Ciência e Tecnologia

Estudo mostra como tecnologia pode minimizar impactos do Parkinson

Com jogos eletrônicos os pacientes conseguem trabalhar o desenvolvimento motor e ainda simular situações do dia a dia

O uso de realidade virtual para o tratamento de doenças não é novidade, mas ainda é um recurso pouco explorado. O departamento de fisioterapia da Universidade de Brasília (UnB) campus Ceilândia está realizando uma pesquisa com pessoas diagnosticadas com a Doença de Parkinson. Por meio de um óculos de realidade virtual e o desenvolvimento de um jogo de videogame que simula uma casa, os estudantes querem complementar o tratamento tradicional da doença com o uso da tecnologia.

A mestranda e fisioterapeuta Júlia Araújo, 27, é uma das idealizadoras da pesquisa. Em parceria com a Universidade do Texas, nos Estados Unidos, ela está desenvolvendo um jogo de realidade virtual. No cenário virtual, no qual o paciente precisa caminhar até o remédio que está do outro lado do ambiente. Durante o percurso o paciente se depara com distrações e duplas tarefas sendo que uma delas é a principal. A atividade faz com que o paciente desenvolva ao mesmo tempo a percepção cognitiva e o aparelho motor. No futuro, a ideia é que o projeto sirva como método na avaliação da marcha de pacientes com Parkinson.

Júlia Araújo desenvolve o estudo em parceira com Universidade do Texas (EUA).

Júlia Araújo desenvolve o estudo em parceira com Universidade do Texas (EUA)

O Parkinson é uma doença degenerativa crônica que ataca o sistema nervoso central, afetando principalmente a coordenação motora. “A fisioterapia tem um papel importantíssimo na busca de amenizar os sintomas que a doença traz. A gente vai tentar, então, frear essa evolução e melhorar esses sintomas”, explica Júlia. Segundo a fisioterapeuta, a realidade virtual permite novas possibilidades de tratamento, já que é possível levar o paciente a diversos ambientes, mesmo estando dentro de uma clínica. “A realidade virtual é muito interessante porque, por exemplo, a gente quer trazer uma casa, um movimento funcional e se a gente fosse fazer em um ambiente físico, demandaria muito tempo e muito espaço.”

Os sintomas da doença são discretos e vão aumentando conforme o tempo. Victor Jimenez, 64, não achava que teria Parkinson. No início,  por conta da rigidez no braço, o advogado procurou vários ortopedistas, mas em uma visita ao seu país natal, Equador, ele descobriu que estava com a doença. Ele convive com os sintomas há seis anos e,  desde então, segue à risca os tratamentos indicados pelos médicos. Além dos medicamentos, Victor realiza vários tipos de atividades físicas e duas vezes por semana comparece à UnB para fazer o acompanhamento com os óculos de realidade virtual. “A gente se diverte muito. Porque, na verdade, quem tem Parkinson tem que procurar se manter em movimento, não basta só tomar medicação. Eu fico ansioso quando abrem aqui para participar e jogar.”

Victor Jimenez se diverte nas sessões.

Um dos jogos faz Victor Jimenez  se transformar em goleiro de futebol

As sessões das quais Victor Jimenez participa duram cerca de uma hora e meia cada. Nela o paciente é colocado para jogar quatro jogos, previamente escolhidos pelos pesquisadores, durante cinco minutos. Em um deles a pessoa vira um goleiro e precisa defender o maior número de bolas. “Esses jogos vão influenciar na caminhada do paciente, no equilíbrio e na cognição. Por exemplo: o paciente precisa fazer uma caminhada e falar ao telefone, ele corre o risco de cair. Então, a gente tenta trabalhar esta questão da dupla tarefa justamente para melhorar estes aspectos”. Poliany Rocha é uma das responsáveis pelo estudo com os óculos de realidade virtual. A jovem é estudante de fisioterapia na UnB em Ceilândia e realiza os trabalhos com o paciente Victor.

O projeto acompanha cerca de onze pacientes. Eles são avaliados em três etapas: a primeira funciona como uma triagem e é feita antes de iniciar tudo, assim, os estudantes podem conhecer as limitações do paciente. Depois de cinco semanas de trabalho, conta-se sete dias após o último atendimento. Neste momento, é realizada a segunda avaliação. A terceira ocorre trinta dias depois do último atendimento. A ideia é acompanhar a evolução do paciente. Este tipo de atividade é conhecida como terapia combinada, quando um método integra o tratamento tradicional. O objetivo dos estudantes é complementar o trabalho já desenvolvido na terapia convencional.

O  jogo simula ambientes que se aproximam do dia a dia do paciente

O jogo que está sendo desenvolvido simula ambientes que se aproximam do dia a dia do paciente

 

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