Cidadania

Protetores independentes abrem mão da vida pessoal por animais

Em comum, a adoção, mesmo que temporária, e os cuidados para a procura de um lar

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Os protetores independentes de animais  usam do próprio dinheiro e espaço pessoal para cuidarem daqueles que foram abandonados ou que jamais conheceram um lar, os chamados ferais. Natália, Ulemá, Ana e Yzabella têm em comum a paixão pelos bichos. As quatro relatam que, em nome deles, chegam a abrir mão da vida pessoal. “Há dez anos não saio de casa no ano novo e nem em dias de trovoada”, diz Ulemá. “A minha rotina diária é focada na proteção e resgate de animais”, conta Ana Tereza.

A bacharel em direito Natália Dutra é ativista desde os 9 anos, quando viu um cachorro atropelado na rua. Pegou no colo e levou para o colégio para que algum professor pudesse salvá-lo. Hoje, com 30 anos, Natália passa grande parte do tempo se dedicando à proteção de animais abandonados e animais ferais. Na casa dela, cuida de seis cachorros e 21 gatos, todos os felinos sob seus cuidados têm FELV, um tipo de leucemia. Os animais vivem pacificamente e todos passaram por castração. ” Eu não desejo que ninguém entre na militância do protecionismo animal, isso mexe demais com a cabeça das pessoas e faz com que elas vejam coisas terríveis que o ser humano pode fazer”, relata Natália.

A também protetora Ulemá Campos, de 58 anos, vive em uma casa no Jardim Botânico, onde cuida de seis cachorros e abriga temporariamente os gatos que vão aparecendo por lá. “Os vizinhos reclamam constantemente, roubam a gaiola e boicotam a castração dos gatos e até mesmo meus cuidados com os cachorros. Já envenenaram os gatos da vizinhança diversas vezes para poder ‘acabar’ com eles”, reclama Ulemá. Ela diz que não sai de casa em dias de trovão e no Ano Novo devido ao medo pelo qual passam os cachorros.

A bióloga da ONG Atevi, Ana Tereza Casasanta, comenta  que a principal área de atuação da entidade é a Universidade de Brasília. Os animais resgatados são castrados e colocados para adoção, os que não se adaptam são devolvidos à rua. “Os lares temporários são as nossas casas, não temos um lugar separado para que os animais passem o tempo de repouso depois dos tratamentos que damos”, conta Ana Tereza sobre as situação que os protetores independentes passam.

Para garantir o tratamento aos animais na casa da servidora pública Ysabella Vieira são feitas rifas, venda de bolos e biscoitos para cachorros, além da promoção de bazares para conseguir o dinheiro necessário ao tratamento. Em alguns casos, ela conta com a colaboração das pessoas que apoiam a causa para ajudar com os custos. “O ativismo afeta diretamente a vida dos meus filhos e a minha, não posso fazer uma viajem quando necessário, sem que interfira diretamente na vida deles”, reclama Ysabella.

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