Comportamento

Medo de assédio leva mulheres a freqüentar boates gays

Festas com temática homossexual proporcionam sensação de segurança para o público feminino

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assédio boates gays comportamento violência contra a mulher
Medo de assédio faz público feminino procurar ambientes gays

Medo de assédio faz público feminino procurar ambientes gays

Antes de sair de casa, as mulheres tomam uma série de precauções. O medo de sofrer algum tipo de violência as leva a se preocupar com as roupas, o horário e o lugar a freqüentar. Quando o assunto é festa, muitas vezes as mulheres se incomodam até mesmo com o tipo de público que irá freqüentar o lugar. O medo de sofrer assédio está fazendo com que o público feminino mude de comportamento.  Na tentativa de se divertir sem lidar com o machismo, os ambientes gays estão sendo a escolha delas.

Os números divulgados pela Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social (SSP-DF) reforçam a idéia de insegurança relacionada à mulher. Segundo levantamento da pasta, no primeiro semestre deste ano ocorreram 415 casos de estupros no Distrito Federal. O número cresceu 32,2% comparado ao mesmo período do ano passado. Os crimes de violência doméstica também mostram aumento em relação ao ano passado. A ocorrência desse tipo de ato passou de 6848 em 2016, para 7119 em 2017.

As queixas são inúmeras. Passadas de mãos, insistência, olhares indevidos e grosseria são situações enfrentadas rotineiramente pelas mulheres em festas. Em contrapartida, nos locais com temática homossexual, o teor é diferente. A sensação de segurança é maior para as mulheres, de acordo com elas.

A psicóloga Carla Guimarães, 26 anos, gosta de ir a festas desde os 18 anos. Ela conta que já passou por diversas situações desagradáveis em ambientes heterossexuais. “Têm muitos homens que não tem noção. Eles chegam se achando e acabam sendo abusivos com a gente. É um desconforto tremendo”, afirma. Para tentar fugir dessa situação, Carla decidiu parar de freqüentar esses lugares e ir para festas gays. “Comecei  a sair com meus amigos gays para as baladas e notei a diferença na hora. O respeito é bem maior e a gente não precisa ficar tão preocupada”, diz.

A psicóloga Carla Guimarães, 26 anos, parou de frequentar festas heterossexuais por causa do número de assédios

A psicóloga Carla Guimarães, 26 anos, parou de frequentar festas heterossexuais por causa do número de assédios

Para a psicóloga, falta educação para os homens heteros que não respeitam a mulher. “Se um cara te trata assim dentro de uma festa, que é um ambiente aberto, imagina no futuro, quando estiver casado e sozinha com a esposa?”, questiona. Carla relata que enfrentou situações desagradáveis em festas heteros. “Uma vez estava indo para o carro e um cara me seguiu e insistiu para ficar comigo. A sorte é que tinha um segurança perto”, lembra. No entanto, ela alerta que mesmo em ambientes gays, as mulheres sempre estão preocupadas com a própria segurança. “O medo de sofrer violência é constante. Na rua, no ônibus, dentro de um táxi, em qualquer lugar pode acontecer alguma tragédia”, lamenta.

A organizadora de festas Fernanda Soares, 34 anos, constatou o aumento da presença de mulheres nos locais com temática gay. “Trabalho nesse mercado há mais de cinco anos e já escutei muitas histórias de mulheres que pararam de frequentar os locais heterossexuais por medo”, comenta. Nas festas organizadas por Fernanda, até mesmo o seguranças são instruídos a tratar todos com respeito. “Somos bem específicos na descrição das nossas festas, sempre colocamos um letreiro dizendo: ‘respeite as minas e as monas”, diz.

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