Cultura

GDF cria Parque Audiovisual, mas projeto ainda não tem data para sair do papel

Enquanto isso, Pólo de Cinema e Vídeo, criado na década de 90 para incentivar o desenvolvimento da sétima arte no DF, hoje é um investimento abandonado pelo governo

Fachada frontal do Pólo de Cinema e Vídeo de Brasília. Local está trancado e abandonado.

Fachada frontal do Pólo de Cinema e Vídeo de Brasília. Local está trancado e abandonado.

Para tentar minimizar a falta de incentivo ao setor cinematográfico e a traçar um novo objetivo para o Pólo de Cinema e Vídeo, que foi esquecido pelos governos ao longo dos anos, em setembro o governador Rodrigo Rollemberg anunciou a criação do Parque Audiovisual de Brasília.

A área destinada ao projeto será 27 vezes menor que do atual polo: serão 147 mil metros quadrados. Mas a localização será melhor, em um terreno do GDF próximo ao Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB), à beira do Lago Paranoá.

“Este lote está posicionado em uma área muito nobre e confere mais possibilidades para atrair investidores e parceiros institucionais, permitindo a criação de um ambiente mais favorável à produção audiovisual”, afirma o secretário de Cultura, Guilherme Reis.

Para ele, a motivação principal para se buscar um novo lugar para o funcionamento do Pólo de Cinema, se deve à demanda do setor por um equipamento público capaz de suprir as carências de uma nova realidade da produção audiovisual.

Portal de entrada do Pólo de Cinema e Vídeo, em Sobradinho II. Estrada de chão e sem sinalização desestimulam visitantes a irem até o local.

Portal de entrada do Pólo de Cinema e Vídeo, em Sobradinho II. Estrada de chão e sem sinalização desestimulam visitantes a irem até o local.

“O pólo de Sobradinho ficou obsoleto e não atende mais a demanda de um mercado que está cada vez mais profissional, digital e diversificado em produtos”, justifica o secretário.

Entretanto, ainda não existe projeto de como ficará a área e nem como será a destinação. Tampouco quando começarão as obras e quando elas serão entregues. Ou seja, a população pode comemorar a iniciativa do governo, mas precisa ficar atenta e acompanhar o destrinchar da situação para que o projeto saia do papel.

De acordo com o secretário, o antigo espaço será devolvido à Terracap que definirá qual será a destinação do terreno. Com relação às instalações já existentes, como o prédio e a antena de transmissão, a Secretaria não informou o que será feito.

Situação precária

Criado em 1991 durante o boom cinematográfico em Brasília, o Pólo de Cinema e Vídeo da capital federal veio para agregar e trazer promessas de desenvolvimento de um setor da cultura restrito a São Paulo e Rio de Janeiro. As promessas eram animadoras e movimentaram muitos artistas, diretores e produtores que buscavam oportunidades para expor suas ideias sobre a sétima arte.

Antigo Pólo de Cinema e Vídeo, hoje é uma área apenas frequentada por cavalos, que pastam no local.

Antigo Pólo de Cinema e Vídeo, hoje é uma área apenas frequentada por cavalos, que pastam no local.

Porém, a execução deixou a desejar e os incentivos para fomento da indústria foram poucos. Aliado a isso, a localização do Pólo, apesar de ser em uma das regiões mais altas do DF, dificultou que o trabalho fosse executado por lá. As instalações ficam em Sobradinho II, a 41 km de distância da Rodoviária do Plano Piloto e, para chegar até lá, é preciso pegar, ao menos 2 ônibus.

E a ausência de um centro de multimídia prejudica não só a cultura da região, como também os profissionais que vivem de arte. O ator, Tiago Mesquita, que atua há sete anos em peças de teatro na capital, reclama que da falta de incentivos desestimula a produção de projetos cinematográficos na cidade. ”A falta de infraestrutura e apoio é bem prejudicial. Só neste ano, dois amigos diretores levaram seus projetos de longa-metragem para São Paulo, pois eles foram mais estimulados a produzir lá do que aqui. Isso é muito prejudicial para quem sonha em ser ator”, reclama.

Apesar de ter sido reformado em 2013, durante o Governo de Agnelo Queiroz, com o objetivo de servir de local para as filmagens do longa-metragem “O outro lado do paraíso” – vencedor de 7 prêmios do Festival de Cinema de Brasília – a área de 4 milhões de metros quadrados hoje está abandonada. E o que antes era dedicado a produção cinematográfica, hoje serve de local para pastagem de cavalos.

Além da distância, é preciso enfrentar um trecho de estrada de chão para chegar ao local. O portal de entrada do pólo é facilmente visto à distância. A sua esquerda, uma família se instalou no local e ajudam os turistas que não sabem para que lado fica o prédio principal. Ao chegar no local, os visitantes encontram o portão de acesso trancado com cadeado e ninguém que possa autorizar a entrada para reconhecimento do espaço.

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