Cidades

Comunidade bahá’i encontra refúgio para manifestar a fé no DF

Com princípios baseados na unificação da humanidade, grupo acredita na unicidade de Deus e preza pela harmonia entre ciência e religião

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Vítimas da perseguição, os bahá’is, seguidores da religião chamada fé bahá’i, foram obrigados a deixar o Irã por sofrerem intolerância religiosa. Devido à  situação, a comunidade recebe amparo em diversas regiões do mundo. Uma delas é Brasília. “Desde que surgiu a religião, nós sofremos repressão. Os mulçumanos consideram os bahá’is impuros. Existem pessoas presas que não fizeram nada. O único motivo para estarem presas é a crença na religião”,  explica professora Hasti Khoshnammanesh, que vive no Brasil há 15 anos.

Hasti Khoshnammanesh mora no Brasil há 15 anos.

Hasti Khoshnammanesh mora no Brasil há 15 anos.

Hasti estudou Letras em uma universidade clandestina  no Irã,  chamada BIHE (Bahá’í Institute for Higher Education). Criada há mais de 30 anos e é alvo de perseguições do governo. “Não tem um lugar fixo, as aulas acontecem nas casas dos Bahá’ís, tudo escondido. E se eles descobrem um desses locais, invadem, levam os alunos e professores para a prisão, confiscam tudo”, conta Hasti.

Mas foi em 2002 que a menina veio para o Brasil. Ela casou com  um refugiado iraniano que já morava aqui. Mas o casamento não era a única razão para sair do Irã. “Eu tinha o desejo de poder estudar em liberdade”. No Irã, os jovens são proibidos de ingressar no ensino superior. “A perseguição que eu sofria era para estudar. Quando a gente vai se inscrever para o vestibular é preciso declarar a religião. E eles falam: Você sabe que não pode entrar na universidade né? Ou nega a sua fé ou não pode ir pra faculdade”, lembra Hasti.

Em Brasília, a comunidade bahá’i não encontra somente refúgio para o corpo, mas também para manifestar a fé. “Para mim foi sempre maravilhoso a liberdade que tive para expressar meus pensamentos e transmitir as mensagens de paz e amor”, afirma a aposentada Guitty Milani, que mora no Brasil há 25 anos e promove reuniões bahá’is, juntamente com o marido desde quando chegaram. “Não temos padres, nem pastores e nenhum líder religioso por isso as reuniões acontecem nas casas das famílias”.

A comunidade tem aproximadamente sete milhões de adeptos no mundo, e é a segunda religião mais espalhada do globo, superada apenas pelo cristianismo, conforme afirma a Enciclopédia Britânica. Está estabelecida no Brasil desde fevereiro de 1921, com a vinda de Leonora Armstrong. E foi em contato com Leonora que os pais de Lisie Cavalcante conheceram a religião. “Na fé bahá’i, quando um filho de pais bahá’is nasce, ele é considerado bahá’i até completar 15 anos, que é quando a pessoa tem maturidade espiritual para escolher o que ela quer seguir”.

E foi aos 15 anos que Lisie aceitou a religião e abraçou todos os princípios. Hoje, ela é secretária nacional da Sede Nacional da Fé Bahá’i, localizada em Brasília. “Um conceito que está no alicerce da fé bahá’i  é a adoração ao serviço. Nós não fomos criados para ficar rezando o dia inteiro em um canto. A oração tem um papel fundamental. Mas a transformação dessa oração pra uma realidade capaz de mudar esse mundo, depende justamente do processo de serviço ao próximo”, explica a secretária.

A religião foi fundada por Bahá’u’lláh, que significa “A Glória de Deus”, na antiga Pérsia, onde hoje é o Irã, e traz como um dos princípios a crença na unicidade de Deus e na igualdade entre todos os membros da família humana. “Acreditam nesse ideal de que a terra é um só país e os seres humanos são seus cidadãos  e que todos  podemos viver em paz e com mais justiça”, explica Guitty. Para alcançar a unidade humana, existem quatro principais formas de trabalho: A educação para as crianças, a educação para a pré juventude, para os adultos e reuniões devocionais nas quais, independente de religião, todos são bem-vindos. Basta acreditar nos valores da religião. “A gente sabe que o processo de transformação humana não vai ser criado apenas pelos bahá’is, tem que ser uma parceria mútua de todos”, explica Lisie.

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