Cidades

Banco de leite do DF é exemplo, mas precisa de mais doadoras

Pediatra enfatiza que doação do leite materno beneficia tanto mães que doam como crianças que recebem

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Quando o assunto é doação de leite humano, o DF é referência nacional. A capital conta com 10 bancos e dois postos de coleta que são considerados, pelo Ministério da Saúde, os melhores do Brasil. As unidades localizadas no Distrito Federal representam mais da metade da cobertura total do Centro-Oeste e toda a da região Norte. Apesar disso, a doação ainda é deficitária levando em consideração a quantidade de nascimentos da capital.

Em janeiro de 2018 foram coletados 1,5 mil litros de leite humano, a projeção para o ano é de 17 mil litros para suprir a necessidade de todos os bebês internados em UTI neonatal, em especial os prematuros e com baixo peso. No período de férias o número de doações é ainda mais reduzido, assim como no caso da doação de sangue.

A coordenadora do Programa de Amamentação da Secretaria de Saúde, Miriam Silva, considera que apesar de todo o investimento feito na área, é necessário envolvimento das instituições de ensino, como faculdades de medicina e enfermagem. “Temos muitos profissionais de saúde formados que nunca souberam nada sobre aleitamento materno e muito menos sobre doação, precisamos que mais mulheres que estejam amamentado, conheçam a possibilidade de doação de leite”. Segundo ela, hoje, o DF consegue atender a demanda dos bebês internados, mas ainda precisa avançar. “O Brasil é reconhecido pela sua atuação em aleitamento materno e bancos de leite humanos. Em tudo sempre podemos avançar, alcançar novos receptores”.

Luanna Pereira, mãe de primeira viagem, encontrou a solução na doação.

Luanna Pereira (esquerda), mãe de primeira viagem, encontrou a solução na doação

Os benefícios da doação não são apenas para os bebês que recebem o leite. A brasiliense Luanna Pereira, mãe de primeira viagem, sofria com dores e desconfortos pelo excesso de leite e encontrou a solução na doação: “Ao começar a doar, meus seios pararam de doer e ferir o bico. Comecei a amamentar meu bebê com prazer, me senti a mãe mais feliz do mundo em saber que eu estava ajudando o meu próximo, pois era tão simples”.

A pediatra da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) Graciete Oliveira explica que muitas mães produzem maior quantidade de leite do que o seu filho pode consumir e esse excedente pode ser doado. “A doação além de auxiliar outras crianças, ajuda a esvaziar a mama e manter o estímulo para produção do leite. Além disso, se a mama fica muito cheia pode levar a ingurgitamento mamário e mastite”.

E não para por ai. Segundo a SBP, a amamentação adequada pode reduzir a mortalidade infantil, por doenças infecciosas. Níveis ideais de amamentação poderiam evitar 820 mil mortes de crianças menores de cinco anos por ano, no mundo. O leite materno aida reduz o risco de a criança desenvolver doenças crônicas como hipertensão, obesidade, diabetes, previne contra problemas de respiração e da fala. Crianças amamentadas têm melhor desenvolvimento cognitivo e quociente de inteligência, quando comparadas às não amamentadas. “O leite materno é o único alimento que possui fatores de proteção contra doenças, além de satisfazer as necessidades nutricionais para o bom crescimento e desenvolvimento”, explica a pediatra.

Rossana Rotta, 39 anos, começou a doar leite ainda no primeiro mês de vida do filho, que nasceu em novembro. “Me explicaram que no final do ano as doações caem muito porque as mães viajam, fiquei muito feliz de ajudar bem quando elas mais precisavam”. Mãe de três filhos, ela vê na doação uma forma de ajudar o próximo: “É muito gratificante saber que você pode ajudar os pequeninos, sem o leite materno eles ficam mais expostos a infecções e demoram a se recuperar”. Já Brenda Corrêa, 22, conta que produziu muito leite nas duas gestações e por não saber o que fazer acabava jogando fora. “Me informei e comecei a doar por conta própria, quando você doa seu leite, você não está doando qualquer coisa, para a gente é leite, mas para a criança é vida”.

Para doar leite é simples, o Corpo de Bombeiros buscará a doação em sua casa, a Secretaria de Saúde do DF explica que a mãe precisa ter apenas alguns cuidados, como:

• Não usar medicamentos incompatíveis com a amamentação.

O Corpo de Bombeiros busca o leite na casa das doadoras.

O Corpo de Bombeiros busca o leite na casa das doadoras.

• Estar amamentando ou ordenhando leite para o próprio filho.

• Em caso de não ter feito o pré-natal, realizar exames específicos.

• Ser saudável.

• Não usar álcool nem drogas ilícitas.

• Apresentar exames pré ou pós-natal compatíveis com a doação de leite ordenhado.

Serviço

Para doar

- Cadastre-se no site: http://amamentabrasilia.saude.df.gov.br/2056/QueroDoar/

- Procurar qualquer um dos bancos de leite do DF ou os postos de coleta

- Ligar para 160, opção 4 (Corpo de Bombeiros busca em domicílio)

Telefones dos bancos de leite

HFA (Forças Armadas) – 3966 2250

HRAN (Asa Norte) – 3901 3060

HMIB (Asa Sul) – 3445 7597

HRBZ (Brazlândia) – 3479 9643

HRC (Ceilândia) – 3372 9652

Gama – 3384 0337

Planaltina- 3388 9794

HRPA (Paranoá) – 3369 9980

HRS (Sobradinho) – 33873993

HRSM (Santa Maria) – 3392 6287

HRT (Taguatinga) – 3352 6900

HUB (Universitário de Brasília) – 2028 5391

P. de Coleta São Sebastião – 3339 1125

P. de Coleta HRSAM (Samambaia) – 3458 9811

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