Economia

Mercado financeiro totalmente digital é a nova moda entre os jovens brasileiros

Mais de 300 fintechs operam no Brasil, atendendo a um público de mais de 940 mil jovens entre 18 e 36 anos

Tags:
cartão de crédito economia fintech internet jovens virtual

Reduzir a burocracia, agilizar o atendimento, oferecer menores taxas: estes são os principais propósitos das fintechs, empresas que desenvolvem soluções financeiras por meio da tecnologia para seus clientes. O mercado brasileiro vem experimentando essas ferramentas para facilitar o acesso e a fidelização de usuários, o que fez dessas organizações exemplos de sucesso nos últimos anos. Com isso, cada vez mais jovens têm aderido ao uso de aplicativos para controles de gastos, finanças e investimentos, chamando a atenção do mercado de crédito.

A NuBank fornece crédito conforme a renda mensal do usuário, além de taxas reduzidas

A NuBank fornece crédito conforme a renda mensal do usuário, além de taxas reduzidas

Um levantamento feito em novembro de 2017, pelo FintechLab, um centro de logística que conecta e ajuda a fomentar startups (empresas em fase inicial) que lidam com o tema, registrou 332 fintechs atuantes no Brasil, com atuações em diversos ramos do setor financeiro.

Levando em conta apenas a área de operadores de crédito virtuais, já se somam mais de 940 mil usuários, segundo a última pesquisa da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), realizada em 2016. Destes, uma grande parte está ligada ao NuBank, primeira organização brasileira voltada para esse nicho de mercado, e que já concentra 3 milhões de clientes ao redor do mundo.

A NuBank é uma dessas startups. Desde 2014, a empresa desenvolve uma plataforma transparente e facilitada para os usuários controlarem seus gastos, oferecendo como principal serviço a concessão de cartão de crédito, que funciona tanto para compras online quanto para assinaturas em plataformas de vídeo ou música. A organização se prepara ainda para passos maiores, com a abertura totalmente virtual de contas bancárias, por meio de acesso remoto e exclusivo.

O professor e coordenador de Administração e Gestão de Recursos do Centro Universitário IESB, Fernando Dantas, avalia as empresas do ramo como as mais propensas à consolidação nos próximos anos. “É um mercado com pouquíssimas desvantagens. Tanto que outros bancos, já tradicionais, como o Banco do Brasil, o Itaú e o Original, têm aderido à tecnologia, a fim de se fazer frente a essas novas opções para os usuários”, analisa.

Perfil jovem e com poder aquisitivo

Segundo dados da própria NuBank, mais de 70% dos 3 milhões de usuários espalhados pelo mundo têm idade inferior a 36 anos, além de pertencer às classes A e B.

“A geração Y [jovens de até 30 anos] e os chamados millenium [que nasceram de 1990 a 2000] têm preferência por desviar de obstáculos como a burocracia e a necessidade do atendimento físico. Se um aplicativo de smartphone consegue acabar com todos esses processos, a escolha por ele é clara”, explica o professor Fernando Dantas.

Com relação ao poder aquisitivo e sua ligação com o acesso à Internet, um estudo encomendado pela Internet.org – uma iniciativa do Facebook para levar conexão remota a populações de baixa renda e áreas isoladas – à unidade de inteligência da revista britânica The Economist, mostra que 70,5 milhões de brasileiros não conseguem acesso à banda larga, nem à internet móvel.

Mais de 70% dos clientes da NuBank são jovens entre 18 e 36 anos e a maioria é estudante, como Matheus Brito (foto), de 21

Mais de 70% dos clientes da NuBank são jovens entre 18 e 36 anos e a maioria é estudante, como Matheus Brito, de 21

Um desses jovens é Matheus Brito, 21 anos, que conheceu a NuBank por meio das redes sociais. “Esse relacionamento com o cartão começou despretensioso. Eu via muitas propagandas no Facebook e ouvia colegas falando sobre a novidade”, conta.

O que chamou a atenção do estudante de Contabilidade da Universidade de Brasília (UnB) foi a falta de taxa de anuidade, bem como outras taxas muito menores que o mercado. “Resolvi testar por que não tinha nada a perder, e hoje não tenho nada a reclamar quanto ao serviço”, admite.

Regulamentação

Em agosto de 2017, o Banco Central (BC) publicou a Consulta Pública 55/2017, que divulgava uma proposta de norma que disporia sobre a constituição e funcionamento da sociedade de crédito e de empréstimo entre pessoas. A norma também disciplina a realização de operações de empréstimo entre pessoas por meio de plataforma eletrônica.

Segundo o órgão, a medida viabilizará a competição no Sistema Financeiro Nacional, a fim de fomentar o crédito e reduzir os custos para o consumidor. O processo ficou disponível na internet até 17 de novembro, recebendo 85 comentários e sugestões de ajustes nas disposições do edital. O Banco Central ainda não divulgou detalhes sobre a conclusão da consulta pública.

Deixe uma resposta

Entrevistas
IMG_1885 copia Meio nerd ainda é masculinizado
Turismo e Lazer
_MG_1493 Inserção de alunos com autismo ainda apresenta desafios para escolas
Entrevistas
Marcos Roberto, segurando seu primeiro Livro "Semideus: O Retorno Divino" Mitologia e filmes inspiram livros e peças de artista de Brasília

Mais lidas