Comportamento

Movimento punk inspira jovens a viverem livres de drogas

Além da postura antidrogas, o veganismo e sexo seguro estão entre os principais pontos defendidos pelos adeptos do Straight Edge

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O movimento Straight Edge surgiu em meados da década de 1980 nos Estados Unidos como uma subcultura do movimento hardcore punk. Ele defende a abstinência em relação ao uso de bebidas alcoólicas, tabaco e também de drogas ilícitas. No Brasil, o movimento só ganhou espaço nos anos 90. No Distrito Federal nunca se consolidou, mas jovens como Antônio Monteiro de Barros, estudante de 19 anos, buscam seguir, à maneira deles, boa parte dos pontos defendidos pelo movimento. “Conheci o movimento há três anos por conta da música e desde então me interessei. Por ser um movimento libertário, ele também não busca fazer com que os seguidores estejam presos àquela filosofia, até por isso não me declaro como Straight Edge, mas concordo e sigo boa parte dos pontos defendidos”, comenta Antônio.

Além da postura antidrogas, outras vertentes do movimento também pregam o veganismo e a prática do sexo seguro, enquanto alguns são absolutamente contrários ao consumismo. Por ser um movimento ligado ao punk existe uma postura anarquista, e portanto, não obriga seus membros a criarem um vínculo com o movimento, sendo algo bem mais identitário. O estudante de 20 anos, Vinícius Leite conta que apesar de positivas, algumas atitudes são elitistas, como o veganismo. “Não são todas as pessoas que conseguem arcar financeiramente com uma dieta vegana e balanceada. E, nesse ponto, o movimento é consciente em não ser tão restrito a todos os pontos”, afirma Vinícius.

O uso de drogas entre os jovens tem crescido na última década. Na Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE), divulgada pelo IBGE em 2015, os resultados mostram que o percentual de jovens que já experimentaram bebidas alcoólicas subiu 5,2% em relação ao ano de 2012. Já a taxa dos que usaram drogas ilícitas aumentou 1,7% no mesmo período. Também subiu o número dos que relataram a prática de sexo sem preservativos, de 24,7% para 33,8%. Os resultados preocupam o adolescente de 16 anos, Otávio Felipe que simpatiza com o movimento e desde cedo já evita o uso de tais substâncias. “Já houve problemas familiares por conta de bebida e fumo, então desde cedo eu evito pois sei onde isso pode levar”, comenta. O jovem ainda relata que apesar da postura, sofre com a pressão dos amigos quando sai para locais em que há o consumo. “Existe uma pressão muito grande para que eu beba e fume. Apesar dessa pressão, eu tento me manter forte no meu posicionamento e seguir com a minha postura”, completa Otávio.

Contracultura

O movimento Straight Edge pode ser definido como um movimento de contracultura, ou como uma forma de resistência que busca se abster do uso de substâncias psicoativas, lícitas ou ilícitas. Para o sociólogo e professor Eládio Oduber, a ideia surge a partir do momento em que os integrantes têm a consciência dos malefícios que o uso de tais substâncias podem trazer. “Movimentos como esse surgem e são aderidos por pessoas que não encontram sua identidade em outros grupos ou mesmo por consciência de que o uso de tais substâncias são nocivos à saúde”, comenta.

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