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Comportamento

A luta das mulheres trans pelo reconhecimento na sociedade

Da invisibilidade social às conquistas, as mulheres trans enfrentam desafios diários por viverem no país que mais mata transgêneros no mundo

O Brasil ocupa hoje o primeiro lugar no índice de assassinatos de mulheres trans, com 868 mortes de 2008 a 2016. O número representa o triplo de casos em relação ao México, o segundo colocado no ranking. O dado foi publicado pela ONG Transgender Europe, em novembro de 2016.

Pessoas transgêneros ou transexuais são aquelas que não se identificam com o próprio gênero, portanto têm uma identidade de gênero diferente daquela designada pelo sexo biológico.

Segundo a Rede Trans, organização brasileira de apoio às pessoas transgêneros, somente em 2017 foram registrados 180 assassinatos de transexuais. A Rede revela ainda que 82% dos estudantes trans, principalmente adolescentes, abandonam os estudos por conta do preconceito no ambiente escolar, o que acaba contribuindo para que 90% das mulheres trans brasileiras trabalhem como profissionais do sexo. Quando procuram outros empregos, muitas são vítimas de discriminação, o que aumenta consideravelmente os riscos de exposição e vulnerabilidade.

De acordo com dados de organizações da sociedade civil mencionadas pela Organização das Nações Unidas (ONU), a expectativa de vida das mulheres trans é de apenas 35 anos no Brasil, o que corresponde à metade da média nacional, que é de 75 anos.

As causas que colaboram para o crescimento da violência contra as mulheres trans são difusas, e vão desde a dificuldade de estabelecer uma relação com outros grupos sociais até a expulsão do seio familiar.

Apesar do cenário assustador, há casos de mulheres trans que servem como inspiração para as novas gerações, como Bianca Moura de Souza, 48. Natural de Caxias (MA), Bianca é funcionária pública há 28 anos, e trabalha na Secretaria de Planejamento, Orçamento e Gestão do DF. Ela conta que aos 10 anos se identificou como gay, e logo aos 14 anos começou a ser desprezada pelos  amigos que também eram homossexuais. “Por eu ser mais afeminada do que eles, então passei a ser rejeitada”, conta. Aos 17 anos Bianca veio para Brasília para concluir seus estudos, formou-se em Publicidade e fez Pós-Graduação em Gestão Pública.

Bianca Moura de Souza, 48. Foto: Marcelo Costa
Bianca Moura de Souza, 48. Foto: Marcelo Costa

Ela revela que tomou sua primeira injeção de hormônio feminino quando tinha 22 anos. “Eu sempre me senti mulher, mas antes de fazer a transição pesquisei bastante, pois havia o medo de acabar como muitas amigas que foram mortas”, relata. Hoje Bianca atua na frente de combate à violência contra as pessoas trans, tendo sido eleita delegada pela sociedade civil para a Conferência Nacional de Igualdade Racial e Sexual, que ocorrerá em maio aqui em Brasília, além de fazer parte da Associação do Núcleo de Apoio à Vida de Travestis e Transexuais do DF e Entorno (ANAV – Trans/DF). “Somos responsáveis pelo reconhecimento positivo da nossa identidade”, finaliza Bianca.

De acordo com Flávio Brebis, coordenador de Promoção da Diversidade LGBT (CODIV), órgão ligado à Secretaria-Adjunta de Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos (SEDESTMIDH), houve avanços significativos nos últimos anos no que se refere às políticas e ações voltadas para a população LGBT do DF.

Flávio Brebis, 50. Foto: Marcelo Costa

Flávio Brebis, 50. Foto: Marcelo Costa

 

Como exemplo ele cita  a criação da Delegacia Especial de Repressão aos Crimes por Discriminação Racial, Religiosa ou por Orientação Sexual, ou contra a Pessoa Idosa ou com Deficiência (DECRIN – Decreto nº37.069 de 21 de janeiro de 2016), e também o Nome Social (Decreto nº 37.982 de 30 de janeiro de 2017), que dispõe sobre o uso do nome social e o reconhecimento da identidade de gênero de pessoas trans – travestis, transexuais e transgêneros -  no âmbito da Administração Pública direta e indireta do Distrito Federal.

“A própria criação da Coordenação de Diversidade LGBT foi uma conquista nossa, enquanto grupo organizado que demanda o governo por políticas que atendam às necessidades dessa parcela específica da população”, diz. Flávio Brebis acredita na evolução do tema da transexualidade no Brasil nos próximos 10 anos: “Penso que vai haver um crescimento de ONGs e da instrumentalização da militância LGBT, e isso será reflexo dos trabalhos hoje desempenhados pelas associações no fomento à conscientização dos direitos dessas pessoas”.

 

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