Comportamento

Vertentes do movimento feminista impulsionam a prática da não depilação

O comportamento, que ainda não é bem visto pela sociedade, reflete uma mudança de pensamento das mulheres do século 21

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A depilação corporal é considerada uma atividade comum entre as mulheres, que relatam fazê-la por fins estéticos e higiênicos. Na contramão de um padrão de beleza imposto, muitas optam por não retirar os pelos em regiões como as axilas, a virilha, as pernas e  rosto. O comportamento, que ainda não é bem visto pela sociedade, reflete uma mudança de pensamento das mulheres do século 21. Esta reflexão é impulsionada por vertentes do movimento feminista, que apontam uma relação entre a prática da não depilação, a liberdade de escolha e a aceitação do próprio corpo.

A estudante de história Érika Barros conta que começou a deixar os pelos crescerem há um ano

A estudante de história Érika Barros conta que começou a deixar os pelos crescerem há um ano

A estudante de história Érika Barros conta que começou a deixar os pelos crescerem há um ano. “Tive uma crise de pânico ao ver que meus pelos da perna estavam crescendo e que as pessoas estavam notando. Fui me esconder no banheiro da faculdade”, relata. Após o ocorrido, Érika decidiu não deixar os pelos influenciarem no dia a dia. “Hoje me sinto muito mais à vontade para usar as roupas que quero, apesar do estranhamento social”, conta.

Já a psicóloga Beatriz Correia*, que prefere não se identificar, afirma já ter sofrido preconceito acerca dos pelos nas axilas. “Já sofri muito ataque de homens machistas, não posto muitas fotos e hoje, prefiro não me expor sobre meus pelos”, lamenta. Apesar disso, Beatriz diz tentar lidar da melhor forma com os ataques e não se deixa intimidar. Há quatro anos ela opta por não realizar a depilação de axilas, virilha e pernas e explica que pôde realizar essa escolha após ter contato com o movimento feminista, onde se aprofundou em questões sobre padrões estéticos, patriarcado e sociedade.

Muitos ainda relacionam a não depilação corporal à falta de higiene, mas o dermatologista Ricardo Fenelon frisa que a prática não é necessariamente anti-higiênica. “Isso vai depender dos cuidados de cada um. Uma pessoa com pelos pode ser tão asseada quanto uma pessoa sem pelos”, explica. O dermatologista afirma que, atualmente, depilar-se ou não é uma questão estética. “A procura pela depilação a laser aumentou significativamente entre os homens. Os pelos não possuem mais as mesmas funções de proteção”, explica.

Dermatologista Ricardo Fenelon

Dermatologista Ricardo Fenelon

A historiadora Sabrina Balthazar explica que a depilação de axilas, braços e pernas na Era Moderna foi movida por uma grande campanha de marketing, feita para uma marca de lâminas de barbear, além da popularização, entre as mulheres, do uso de saias e blusas sem mangas. “Aqui no Brasil, por ser um país tropical, temos a cultura da depilação”, conclui. O Brasil é o terceiro maior mercado consumidor mundial de produtos de beleza, segundo levantamento feito pela Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (Abihpec).

* Nome fictício

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