio de atraso nos pagamentos é de 63,1 dias.

O auxiliar administrativo Lucas Lorran, 21, fez o uso do cartão de crédito além do limite e não conseguiu pagar as faturas em dia. “Fiz compras abusivas no cartão de crédito, tem seis meses que meu nome está no SPC. Estou renegociando as dívidas, tem pouco tempo que voltei para o mercado de trabalho”, comenta.

A economista Sueli Bessa indica como alternativa a definição de prioridades mensais. “Os principais motivos do endividamento dos jovens são: gastos acima do que ganham, falta de planejamento das receitas e despesas, uso abusivo do cartão de crédito e perda do emprego”, afirma.

A desempregada Silverlene Diniz, 21, ao perder o emprego, deixou de pagar as faturas do cartão de crédito e de carnês de lojas. “Não tive como continuar pagando as minhas contas, pois fiquei desempregada. Já tem três anos que meu nome consta no cadastro de devedores, não faço renegociação das dívidas, por falta de oportunidade no mercado de trabalho”. As informações apresentadas na pesquisa referem-se a capitais e interior das 27 unidades da federação.

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