Saúde

Pessoas com nanismo sofrem com acessibilidade

Dificuldades respiratórias e de ouvido costumam ser comuns desde a infância

Eles sofrem para realizar tarefas simples no dia a dia, como poder usar o sanitário na altura adequada, subir nos ônibus ou até mesmo utilizar o caixa eletrônico. O maior desafio das pessoas com nanismo é encontrar locais com adaptações básicas. Geralmente, além das dificuldades de acessibilidade, na fase infantil, ainda apresentam problemas respiratórios e dores de ouvido. “O mau funcionamento da tuba auditiva e, consequentemente, problemas de audição, acontecem por causa do aumento de adenóides e das amígdalas”, explica a otorrinolaringologista Larissa Vilela, que atua no Hospital Anchieta.

Filha da funcionária pública Jaqueline Itacaramby, 36 anos, Valentina Itacaramby, 3 , tem a deficiência. Desde o nascimento faz o acompanhamento médico. “Ela costuma ter problemas respiratórios e otites e precisa fazer tratamento desde quando nasceu”, afirma.

O nanismo é um transtorno que se caracteriza por uma deficiência no crescimento, que resulta numa pessoa com baixa estatura se comparada com a média da população de mesma idade e sexo. Essa condição os colocou no rol dos deficientes físicos há apenas 13 anos, com o decreto 5.296/2004. Com essa normativa as pessoas com nanismo tiveram o direito, por lei, de receber o mesmo tratamento concedido às pessoas com necessidades especiais.

A tutora de cursos superiores à distância Rafaela Sousa, de 34 anos, enfrenta dificuldades de acessibilidade todos os dias. “Os locais não têm balcões baixos de atendimento, banheiros adaptados e faltam rampas. Na minha casa, vários locais foram adaptados, como a altura do chuveiro e um acessório para subir no vaso”, afirma.

Os tipos mais comuns de nanismo são a acondroplasia e a hipocondroplasia. A primeira é a alteração no desenvolvimento da cartilagem das placas de crescimento, e a segunda é semelhante à acondroplasia, mas o formato da cabeça não é afetado. Ambos os tipos têm causas genéticas e podem ser hereditários. Alguns fazem o uso do hormônio do crescimento ou GH (“growth hormone”), que é considerado uma terapia de reposição. Segundo a endocrinologista Michele Borba, o acompanhamento ao tratamento é realizado com a avaliação de ganho de peso e da velocidade do crescimento. “A reposição do GH é mantida até que a altura final prevista seja alcançada. Ao atingir a idade adulta, o tratamento é interrompido. A secreção do GH é reavaliada após a interrupção e sendo necessária, a reposição poderá ser mantida na vida adulta”, observa.

A funcionária pública Claudiene Santana, 36, tem uma filha com nanismo, Maria Clara Fernandes, 8. Fez o uso do hormônio por três anos e acompanhamento com a endocrinologista. Os pais fizeram adaptações na casa, como a altura do registro do chuveiro e a instalação de um vaso infantil. A mãe de Maria Clara relata que falta cuidado com as pessoas que têm a deficiência. “Os estabelecimentos comerciais públicos e privados não estão preparados para lidar com as pessoas de baixa estatura. A acessibilidade é voltada somente para os cadeirantes”, afirma.

A assistente de RH Suellen Stephanie, 24, comenta que não foi feita nenhuma adaptação na casa. Ela só utiliza um banquinho para pegar os objetos que ficam na parte superior. A maior dificuldade é no uso do transporte público, que utiliza na ida para o serviço e na volta para casa. “Os degraus para subir nos ônibus são altos e isso dificulta bastante. E os balcões para pedidos e os caixas de lanchonetes também são bem altos”, comenta. Em julho deste ano, foi decretado que em 25 de outubro será comemorado o “Dia Nacional de Combate ao preconceito contra às pessoas com nanismo”.

 

    Deixe uma resposta

    Turismo e Lazer
    Diga de onde vens e direi se te respeito
    Comportamento
    Medo de assédio leva mulheres a freqüentar boates gays
    Saúde
    3 O sistema de saúde tem cor

    Mais lidas