Educação

Após mudança de local, escola da Guariroba continua fechada

As obras começaram em 2016 e custaram R$ 3,8 milhões, mas detalhes ainda atrapalham a abertura do centro de ensino

Pátio de entrada da escola com os postes de iluminação esperando para instalação.

Pátio de entrada da escola com os postes de iluminação esperando para instalação

Com quase um ano de atraso, a nova escola da Guariroba – criada ao lado do Aterro Sanitário para atender estudantes da região – deveria ter sido entregue em janeiro junto com o novo depósito de lixo da cidade. Porém, alunos continuam a estudar em salas improvisadas na Administração de Samambaia.

Desde 2010 todos os governos estaduais e municipais estão obrigados a traçar planos para encerrar o funcionamento dos “lixões” brasileiros – grandes áreas abertas, sem o devido preparo e que são utilizadas para despejo de resíduos sólidos – por conta da Lei de Resíduos Sólidos. No Distrito Federal, a decisão de fechar o Lixão da Estrutural, o maior da América Latina, foi tomada durante 2011. A área escolhida foi de uma região arborizada depois da Expansão da Samambaia.

No centro do local existia uma escola de ensino fundamental, conhecida como Guariroba. Com o início das obras, os alunos foram transferidos para salas que ficam na Administração de Samambaia, onde estão desde março do ano passado, e a antiga estrutura foi demolida, com a promessa de reconstrução de outra a dois quilômetros dali.

As obras do Aterro Sanitário sofreram várias interrupções desde 2011, até finalmente serem concluídas no final de dezembro de 2016 e abertas para armazenamento de lixo em 2017. Porém, a escola que deveria ser entregue nesse período, ainda continua sem funcionar.

Entrada da escola sem o calçamento necessário para que deficientes utilizem.

Entrada da escola sem o calçamento necessário para que deficientes utilizem

De acordo com o cronograma da Secretaria de Educação, a previsão era de que o colégio estivesse pronto no começo do segundo semestre de 2017. Entretanto, a obra, que foi orçada em R$ 3,4 milhões, exigiu um novo aporte de dinheiro no valor de R$ 466 mil e acabou estendendo mais ainda o prazo de entrega.

A escola foi construída dentro de uma fazenda próxima, na beira da pista que liga Samambaia à Ceilândia, na DF-190. Apesar de ainda não ter uma rua com calçamento para acesso, a estrutura da escola já está pronta. As onze salas já estão construídas com suas janelas e portas. A fachada da frente também, assim como o refeitório para os alunos e o vestiário.

Porém, ainda faltam as cadeiras das salas e do refeitório, uma rampa de acesso para que alunos deficientes possam entrar na escola e assessórios para o término da quadra poliesportiva, como rede para o gol e tabela de basquete.

Ou seja, os detalhes impedem que aproximadamente 250 alunos voltem a estudar em uma local próprio para o ensino. Enquanto isso, todos esses alunos se apertam em salas de aula improvisadas na administração.

Texto 08 - Foto 01

O diretor da escola, Fernando Luís Travassos, lamenta a situação. Mas se mantém esperançoso quanto o andamento das obras e retorno dos alunos e professores a um ambiente mais apropriado para o ensino.

“O problema de estar aqui [na administração] é que a estrutura não é pra gente. Mas acho que agora, com o novo aporte de dinheiro feito pela Secretaria, e esse tanto de tempo passado, as obras não vão demorar a terminar e poderemos usar o novo espaço”, diz Fernando.

Os alunos também não aprovaram a mudança e não veem a hora de voltar. O principal motivo são as instalações provisórias que não conseguem atender as necessidades dessas crianças de 6 a 10 anos.

“É difícil. A gente não tem quadra pra jogar bola. E fica longe de casa. Antes dava pra voltar a pé, agora eu tenho que voltar de ônibus”, reclama Cauã Fernando Sousa, estudante de 9 anos.

A mãe de Cauã Fernando também desaprova a demora. Segundo ela, não se pode demorar tanto para disponibilizar uma estrutura adequada de aula, quando se tem o dinheiro para execução da obra.

“Eu demorar pra construir minha casa é normal. Não tenho dinheiro. Agora eles, com R$ 3 milhões não dá. Era pra acabar tudo em seis meses! E a nova escola é pertinho de casa, não preciso ficar andando tanto todo dia pra trazer o Cauã”, afirma Romina Sousa.

A nova previsão da Secretaria de Saúde é que a escola esteja pronta para uso no começo de 2018, assim, os alunos poderão começar o ano letivo numa escola nova, sem precisar de adaptação durante o semestre. Depois de pronta, a escola terá capacidade para atender até 500 alunos de várias séries.

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