Política

Grupos estudantis estimulam compreensão da política

Cientista político observa que com a desmoralização dos partidos, grupos são fundamentais na luta pelos direitos e na prática da cidadania

O grêmio estudantil pode ser a porta de entrada para muitos jovens na política, já que, desde o início da vida acadêmica, eles passam a entender a importância de lutar pelos direitos e cumprir com os deveres. A organização estimula a participação de todos por meio de eleições, nas quais são definidos os alunos que representam o corpo discente e buscam melhores condições para o ensino e aprendizado.  O cientista político Paulo Kramer afirma que os grupos são essenciais para a democracia brasileira. “Ajuda na formação de novas lideranças, das quais o país precisa”, explica.  Segundo a orientadora de ensino do Centro de Ensino Médio Setor Leste, Laura Castilho, o grupo estudantil é importante para que o jovem entenda o papel que exerce na sociedade. “O grêmio é um espaço que referenda o educando como ser político. É importante dar vez, voz e decisão”, declara.

O CEM Setor Leste, conhecido como um dos mais atuantes do DF, tem grêmio estudantil há mais de 20 anos e busca por meio dele incentivar a participação mais ativa do estudante no atual contexto político. Segundo o estudante Francisco Franco, 18 anos, o grêmio atua dentro da escola, mas também se envolve com questões políticas externas em buscas de melhorias. “Discutimos muito sobre a reforma do ensino médio, participamos da ocupação do ano passado, um processo longo e decisivo para todos. É importante debater sobre temas de relevância para a educação”, avalia.

Francisco Franco e Vitor Machado também participam de eventos políticos em outros locais

Francisco Franco e Vitor Machado também participam de eventos políticos em outros locais

Atualmente, a chapa tem dois projetos que visam estimular a participação mais ativa dos alunos, por meio da inserção do grafite na escola, em muros e com o auxílio de profissionais,além da elaboração de uma feira de profissões. O estudante Vitor Machado, 18 anos,  afirma que existem algumas barreiras em relação ao poder exercido pelo grêmio referente a questões administrativas. “Nossos projetos têm o objetivo de lidar com a estrutura educacional e a formação do aluno, mas temos várias limitações em relação ao poder de decisão”, observa.

O desenvolvimento de atividades referentes às práticas culturais, esportivas e sociais é comum, mas os grupos também auxiliam na gestão de atividades educativas e sugerem diversas tomadas de decisões em prol da melhoria institucional. O cientista político Paulo Kramer acredita que um jovem inserido nas questões políticas consegue entender e lidar com as complexidades sociais da melhor maneira. “A participação do jovem é cada vez mais importante, já que os partidos tradicionais estão desmoralizados. É importante que eles vejam que são o futuro”, declara.

Diversas escolas do Distrito Federal incentivam os alunos a formarem os grêmios estudantis e veem a organização como ponto importante para a manutenção dos direitos deles. Todos os matriculados nas instituições de ensino podem fazer parte do grupo político. Os representantes são eleitos por meio de votação realizada sempre no começo ou no meio do ano letivo. Entre estas escolas, está o Centro de Ensino Médio Paulo Freire, localizado na L2 Norte. Segundo a supervisora do CEM, Vânia Mota, o grêmio é essencial, já que os alunos além de promoverem projetos, também ajudam na assessoria. Todos trabalham juntos em prol de melhorias para a escola e para a sociedade, sempre andando lado a lado para promover as mudanças necessárias”, explica.

Bianca Bagno e Mateus Rodrigues  incentivam ações sociais no grêmio

Bianca Bagno e Mateus Rodrigues incentivam ações sociais no grêmio

Os alunos do primeiro ano do CEM, Bianca Bagno e Mateus Rodrigues, ambos com 17 anos, são os representantes do grupo Revolução, atual chapa campeã. Segundo eles, o grêmio elabora projetos que incentivam a prática de esportes e o debate de temas sociais relevantes. As aulas de dança e  de defesa pessoal são um incentivo para aqueles que desejam praticar alguma atividade física, mas também existem outros, como as competições para escolher o novo uniforme e as palestras sobre o feminismo e a comunidade LGBT. Além dos projetos internos, os alunos promovem ações sociais em escolas da periferia, por meio da ajuda de donativos e oficinas. “Tentamos sempre trazer algo diferente e inovador para sair da rotina da sala de aula. Atividades participativas são um incentivo. A gente pode mudar o mundo”, concluem.

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