Entrevistas

Bicampeã paralímpica não descarta ser treinadora

Com rotina de treinos e cursando Educação Física, Shirlene Coelho ainda não sabe se vai participar da disputa em 2020

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Bicampeã paralímpica na prova de lançamento de dardo da classe F37 (atletas com paralisia cerebral), Shirlene Coelho decidiu parar com as competições para se dedicar à família. Com o objetivo de terminar a faculdade de Educação Física e focar nos estudos, Shirlene segue treinando, pois considera o futuro incerto. Ainda não sabe se vai participar dos Jogos Paralímpicos de 2020, em Tóquio, como atleta ou como treinadora. Confira, a seguir, a entrevista exclusiva ao Portal de Jornalismo do Iesb.

Portal de Jornalismo IESB: Quando e como você descobriu a sua vocação para o lançamento de dardos e discos?

Shirlene Coelho: Bom, eu não descobri o esporte, fui descoberta em 2005. Fui até um clube apenas para entregar um currículo porque o clube trabalhava com a pessoa com deficiência no mercado de trabalho e no esporte. Quando cheguei lá me convidaram para a partida do esporte, no caso fui primeiro para o basquete em cadeira de rodas, mas acabou não dando muito certo. Eu tinha muita dificuldade em coordenar o trabalho com a bola e a condução da cadeira. Eu não conseguia quicar a bola e mover a cadeira ao mesmo tempo. No ano seguinte, me convidaram para conhecer o atletismo e foi aí que tudo começou, pratiquei as diversas modalidades do atletismo, mas tive melhores aproveitamentos nos lançamentos, principalmente de dardos.

— Depois que você percebeu que tinha vocação para o esporte, como foi a questão dos treinamentos, até participar dos primeiros torneios e campeonatos?

No início foi difícil, porque tive que conciliar o emprego com treinamento e os campeonatos, então era bem cansativo, porque tinha que trabalhar e só depois podia ir para os treinos, muitas vezes já chegava cansada para treinar, mas passei a sair um pouco mais cedo do trabalho para treinar na parte da tarde.

— Você treinava sozinha ou contava com algum especialista para te orientar? Conte um pouco a respeito da sua rotina de treinos.

Sempre tive treinador para me ensinar e me orientar nos movimentos. Estou há quase dez anos com o mesmo treinador, Domingos Guimarães. Uma das partes mais importantes para um atleta são os treinamentos. Ter um treinador competente ao meu lado sempre me ajudou a conquistar os resultados que conquistei.

— E quanto a questão dos patrocínios e incentivos, tanto públicos quanto particulares? Você tem ou já teve?

Sim já tive, fui bem apoiada em questão de patrocínio. O próprio Comitê Paralímpico Brasileiro sempre apoiou bastante quanto aos equipamentos para treino, material esportivo e o custo das viagens.

— E a participação nas Paralímpiadas? Gostaria que você falasse sobre as suas três participações, em Pequim 2008, Londres 2012 e Rio 2016.

Todas as viagens eram custeadas pelo Comitê Paralímpico Brasileiro que sempre apoiou muito bem seus atletas. Para mim, foi relativamente fácil a adaptação com o fuso horário, mas quanto aos costumes culturais, principalmente em Pequim, foi mais difícil, mas claro que cada atleta reage a essas coisas de forma diferente. Pequim foi mais diferente porque foi minha primeira experiencia em um evento tão grandioso. Londres já estava bem mais tranquila porque já tinha viajado bastante e estava acostumada com grandes eventos. No Rio eu fiquei mais ansiosa e apreensiva, ter o maior evento esportivo do mundo no meu próprio país e saber que eu entrava na minha categoria como favorita me deixou ansiosa, mas acredito que lidei muito bem com a ansiedade, porque eu treinava muito. Para não me deixar levar pela ansiedade eu treinava cada vez mais.

— Qual das suas medalhas paralímpicas foi mais marcante pra ti? E por quê?

A medalha que mais me marcou e ainda marca foi a de Pequim justamente por ter sido minha primeira participação nas Paralímpiadas. Era a primeira vez que eu participava de uma Paralímpiada e eu sabia que estaria competindo contra os melhores atletas do mundo, então conquistar aquela medalha foi muito especial pra mim.

— Como foi pra você ser a primeira mulher a carregar a bandeira na cerimônia de abertura dos jogos de 2016, no seu país?

Para mim foi ótimo. Foi muito marcante porque fui escolhida pelos próprios atletas da seleção brasileira, todos os departamentos se reuniram e juntamente me escolheram para ser a porta-bandeira na cerimônia de abertura. Fiquei muito feliz e agradecida. O coração estava batendo muito forte na hora de entrar no estádio com aquela multidão vibrando. Foi um momento inesquecível.

— E quais são suas expectativas para o futuro? Você pretende participar das Paralímpiadas de 2020, em Tóquio?

Agora estou aposentada, mas sigo treinando na medida do possível. Pretendo terminar meu curso de Educação Física que faço na Católica, e esperar o que pode acontecer. Continuo treinando e me esforçando, mas ainda não sei se vou participar das Paralímpiadas de 2020, estou avaliando melhor com meu treinador porque daqui a dois anos são as classificatórias para as Paralímpiadas, e se eu for participar preciso estar em ótima forma física, mas não gosto de ficar pensando e falando sobre isso.

— Você pretende continuar no esporte, como treinadora ou alguma outra função?

Ainda não sei o que vou fazer. Meu objetivo agora é manter minha rotina de treinos e terminar meu curso superior, o que exige muita dedicação, mas conforme as coisas forem acontecendo, eu vou tomando as minhas decisões a respeito da minha vida como atleta.

— E suas expectativas para o futuro?

Eu espero que o esporte paralímpico brasileiro ganhe mais visibilidade, cresça e conquiste mais e mais medalhas. Quanto a mim, minha expectativa é viver a vida de melhor forma possível, eu pretendo continuar treinando, talvez até me torne uma treinadora.

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