Cidadania

Aulas de dança e teatro integram pessoas com e sem deficiência

Iniciativa gratuita na UnB surgiu em 2011 como Trabalho de Conclusão de Curso

Toda semana, pessoas com necessidades especiais têm a oportunidade de integração social em aulas de teatro e dança na Universidade de Brasília (UnB). O projeto Pés surgiu em 2011 como Trabalho de Conclusão de Curso de Teatro do então estudante Rafael Tursi, une alunos com e sem deficiência. “O que era um projeto de licenciatura, virou um projeto de vida que dura há sete anos”, afirma Rafael.

Atualmente, o projeto têm 29 alunos, sendo, 10 com deficiência, 12 sem deficiência, sete acompanhantes que atuam na função de apoio, e um diretor.

Há três anos no projeto, Lucas Almeida tem a Síndrome de Williams. A mãe observa que o filho teve um desenvolvimento muito grande na parte psicomotora dele, e que ficou sabendo do projeto por meio de uma colega de curso da filha. “Há uma integração entre o Lucas e os colegas, e durante o período escolar dele, achei que o desenvolvimento dele melhorou bastante após o projeto”, completa Nilma Almeida, mãe de Lucas.

O projeto tem aproximadamente 30 alunos

O projeto tem aproximadamente 30 alunos

O projeto está aberto para todas as pessoas, de qualquer idade, com e sem deficiência. Rafael completa que os benefícios do “Pés” é a possibilidade de os alunos poderem fazer aula de teatro e dança, principalmente os com necessidades especiais. “Com as aulas, eles desenvolvem os aspectos sociais, aumentam o espaço de auto-conhecimento. Eles estão numa margem da sociedade que tem menos acesso”, completa.

Roges Mendes tem paralisia cerebral, e está no projeto desde 2011. Para ele, a iniciativa é algo interessante pois é algo diferenciado. Não é comum ter teatro e dança voltado para pessoas com deficiência. “Eu que tenho deficiência não posso participar de qualquer grupo de teatro por conta da minha limitação, então esse projeto me proporciona isso”, afirma.

O aluno completa que os benefícios são o de conviver com outras pessoas com as mais diversas deficiências e aquelas que não têm. “Tem pessoas aqui que jamais imaginei conhecer um dia. E é isso que o teatro trás para mim”, completa ele.

Laysa Gomes é estudante de artes cênicas da UnB, é aluna do projeto há um ano e meio. Ela concorda com Roges, acrescenta que a consciência vai muito além da cena, mas é algo que exige trabalho em equipe e confiança no grupo.

Rafael explica que a integração entre os alunos com e sem deficiência é total e ao mesmo tempo restrita. “Eles podem ter uma limitação, mas de alguma forma entendem o que está acontecendo na volta deles”, conclui.

As aulas são gratuitas, e pode é aberto para toda comunidade

As aulas são gratuitas e o projeto é aberto para toda comunidade

No dia 03 de novembro o grupo irá realizar uma apresentação no Festival Internacional, realizado na Patagônia – Argentina. O convite surgiu através da instituição argentina Cre-Arte, que através de uma pesquisa sobre projetos brasileiros e o grupo foi selecionado para participar do evento, realizado entre os dias 01 e 10 de novembro de 2017. Rafael explica que o dinheiro para custeio da viagem foi arrecadado por meio de bazares, festas beneficentes e doações através da internet.

Serviços

As aulas ocorrem às terças e quintas-feiras, das 19 às 21 horas, no Departamento de Artes Cênicas da UnB, e as aulas são de graça.

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