Cidades

Moradores da Asa Norte denunciam alta velocidade na L2 Norte

De todas as vias urbanas no DF, pista está em 3º lugar no ranking de vias que mais tiveram mortes em acidentes de trânsito

A via L2 Norte tem quase 10 quilômetros de extensão. Em 57 anos de existência, a pista tem histórias de imprudência no trânsito, como motoristas que insistem em pisar no acelerador. Em 2017, a pista ficou em 3º lugar entre as 330 principais vias urbanas que tiveram mais acidentes fatais, ao todo foram 3 casos. A L2 Norte ficou atrás apenas da via MN2 de Ceilândia, onde foram registradas 4 mortes. Já a via S1, no Eixo Monumental, teve 5 mortes.

Comerciantes e moradores da região já se acostumaram com as freadas bruscas e com os barulhos de carros e motos que insistem em ultrapassar a velocidade permitida da via, que atualmente é de 60km/h.

O analista de sistemas, Alex Rustiguel, 27 anos, é morador da SQN 407 há cinco anos. Desde que se mudou para a região escuta os roncos dos motores de motoristas imprudentes na L2 Norte. “Da janela do meu quarto escuto diariamente barulhos de carros e motos em alta velocidade na L2. Já vi vários acidentes da janela de casa”, afirma o analista de sistemas.

Velocidade da via é 60 Km

Velocidade da via é 60 Km

Ao percorrer a L2 Norte, não é difícil encontrar pessoas disputando a pista com carros. Na altura da 607 Norte, a cena é frequente. No local, a quantidade de jovens revela que o ponto de ônibus é utilizado por estudantes da Universidade de Brasília e escolas públicas e privadas. Muitos reclamam que a faixa de pedestre mais próxima fica distante da parada. A estudante de Relações Internacionais, Joyce Ibiapina, 20 anos, reclama da sinalização na região: “A sinalização deixa muito a desejar, não só para motoristas, mas também para o pedestre. Tem poucas faixas e as poucas que têm os motoristas não param”.

L2 Norte na triste estatística

De acordo com o Departamento de Trânsito do Distrito Federal (Detran-DF), no ano passado, 84 pedestres morreram em acidentes de trânsito em todo o DF. Somente na L2 Norte, em 2017, 3 pessoas morreram. Entre a triste estatística está o estudante da UnB, Raul Aragão, de 23 anos. Ele, que era ativista da paz no trânsito, foi atropelado entre as quadras 406 e 407 Norte. O ciclista chegou a receber socorro do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), mas não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital.

A mãe de Raul, a aposentada Renata Aragão, 58 anos, diz que depois da morte do filho ela ganhou forças para lutar pela paz no trânsito. “A dor de perder um filho é muito difícil, principalmente pela ironia. Meu filho lutava pela paz no trânsito. A gente mescla sentimentos de dor e luta. Se ouve na região que existe velocidade excessiva na L2 Norte”, enfatiza Renata Aragão.

Acima da velocidade permitida

O carro que matou Raul estava a 95 km/h no momento da batida, como concluiu o laudo do Instituto de Criminalística da Polícia Civil do Distrito Federal, que periciou o acidente. O laudo comprovou que o veículo trafegava com velocidade 58% superior à máxima permitida na avenida L2 Norte, que é de 60 km/h. O motorista que atropelou Raul Aragão, prestou socorro e fez o teste do bafômetro. De acordo com informações da Polícia Civil, ele não estava embriagado.

A irmã do estudante que morreu na L2 Norte, Flora Gondim, 22 anos, diz que falta fiscalização no trânsito na pista que corta a Asa Norte.  “Os problemas são realmente de falhas de educação, fiscalização e controle sobre o trânsito. Conseguimos ver o grande fluxo de pessoas a toda hora do dia na L2 Norte. Vemos a todo momento carros passando em alta velocidade”, declara a Flora.

Renata Aragão lembra do filho atropelado na L2 Norte

Renata Aragão lembra do filho Raul, atropelado na L2 Norte

Na memória

No local onde o irmão de Flora foi atropelado a bicicleta usada pelo estudante no momento do atropelamento foi pintada de branco e instalada no canteiro da pista em homenagem ao jovem. Ao todo, em todo o DF, há nove bicicletas brancas em locais onde alguém perdeu a vida por conta da pressa, falta de planejamento viário e omissão do poder público. As bikes foram instaladas pela ONG Rodas da Paz, criada em 2003 com o objetivo de reagir à violência e ao crescente número de acidentes e mortes no trânsito do Distrito Federal.

A diretora da ONG, Renata Florentino, 33 anos, também denuncia a falta de sinalização da via. “ A população que reside e que transita pela L2 está coberta de razão em cobrar mais fiscalização para a velocidade dessa via. A L2 não conta com radares e fiscalização eletrônica do jeito que deveria e menos ainda fiscalização de agentes de trânsito”, relata a diretora.

O que diz o governo

Nossa reportagem procurou o Detran-DF, que informou, em nota, que não existe demanda de moradores sobre eventuais problemas na via. O órgão disse ainda que a L2 Norte está perfeitamente sinalizada e conta com 4 equipamentos de fiscalização de avanço de sinal vermelho e 8 pardais, além de 27 faixas de pedestres com semáforo e 10 faixas sem semáforo, totalizando 37 faixas de pedestres. O Detran ressaltou ainda, que a via passará por revitalização, conforme o cronograma de sinalização da Engenharia de Trânsito. O Departamento informou também que o tempo precisa estar seco, uma vez que é utilizada tinta quente, que é mais resistente e tem maior durabilidade na pintura da sinalização da pista.

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