Esporte

Falta de patrocínio é desafio para atletas da vela adaptada

Lago Paranoá é local de treino para cerca de 70 velejadores, que, mesmo com os desafios, acumulam conquistas em campeonatos

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#patrocínio #VelaAdaptada #VelaParaTodos atletas FBVA

Quem vê um atleta fazendo exercícios de alto desempenho, nem imagina o grau de dificuldade que ele deva enfrentar. Se esse atleta for, por exemplo, deficiente, os obstáculos a serem encarados são ainda maiores. Mas para o grupo de atletas brasilienses da atividade desportiva vela adaptada, modalidade que envolve barcos adaptados para pessoas com necessidades especiais, a principal dificuldade não está nos exercícios, tampouco na deficiência em si, mas na falta de patrocínio.

Fabrício Marques, 22 anos, é cadeirante e faz parte do projeto “Vela para todos”

Fabrício Marques, 22 anos, é cadeirante e faz parte do projeto “Vela para todos”

O projeto “Vela para todos” foi criado no ano de 2009, em uma parceria da Confederação Brasileira de Vela Adaptada com o Comitê Paraolímpico Brasileiro, com o intuito de fomentar o esporte no Brasil, visando as Paraolimpíadas 2016. Fabrício Marques, 22 anos, é cadeirante e faz parte deste time no núcleo de Brasília. No último campeonato de vela adaptada – Regata Cota Mil de Vela Adaptada -, ele ficou em segundo lugar. Há um ano ele pratica a atividade e não conta com patrocínio, apenas com o apoio do Vela para Todos.

“Conheci o projeto por meio de um amigo que também é cadeirante. Eu o ouvia falando sobre o barco e fiquei curioso para conhecer. Resolvi ir a um campeonato, me interessei e logo comecei a treinar. É tudo gratuito! A Federação recebe patrocínio, mas eu não. Este ano, o Governo Distrital concedeu duas bolsas que foram divididas entre nós. O incentivo foi de R$ 550”, relata o atleta, explicando que o esporte é universal, atendendo a qualquer tipo de deficiência.

A mesma realidade atinge Alexandre Uesugi, de 30 anos. Praticante de vela adaptada, ele tem o lado direito do corpo comprometido. “Conheci a modalidade através de um amigo meu da fisioterapia. Como já praticava Stand up Paddle, tive muita afinidade com a vela. Em pouco tempo, o pessoal me acolheu como família. Sem dúvidas, a vela me ajuda a relaxar, me deixa mais paciente. O esporte é algo desestressante e sentir a evolução dentro de você é sensacional”, conta. Segundo Alexandre, no próximo ano haverá um mundial da modalidade na cidade de Hiroshima, no Japão, evento do qual pretende participar. “Estamos pleiteando, tentando mostrar resultado para representar o Brasil neste mundial”, explica o atleta, vencedor de quatro competições em primeiro lugar.

De acordo com o presidente da Federação Brasiliense de Vela Adaptada (FBVA), Mauro Osório, hoje o programa assiste a 40 pessoas com Síndrome de Down e cerca de 30 com deficiência física. Para a manutenção do projeto, ele conta com o patrocínio de um banco, além de apoiadores como institutos, centro educacional e uma lanchonete, que fornece alimentação nos eventos esportivos.

“Estamos tentando outros patrocínios, pois temos gastos mensais que envolvem o pagamento de três professores, duas secretárias, a gasolina dos barcos. Além disso, dispomos de 28 voluntários cadastrados, mas pretendermos aumentar esse número. É impressionante como eles adoram o que fazem e vemos que é algo benéfico para eles também. Às vezes, muitas pessoas já não veem graça na vida, e de repente, ao virem para cá, passam a enxergar um novo sentido”, salienta Mauro.

Estevão Lopes, 39 anos, recebe bolsa atleta do Governo do Distrito Federal

Estevão Lopes, 39 anos, recebe bolsa atleta do Governo do Distrito Federal

Diferentemente de seus colegas, o velejador Estevão Lopes, 39 anos, recebe Bolsa Atleta do Governo do Distrito Federal e conta com o patrocínio de uma marca de suplementos e apoio de fisioterapeuta e nutricionista. Ele ficou paraplégico após ter sido vítima de uma bala perdida, em 2012.

“A vela é um esporte relativamente caro, por isso agradeço aos patrocínios que tenho. É através deles que consigo exercer essa modalidade, mas quem ainda paga minhas contas é o Direito. A vela é por amor mesmo! Além da qualidade de vida, eu faço do esporte uma inclusão social. Eu viajei e viajo o mundo por essa causa, mas hoje o trabalho que realizo é o de passar isso para outras pessoas, através de palestras motivacionais”, explica o atleta, que já participou de duas competições mundiais.

Estevão, junto aos seus colegas de vela, participou, em outubro, do campeonato Regata Cota Mil de Vela Adaptada. Os vencedores foram indicados ao programa Bolsa Atleta 2018, fornecido pela Secretaria de Esporte, junto ao Governo do Distrito Federal, que auxiliará os atletas no suprimento de algumas necessidades. Ele conseguiu o terceiro lugar no pódio, já os velejadores Herivelton Ferreira e Fabrício Marques conquistaram o primeiro e o segundo lugares, respectivamente.

FBVA e a inclusão social 

A FBVA surgiu a partir do trabalho realizado com pessoas com deficiências. O projeto foi iniciado por Mauro Osório, presidente da FBVA, e por Bruno Pohl, coordenador técnico. Num primeiro momento, o projeto foi destinado apenas para deficientes com lesões mais graves. “Vimos que isso estava impedindo a participação de muitas pessoas, então lançamos um subprograma da Federação que é o ‘Vela Para Todos’. Toda e qualquer pessoa com deficiência vai praticar, independente da lesão não ser classificada”, destaca Bruno Pohl.

A ação foi bem vista e logo chamou a atenção da embaixada australiana. Com uma verba destinada exclusivamente a projetos sociais, eles foram convidados a apresentar o projeto, sendo beneficiados com a entrega de oito barcos da Classe Hansa 2.3 (barcos específicos para pessoas com deficiência física), o que permitiu aumentar o número de alunos no programa. “Fomos contemplados com seis barcos da Classe Hansa 303. Hoje, através de todas nossas ações, somos reconhecidos mundialmente pelo nosso trabalho”, orgulha-se o coordenador.

Atletas disputam campeonato Regata Cota Mil de Vela Adaptada

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