Ciência e Tecnologia

O valor da Ciência de Dado$

O Big Data, grande volume de dados gerados e armazenados, pode ser uma mina de ouro para quem sabe utilizá-lo

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O crescimento do fluxo de informação digital tem provocado o surgimento de novas áreas, como a Ciência de Dados. Ela estuda este turbilhão de dados, o Big Data, e a partir desta análise é possível, por exemplo, definir estratégias para a venda de determinado produto, onde realizar investimentos públicos ou como alavancar uma campanha política. Blogs, Facebook, sites de notícias, Instagram, sistemas de governo, são exemplos de fontes de informação que geram um enorme volume de dados, e fomentaram a necessidade de uma profissão específica, que agrega vários conhecimentos e possibilita dar respostas às perguntas das organizações, sejam elas privadas ou não.

Sérgio Côrtes é doutor em informática e coordenador do curso de pós-graduação em Ciência de Dados do Centro Universitário IESB, e explica que a profissão de cientista de dados surgiu da necessidade de um profissional que possa trabalhar com tanta informação criada. “Big Data é um banco de dados muito grande que tem as características de ter um grande volume de dados que cresce de forma exponencial e tipos de dados muito variados. Isto o diferencia dos outros bancos de dados”, explica. O mercado é promissor para quem domina este conhecimento.

A Oracle, multinacional de tecnologia da informação, aponta que o Big Data deve possuir 4 Vs:

  • Volume – grande quantidade de dados de fontes diversas como redes sociais, sites de e-commerce e cliques em aplicativos de celular.
  • Velocidade – os dados são gerados a cada instante e podem ser interessantes para a organização. Isto pode requerer ação em tempo real.
  • Variedade – pode ser composto por dados em formato de texto, sons, vídeos e imagens.
  • Valor – é preciso conhecer o valor dos dados através de análises inteligentes. Saber fazer as perguntas corretas é imprescindível.
Para ser um Big Data não basta ter muitos dados

Para ser um Big Data não basta ter muitos dados

Côrtes acrescenta um V a mais, que é a Veracidade. “A veracidade está no grau da confiabilidade que tem estes dados. Os fake news por exemplo podem ter grande velocidade, variedade, volume, mas não têm veracidade”, justifica.

Conforme Gilvandro Neiva, tecnólogo em Processamento de Dados e coordenador de negócios no Serpro – Serviço Federal de Processamento de Dados, a ciência para a busca de conhecimento pode apoiar qualquer área de atuação, independente da origem. “A gente pode extrair de anúncios de imóveis, por exemplo, relacionar o endereço de imóvel, com o tamanho e com o valor, e a partir daí analisar se será possível vender determinado imóvel em determinada faixa de valor”, explica. Outro exemplo dado por ele, que demonstra o crescimento exponencial de dados para análise todos os dias, é o carro autônomo, que “por dia vai gerar por volta de 15 gigabytes de dados, com todas as informações do carro. Isto apenas um carro”.

Gilvandro Neiva é um entusiasta da Ciência de Dados

Gilvandro Neiva, do Serpro, é um entusiasta da Ciência de Dados

O governo brasileiro, detentor de uma grande quantidade de informações sobre o país e o cidadão, também está investindo na análise de dados com a criação do GovData. Segundo o site http://govdata.gov.br/, GovData “é a plataforma de análise de dados do Governo que permite aos órgãos do SISP acesso a diversas bases de dados, para a geração de informações estratégicas com a utilização de ferramentas de descoberta e mineração de dados, e de análises estatísticas e cognitivas“. Márcia Missias também é empregada do Serpro, empresa parceira do Ministério do Planejamento na implantação da plataforma. Analista de sistemas e mestre em engenharia elétrica, ela prevê melhorias em todo o sistema: “O Serpro está com a iniciativa de um Data Lake [lago de dados] com o intuito de centralizar as informações de âmbito público. Isto leva a um ganho de eficiência dos órgãos que poderiam fazer uso de informações já centralizadas realizando cruzamentos e contribuindo para que as políticas públicas sejam favorecidas no combate à fraude, verificando a aplicação correta dos recursos públicos”.

Com a grande quantidade de dados de governo, Márcia Missias vê grandes possibilidades de melhorar políticas públicas

Com a grande quantidade de dados de governo, Márcia Missias vê grandes possibilidades de melhorar políticas públicas

Mercado em crescimento
Com tantas possibilidades, a previsão é de aumento da demanda por profissionais que saibam minerar os dados e valorá-los. A revista Forbes  divulgou ano passado dados de um relatório da IBM que prevê 700 mil novas vagas apenas nos Estados Unidos até 2020, sendo a maior parte nas áreas de finanças e seguros, serviços e TI. Mas atualmente não há muitas pessoas qualificadas no mercado. O mesmo relatório indica que as vagas permanecem abertas por cerca de 45 dias: cinco a mais que a média para outras profissões.

Sérgio Côrtes diz que no Brasil a expectativa também é de crescimento com “uma empregabilidade em torno de 80 mil vagas nos próximos 4 anos”. Para se qualificar, não há uma formação inicial exclusiva. Conforme Gilvandro Neiva, geralmente os cientistas são estatísticos, matemáticos ou analistas de sistemas. Ele ressaltou também que, apesar da semelhança, a estatística é uma ferramenta utilizada pela Ciência de Dados, mas não são iguais. A estatística tenta entender o que aconteceu, enquanto a Ciência de Dados busca prever o futuro.

Segundo a revista Exame, cientistas de dados estão entre os seis profissionais de TI mais disputados para 2018. Quanto à expectativa salarial, ela varia conforme o tempo de experiência: 109.000 a 119.000 reais por ano para quem tem de 4 a 8 anos até 200.000 reais por ano para quem tem mais de 12 anos.

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