Cultura

Videogames se consolidam como produto artístico e cultural

Como filmes, livros e álbuns, os jogos contam com elementos de narrativa, roteiro e trilha sonora

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Os videogames não são mais somente uma forma de entretenimento. Desde que ganharam espaço no mercado brasileiro, na década de 1990, os jogos eletrônicos cresceram de forma consistente, levando o Brasil ao quarto lugar no ranking mundial de usuários e jogadores -  atrás apenas dos Estados Unidos, Japão e China. Na América Latina, o Brasil lidera e é responsável por cerca de 35% do total da receita gerada pelo setor. Mas, apesar de toda expressividade, os games ainda sofrem com o estigma social que não reconhece o meio como artístico e cultural. Para o professor de antropologia Claúdio Bull tal estigma ocorre pela dificuldade de parte do público em perceber os elementos componentes dos videogames. “Os elementos estão presentes: a narrativa, o roteiro, a trilha sonora, a arte visual, assim como um filme, um livro ou álbum possuem esses elementos, nos games eles se encontram presentes e atuam de forma conjunta”, comenta.

O professor ainda acredita que a difícil aceitação vem perdendo força, principalmente por dois fatores: a geração que cresceu nesse meio hoje é mais influente e o crescimento e a acessibilidade aos jogos. “No início, é difícil ter uma aceitação porque as gerações mais velhas não tem acesso e acabam não vendo como algo produtivo. Mas com o envelhecimento das gerações que cresceram com os games há uma aceitação maior porque passa a ser algo passado de geração para geração”, completa Cláudio.

Além de apresentarem características artísticas e culturais, os videogames também ajudam a estimular o crescimento e a interação social. Para o sociólogo Eládio Oduber, a disseminação desse meio ajudou pessoas que tinham um perfil mais introvertido a encontrarem um lugar onde se sentem confortáveis para interagir entre si. “É perceptível que a comunidade tem o seu espaço bem definido na sociedade, eles promovem eventos e encontros que levam muitas pessoas. Por se tratar de uma geração mais jovem, eles dominam os espaços digitais que são um grande meio de interação para eles”, explica Eládio.

Um dos fatores que mais atrai os jovens aos videogames é a interatividade e a imersão que os jogos possibilitam. Diferentemente de um livro onde você precisa imaginar todo o contexto e a ambientação da cena que se passa, nos jogos está tudo mais palpável para quem joga. Em jogos de guerra, como Medal of Honor, Battlefield ou Call of Duty, por exemplo, a experiência é bem mais vívida do que em livros ou filmes. Você atua, de fato, como um soldado na guerra e tem que tomar decisões que impactam diretamente na vida (ou morte) de outras pessoas.

Mercado em ascensão

Há 20 anos dizer que queria trabalhar com videogames podia parecer algo impossível aqui no Brasil, mas o mercado cresceu e se desenvolveu tanto que já é possível viver de fazer joguinhos. No início dos anos 90, o país contava apenas com três empresas estrangeiras de consoles e jogos e a industria sofria bastante com a pirataria dos cartuchos e dos sistemas, com os chamados famiclones. Hoje, segundo a Associação Brasileira dos Desenvolvedores de Jogos Digitais (Abragames), já são quase 300 empresas de desenvolvimento de jogos no país.

O mundo dos games vem crescendo tanto que já influencia outras áreas tanto cultural e artisticamente quanto no quesito mercadológico. O diretor de arte Guilherme de Lacerda Mesquita, 26, que tem os videogames como uma grande paixão desde pequeno, percebe a influencia no seu trabalho. “Muito do processo criativo que eu realizo no meu trabalho, a estética, a interatividade e a imersão do público têm uma influência muito forte dos games”, comenta.

Além de diretor de arte, Guilherme também é quadrinista. Em um dos quadrinhos dele, a personagem Punk Fu tem todo seu estilo baseado em personagens de jogos de briga de rua, como Cadillacs and Dinosaurs e Final Fight. “Quando era criança e adolescente joguei muito naqueles fliperamas e gostava muito desses jogos de briga de rua. Desde então já tinha ideias para personagens baseado nesses jogos. Se possível, um dia gostaria de criar um jogo com a história do quadrinho”, completa, empolgado, Guilherme.

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